Segundo a OMS, 287 milhões de pessoas viviam com hepatite B ou C crônica em 2025. Apenas 45% dos bebês receberam a vacina contra a hepatite B nas primeiras 24 horas de vida em 2024, ano em que 1,3 milhão de pessoas morreram de hepatite B e C crônica.
Vacinas eficazes, diagnósticos precisos, tratamentos curativos para a hepatite C e terapias para toda a vida para a hepatite B podem prevenir infecções
Superando as barreiras
O tema do Dia Mundial deste ano, “Hepatite: vamos acabar com ela ”, numa tradução livre, é um chamado para remover os obstáculos que estão entre as pessoas e os serviços que podem salvar vidas. A hepatite viral continua sendo uma das principais causas de doenças e mortes evitáveis em todo o mundo.
Clarice Pinto, do Departamento de HIV, tuberculose, hepatite e doenças sexualmente transmissíveis da OMS, destaca que por trás de cada estatística, existe uma pessoa, uma família, uma comunidade.
“Eu sei disso porque, de uma forma pessoal, há 12 anos atrás, perdi alguém para hepatite C. Por isso, quando falamos sobre eliminar as hepatites virais, nós não estamos falando apenas de números. Estamos falando de vidas que podem ser salvas, de famílias que podem permanecer unidas e da comunidade que pode prosperar”.
O que fazer
A técnica da OMS dá uma orientação simples e importante a respeito do que fazer em caso de suspeita de ter contraído o vírus.
“Se você vive em uma região de alta carga da doença, acredita que possa ter sido exposto ao vírus ou considera que está em maior risco de adquiri-la, procure um profissional de saúde e faça o teste. Um simples exame de sangue pode fazer toda a diferença. O diagnóstico precoce é a porta de entrada para o tratamento e o tratamento salva vidas”.
A OMS explica que as ferramentas necessárias para eliminar a hepatite viral já existem. Vacinas eficazes, diagnósticos precisos, tratamentos curativos para a hepatite C e terapias para toda a vida para a hepatite B podem prevenir infecções, salvar vidas e reduzir o câncer de fígado e a cirrose.
Apesar disso, milhões de pessoas permanecem sem diagnóstico, sem tratamento ou impossibilitadas de acessar os cuidados devido ao estigma, à conscientização limitada, às falhas no sistema de saúde e às desigualdades persistentes.
A técnica da OMS diz que a ciência está do nosso lado e as ferramentas, em nossas mãos.
“O que precisamos agora é da liderança política sustentada, mais investimentos e parcerias ainda mais fortes para garantir que essas ferramentas peguem a todas as pessoas em todos os lugares. A eliminação das hepatites virais está ao nosso alcance. Se agirmos juntos e agirmos agora, podemos eliminar as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030”.
As principais mensagens da OMS
A primeira delas tem a ver com “aproveitar a ciência e as políticas existentes”.
A OMS lembra que vacinas eficazes, diagnósticos precisos e tratamentos, por exemplo, já estão disponíveis e comprovados. Essas ferramentas podem prevenir infecções, interromper a transmissão e salvar milhões de vidas ao reduzir as doenças hepáticas e o câncer de fígado.
A prioridade agora é garantir que essas intervenções sejam ampliadas e entregues de forma equitativa a todos que precisam, o que exige maior compromisso político, investimento e prestação de contas.
Uma mãe com seu bebê visita um centro de saúde em Santa Lúcia, 2024.
Além disso, é preciso “colocar as pessoas e as comunidades no centro da eliminação da hepatite”. Ou seja, o progresso duradouro depende da liderança e da participação das pessoas afetadas pela doença. Quando as comunidades ajudam a formular políticas, programas e serviços, a resposta se torna mais eficaz, responsável e alinhada às necessidades da população.
Garantir acesso equitativo aos serviços para todos
A OMS ressalta que todos devem ter a oportunidade de se beneficiar dos serviços de prevenção, testagem, tratamento e cuidados recomendados. E que expandir o acesso para populações vulneráveis e subatendidas, por meio de uma prestação de serviços integrada e centrada nas pessoas, é essencial para reduzir as desigualdades.
Outra orientação é “integrar os serviços de hepatite à cobertura universal de saúde”. A OMS recomenda que os serviços relativos à hepatite estejam incorporados à atenção primária e aos sistemas de cobertura universal para que a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e os cuidados estejam disponíveis ao longo de toda a vida. Uma abordagem multissetorial e baseada nos direitos humanos é fundamental para enfrentar as barreiras de acesso.
A OMS destaca que temos a oportunidade de mudar a trajetória da hepatite viral. Ao investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação para prevenção, detecção e tratamento, os países podem melhorar os resultados de saúde para milhões de pessoas.
*Com informações da OMS.
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Com informações da ONU
