Diante desse cenário, surge a pergunta: chegou a hora de encontrar uma nova forma de medir o que realmente importa?
PIB sozinho não mede distribuição de renda
Em 2025, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou o Grupo de Especialistas de Alto Nível sobre o tema “Além do PIB”.
Após um ano de consultas, o grupo divulgou, nesta quinta-feira, suas conclusões em um relatório intitulado “Contar o que importa”, descrito como “uma bússola para as pessoas e o planeta”.
No lançamento, o secretário-geral da ONU disse que o PIB desconsidera as atividades que sustentam a vida e contribuem para o bem-estar, e deixa de contabilizar plenamente aquelas atividades que prejudicam as pessoas e exaurem o planeta.
António Guterres declarou que esta medida “em nada contribui para captar ou prever o mal-estar social, a frustração e a desconfiança nas instituições, nem se a prosperidade está sendo compartilhada”.
O líder da ONU destacou que o PIB é indiferente ao fato de a renda ir para bilionários ou para os pobres, ou se ela se destina a combater a fome, a promover a saúde ou a mitigar as desigualdades.
Dieta que forneça um mínimo de energia suficiente está fora do alcance de mais de 10% da população africana
Quadro incompleto
Os especialistas apresentam uma agenda prática para ajudar governos e o sistema internacional a reduzir a dependência excessiva do PIB em áreas nas quais ele não é o indicador mais apropriado.
Em termos simples, o PIB representa a soma de tudo o que um país produz e vende. Mas economistas reconhecem, há anos, que esse indicador não consegue retratar o quadro completo.
Por exemplo, trabalhos não remunerados, como cuidar de crianças ou de familiares com deficiência, não são contabilizados de forma positiva. Medidas de desigualdade também não entram no cálculo, assim como os custos da poluição ou da exploração de recursos naturais.
Indicadores ligados ao cotidiano das pessoas
O elemento central do relatório é um painel de indicadores baseado em quatro pilares: princípios fundamentais, incluindo paz, direitos humanos e respeito ao planeta; bem-estar; equidade e inclusão; e sustentabilidade e resiliência.
Esses indicadores incluem a parcela da riqueza detida pelo 1% mais rico; a proporção da população rural que vive a menos de 2km de uma estrada transitável em todas as estações; e a proporção de pessoas que se sentem seguras ao caminhar sozinhas na região onde vivem após o anoitecer.
O relatório também inclui medidas práticas para avançar a agenda “Além do PIB”, como a rápida adoção de “painéis nacionais de progresso”, adaptados às prioridades de cada país e incorporados aos processos de formulação de políticas públicas.
Priorizando o que realmente importa
Outra proposta é a criação de um mecanismo global de monitoramento pelas Nações Unidas, incluindo um relatório anual de progresso alinhado ao acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.
O grupo também incentiva universidades, sociedade civil, setor privado e meios de comunicação a contribuir por meio de pesquisas, cobertura jornalística e participação ativa para mudar o debate público e responsabilizar líderes por avanços que vão além do PIB.
Os autores do relatório concluem que ao perseguirem apenas o crescimento do PIB, governos podem deixar de priorizar o que realmente importa para as pessoas e para o planeta.
*Baseado no texto de Conor Lennon, da ONU News Inglês.
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Com informações da ONU
