Vereadores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Jockey Club colheram, nesta terça-feira (17/3), os primeiros depoimentos de 2026. Representantes do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) da cidade – órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa – participaram da reunião. Parlamentares fizeram diversos questionamentos sobre contratos e gastos de R$ 61,3 milhões de verbas públicas para o restauro do clube.
Durante uma hora e meia, Marília Alves Barbour – diretora do DPH – e Ricardo Vaz Guimarães Rosis, responsável pela DPP (Divisão de Preservação do Patrimônio) do mesmo departamento, responderam às perguntas dos vereadores que integram a CPI. De acordo com o órgão municipal, existe a necessidade de que o termo de compromisso entre o Jockey e a Prefeitura seja cumprido.
Marília Barbour disse que aguarda a finalização da auditoria sobre o caso. No entanto, ela antecipou que o projeto de restauração tem de ser aprovado durante as obras de intervenção. “Isso significa que o imóvel precisa ser restaurado e estar em bom estado de conservação. Nos chamou bastante a atenção, a maneira como as informações chegaram e estavam organizadas na prestação de contas. Notas fiscais que não tem nada a ver com o que era previsto com a gente. Eles acharam que a gente não fosse perceber a prestação de contas. Nos chamaram de bobos”.
Já Ricardo Vaz Guimarães Rosis explicou que o relatório do Jockey apontava obras em diversos locais no interior do clube. Ele relatou que o documento veio acompanhado de uma planilha com a elaboração dos projetos de restauro. A investigação, que começou em outubro de 2025, após o DPH rejeitar a prestação de contas do Jockey, identificou gastos considerados incompatíveis com as regras do programa de Transferência do Direito de Construir. Cabe ao órgão aprovar, acompanhar e fiscalizar a obra.
“Eles juntaram uma série de planilhas que são despesas, conta corrente do Jockey Club, como folha e encargos de funcionários, compra de papel higiênico e suprimentos, sem qualquer relação com o projeto de restauro. Está muito claro, até no termo de compromisso, que o valor arrecadado é para projeto e obra e não custeio”, disse o representante da Divisão de Preservação do Patrimônio, Ricardo Vaz Guimarães Rosis.
Os representantes do DPH afirmaram que uma auditoria da Controladoria do Município analisa o caso e que aguarda a manifestação conclusiva para direcionar os próximos passos. “Caso haja descumprimento, existem penalidades a serem impostas. Apontamos suspeitas em vistorias, pois são obras incompatíveis. Tais fatores atípicos motivaram uma análise documental das notas fiscais apresentadas. O processo está tramitando”.
Vereadores
Os vereadores que integram a CPI contaram à Rede Câmara SP que começaram a entender os problemas em relação à prestação de contas e ao desvio de verbas para o restauro do Jockey Club a partir das primeiras oitivas. Para o presidente do colegiado, vereador Gilberto Nascimento (PL), o Jockey Club tentou mascarar o processo durante a prestação de contas.
“Uma empresa mandou notas de serviços que vão desde restaurantes a hotéis de outros estados. Então, nem é na cidade de São Paulo e isso assusta muito ao ver a coragem com que eles apresentaram uma planilha como essa, um documento oficial, achando que talvez ninguém fosse ler. Parabenizo o trabalho do DPH ao identificar irregularidades e tomar providências”, falou Gilberto Nascimento.
Relator dos trabalhos, o vereador Carlos Bezerra Jr. (PSD) considerou as oitivas esclarecedoras a fim de juntar informações que contribuam para a elaboração do relatório. Ele afirmou que a investigação é necessária para apontar a responsabilidade de quem eventualmente cometeu desvios e para proteger a administração pública em futuros contratos.
“Os servidores trouxeram para nós documentos que mostram a incompatibilidade de gastos para aquilo que foi feito com a captação de recursos de uma lei de incentivo. Esses valores tiveram uma malversação, não foram utilizados para a restauração e, sim, para gastos pessoais, como alimentação, hospedagem, transporte, passagens aéreas. Com flagrante, chegaremos a uma responsabilização, inclusive, com a possibilidade do rompimento do termo de compromisso entre o Jockey e a Prefeitura”, concluiu Bezerra Jr.
Estiveram presentes na reunião os parlamentares: Gilberto Nascimento (PL) – presidente, Sansão Pereira (REPUBLICANOS) – vice-presidente, Carlos Bezerra Jr. (PSD) – relator, Kenji Ito (PODE), Luana Alves (PSOL), Roberto Tripoli (PV) e Silvinho Leite (UNIÃO).
A reunião da CPI do Jockey Club pode ser conferida na íntegra neste link.
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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo
