A iniciativa com bonecos inspirados na obra de Kiusam de Oliveira promove vivências pedagógicas que estimulam empatia, valorização da diversidade e construção de identidades na educação infantil

Publicado em: 24/04/2026 11h17 | Atualizado em: 24/04/2026

Com foco no enfrentamento ao racismo e à xenofobia, a EMEI Manuel Soares Neiva, localizada na Vila Dom Pedro I, desenvolve ações que convidam as crianças a refletirem sobre identidade, diversidade e respeito desde a primeira infância. A iniciativa tem como ponto de partida a chegada dos bonecos Tayó e Akin, personagens das histórias da autora Kiusam de Oliveira, que passam a integrar o cotidiano das turmas ao longo deste mês. 

De acordo com a coordenadora pedagógica Carolina Ferreti, a proposta é promover experiências significativas a partir do convívio com os personagens. “O intuito do projeto é promover entre as crianças o respeito às diferenças, a valorização das identidades e o convívio baseado na empatia e na equidade”, explica. 

Durante o período, os bonecos participam de diferentes propostas pedagógicas, como brincadeiras, rodas de conversa e contação de histórias, estimulando reflexões sobre diversidade, pertencimento e respeito. Ao interagir com os personagens, as crianças ampliam sua capacidade de expressão, desenvolvem a linguagem oral e aprendem a escutar o outro, compartilhando vivências sobre si e suas famílias. 

Protocolo de Enfrentamento ao Racismo e à Xenofobia é um documento elaborado para orientar as unidades educacionais no que diz respeito a ações e encaminhamentos a serem adotados diante de condutas racistas e xenofóbicas nos espaços educativos, envolvendo bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, matriculados na Rede Municipal de Ensino, bem como profissionais de educação. Na EMEI Manuel Soares Neiva, essa ação se dá por meio de um projeto pedagógico que convida as crianças a refletirem sobre identidade, diversidade e respeito desde a primeira infância.  

A iniciativa também contribui diretamente para a construção da identidade e da autoestima. Ao se verem representadas, as crianças fortalecem sua segurança emocional. Além disso, o projeto favorece o desenvolvimento das habilidades de convivência, incentivando atitudes de empatia, respeito e resolução de conflitos desde cedo. 

A professora Valéria Torrente destaca que o percurso pedagógico contempla o trabalho com identidade e valorização das diferenças, promovendo o reconhecimento positivo e a construção de uma autoimagem fortalecida, especialmente para crianças negras. 

“Ao apresentar elementos como o cabelo Black Power como símbolo de beleza e potência, contribuímos para a desconstrução de estereótipos e para o enfrentamento do racismo estrutural”, afirma. 

O projeto também aborda saberes geográficos e históricos, ampliando o repertório das crianças ao apresentar o continente africano de forma contextualizada e diversa. A partir de recursos como mapas e globos, as crianças são introduzidas à noção de origem e ancestralidade, compreendendo as raízes africanas presentes na cultura brasileira. 

Outras linguagens também fazem parte das vivências, como a música, as brincadeiras e a culinária. O contato com instrumentos de percussão e ritmos africanos contribui para uma educação das relações étnico-raciais pelo sensível, enquanto atividades culinárias dialogam com o Currículo da Cidade ao valorizar diferentes culturas e promover aprendizagens práticas, como medidas e preparo de receitas. 

Para a professora Daniela Maia, o projeto amplia e qualifica o repertório das crianças ao propor experiências significativas e integradas. 

“É um convite para olhar o mundo com sensibilidade e construir relações respeitosas e antirracistas. Em propostas como essa, a aprendizagem ocupa todos os espaços da escola e envolve o corpo inteiro”, destaca. 

As reações das crianças à chegada dos bonecos têm sido diversas, passando pelo espanto, curiosidade e questionamentos, mas com um sentimento predominante: o encantamento. A professora Daniela conta que frases como: “Prô, elas são muito lindas” e “Coloca ela sentada aqui do meu lado na roda”, evidenciam o vínculo afetivo que se constrói a partir da experiência. 

A expectativa da equipe é que, ao longo do projeto, as vivências despertem o olhar curioso e investigativo das crianças, promovendo aprendizagens sobre cultura, modos de vida e formas de ser e conviver. A iniciativa reafirma o compromisso da unidade com uma educação inclusiva, antirracista e pautada no respeito às diferenças desde a infância. 

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Com informações da Prefeitura de São Paulo

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