Em relatório lançado nesta quinta-feira, a agência afirma que as reservas de água doce no planeta estão em declínio.
Mata preservada é capaz de suportar melhor as mudanças climáticas e manter o equilíbrio das bacias hidrográficas
“Conta poupança do planeta” está se esgotando
Além da diminuição dos rios, o recuo das geleiras é outro fator que afeta a disponibilidade de água, ameaçando o futuro das pessoas e das economias.
O Relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos Globais da OMM analisa vazão de rios, água subterrânea, perda de água do solo e das plantas, e o volume de neve e gelo, bem como eventos climáticos de alto impacto.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo afirmou que a água subterrânea, as geleiras e a neve sazonal, são como uma “conta poupança do planeta”.
Essas reservas funcionam como uma garantia de que anos ruins, marcados por fortes secas, não vão necessariamente causar uma crise hídrica.
No entanto, Celeste Saulo alertou que o mundo está agora “esgotando essa conta poupança”.
Sara bebe água do lado de fora de sua escola no vilarejo de Adol, no Rajastão.
Diminuição do gelo e da água subterrânea
Os dados da OMM indicam que o armazenamento global de água na superfície tem apresentado uma tendência de queda desde 2014. Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciais da Terra perderam massa de gelo.
Entre 2023 e 2025, a perda global acumulada foi de 1400 gigatoneladas de água. Isso equivale ao volume necessário para preencher 560 milhões de piscinas olímpicas.
A água subterrânea vive uma situação semelhante. Quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram condições abaixo da média histórica em 2025.
Esses níveis baixos foram observados no nordeste e centro-oeste do Brasil, na Europa Central e Oriental, no centro dos Estados Unidos, em partes do México, no norte do Chile e da África do Sul, no noroeste da Índia e em partes do sul da Austrália.
O encolhimento da geleira equatorial de Gunung Jaya Wijaya em Papua, Indonésia
Ameaça do El Niño
A OMM interpreta esses dados como um “esgotamento cumulativo com tendência de secagem de vários anos”.
A chefe da OMM afirmou que o déficit aumentou em comparação com 2024, sem sinais de recuperação.
Ao mesmo tempo há um aumento de desastres relacionados à água. O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de seca em algumas áreas e de inundações em outras, segundo a OMM.
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Com informações da ONU
