No Afeganistão, cerca de 3,7 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda e 1,2 milhão de mulheres grávidas também enfrentam insuficiência nutricional, numa das crises humanitárias mais severas da atualidade. 

Esta terça-feira, o Programa Mundial de Alimentos, WFP, alertou que os níveis crescentes de insegurança alimentar no país podem ultrapassar todas as projeções, condenando inúmeras mães e crianças a uma morte evitável.

Insegurança alimentar atinge novos recordes

Segundo o diretor da agência no país, John Ayliffe, a malnutrição infantil, a forma mais letal de desnutrição, já atingiu níveis críticos em 12 das 34 províncias do Afeganistão, o que corresponde a quase um terço do país.

Trata-se de um valor recorde, que o WFP prevê que continue a aumentar até outubro, numa altura em que 14 milhões de afegãos já vivem em situação de fome aguda.

Ao mesmo tempo, a afluência de crianças aos centros de saúde tem vindo a disparar. O responsável indica que 80% das entradas mais graves correspondem a crianças abaixo de 2 anos, cujo estado de desnutrição avançada impossibilita, muitas vezes, o tratamento atempado.

A agência cita casos de crianças das comunidades mais remotas, cujas dificuldades de acesso impedem o acesso a cuidados de saúde essenciais. A declaração é da porta-voz do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, Ocha. Olga Cherevko, em conversa com jornalistas.

Pico de desnutrição aconteceu mais cedo

A desnutrição infantil no Afeganistão tende a atingir o seu pico entre julho e outubro, impulsionada pelo aumento das doenças transmissíveis e pelo fraco acesso à água, saneamento e serviços de nutrição.

Já este ano, o clímax surgiu semanas mais cedo. É o resultado da sobreposição de crises que assolam o país, incluindo o conflito, o retorno de afegãos de países vizinhos, o desemprego, os preços elevados dos alimentos e a redução do financiamento humanitário.

© WFP/Danijela Milic
O Afeganistão enfrenta níveis de desnutrição próximos aos recordes, afetando cerca de cinco milhões de mães e crianças

De acordo com o WFP, apenas em 2025, os cortes na ajuda humanitária levaram ao encerramento de 142 centros de saúde em todo o país, privando mais de 13 mil crianças de tratamento nutricional.

Esta situação foi agravada pela crise no Médio Oriente e pelo encerramento da fronteira com o Paquistão, que interromperam as cadeias de abastecimento, aumentaram os custos dos alimentos e deixaram perto de 1 milhão de mães e crianças sem acesso a serviços essenciais de nutrição.

Restrições de género impedem recuperação do país

Segundo a porta-voz, a restrições impostas pelas autoridades de facto do Afeganistão a milhões de mulheres e meninas continuam a restringir a sua participação diária na vida pública do país.

O seu impacto traduz-se em restrições no acesso à educação, aos meios de subsistência, aos cuidados de saúde e à participação na sociedade, com cada imposição a empurrar mulheres e meninas para fora da vida pública.

A porta-voz da Ocha lemrba que quando as mulheres são privadas do acesso ao trabalho e à educação, as consequências não se restringem apenas à população feminina, mas estendem-se às famílias e às comunidades, representando um entrave para a recuperação do país.

source
Com informações da ONU

Share.

Comments are closed.

Exit mobile version