Perto de 41% da população do Sudão, quase 20 milhões de pessoas, enfrenta níveis elevados de insegurança alimentar aguda. Entre estas, cerca de 135 mil vivem em situação de catástrofe alimentar, sob risco elevado de morte por doença ou subnutrição.

Os dados correspondem ao período entre fevereiro e maio deste ano e foram identificados pelo Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC.

Desnutrição Aguda Generalizada

A análise do IPC, que abrangeu 195 localidades e assentamentos de deslocados internos em todo o Sudão, confirma que a desnutrição aguda severa continua generalizada no país.

O risco de fome foi identificado em 14 áreas de Darfur do Norte, Darfur do Sul e Cordofão do Sul. O relatório destaca o “cenário pessimista plausível” face ao agravamento do conflito e as restrições ao acesso humanitário e à circulação de bens e pessoas.

Unfpa
Crianças caminham por um campo de deslocados na região do Nilo Branco, no Sudão.

Mais de 800 mil crianças ameaçadas pela desnutrição

O IPC estima que 825 mil crianças com menos de cinco anos venham a sofrer de desnutrição aguda grave em 2026. Esta avaliação confirma um aumento de 7% face ao ano passado e 25% acima dos níveis dos anos anteriores ao conflito, entre 2021 e 2023. 

O relatório alerta que, apesar de quase 100 mil crianças admitidas a tratamento entre janeiro e março, as restrições ao apoio humanitário comprometem o acesso e a qualidade do serviço, aumentando o risco de morte entre este grupo. 

Acesso humanitário condicionado

O conflito no Sudão já forçou a deslocação de mais de 8,9 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, os ataques a espaços civis com recurso a drones intensificaram-se e constituem a principal causa de morte entre a população.

Por sua vez, o agravamento dos confrontos comprometeu o funcionamento do sistema de saúde sudanês, com cerca de 40% das unidades de saúde inoperantes no início do ano.

O IPC destaca ainda que o acesso humanitário continua fortemente limitado, restringindo tanto a prestação de assistência como a coleta de dados em algumas das áreas mais afetadas pela crise.

© OIM/Muse Mohammed
O Sudão continua sendo a maior crise de deslocamento do mundo

Fim imediato das hostilidades 

O conflito em curso no Oriente Médio acrescenta uma nova camada de complexidade à crise no Sudão, contribuindo para o aumento dos preços dos combustíveis, alimentos e fertilizantes.

Entre as ações recomendadas, o IPC destaca o fim imediato da violência, a garantia de proteção de civis e o levantamento de entraves burocráticos à assistência humanitária.

Sem a adoção de medidas para a resolução pacífica do conflito, o IPC não prevê qualquer melhoria significativa da situação de segurança alimentar e nutricional no Sudão em 2026.

source
Com informações da ONU

Share.

Comments are closed.

Exit mobile version