Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, o presidente moçambicano, Daniel Chapo, indicou três pilares do posicionamento do país, reforçando o papel das Nações Unidas na construção de um mundo em favor da segurança e da equidade.
Multilateralismo e jornada para a paz
“Moçambique teve o apoio das Nações Unidas desde o percurso para a sua independência nacional, desde os anos 60, até à Proclamação da Independência nacional, a 25 de junho de 1975. Ano passado, comemoramos 50 anos. Este ano comemoramos 51 anos. Este é o legado das Nações Unidas. Depois da independência nacional, nós tivemos cerca de 16 anos de guerra, na qual mais de 1 milhão de moçambicanos perdeu a vida. O tecido econômico e social do país ficou completamente dilacerado. Para o alcance desta paz, com a assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de outubro de 1992, em Roma, na Itália, as Nações Unidas desempenharam um papel extremamente importante.”
Com o país exaltando mais de 35 anos de democracia multipartidária, Chapo disse que Moçambique está a conduzir um processo de “diálogo nacional inclusivo” e para garantir a manutenção da estabilidade.
“Com jovens, mulheres, organizações da sociedade civil, todos os estratos sociais e sem exclusão de nenhum moçambicano sequer, e sem exclusão de nenhum partido político ou líder político, estamos a levar a cabo um diálogo nacional e inclusivo. Mais uma vez, as Nações Unidas, através das suas agências, em particular o Pnud, estão a dar um apoio extremamente importante neste processo de paz e de reconciliação entre os moçambicanos através do diálogo nacional inclusivo. Temos o desafio do terrorismo na província de Cabo Delgado, e aí as Nações Unidas, através das suas agências, estão a jogar um papel extremamente importante na assistência humanitária às populações deslocadas. Por isso, a primeira mensagem foi deixar claro que o multilateralismo através das Nações Unidas é extremamente importante para a manutenção da paz, extremamente importante para a questão relacionada com o desenvolvimento sustentável e, sobretudo, um aspecto extremamente importante é a estabilidade política, econômica e social global.”
O presidente enfatizou que o multilateralismo é indispensável para manter a paz, a estabilidade global e o desenvolvimento sustentável.
Justiça pelo clima
O segundo recado de Moçambique para o mundo diz respeito às mudanças climáticas e a necessidade de um financiamento climático justo.
Nação africana é um dos dez países mais vulneráveis a desastres naturais no mundo
De acordo com o chefe de Estado, a nação africana é um dos dez países mais vulneráveis a desastres naturais no mundo. Por ser atravessado por nove bacias hidrográficas, o país sofre ciclicamente com cheias, inundações, ciclones e, agora, com os impactos do fenômeno El Niño. Ele aponta que a injustiça climática é gritante.
“Os países que mais poluem no mundo são os chamados mais desenvolvidos. Principalmente o G7, mas também temos o G20. E Moçambique não faz parte nem do G7, nem do G20. Dada a sua localização geográfica, é o que mais sofre. Polui menos, mas sofre mais. E achamos que o mundo precisa discutir de forma franca e aberta a questão do financiamento climático e a questão da justiça climática, por acharmos que nós, como Moçambique, estamos a investir os poucos recursos que temos por causa das mudanças climáticas, que não são provocadas diretamente por um país como Moçambique. Mas, dada a sua localização geográfica, sofremos ciclicamente. E há que se pensar de forma franca, aberta e com a humildade possível, sobre a questão do financiamento climático ao nível do mundo”.
Não uso da força para resolução de conflitos
Chapo destacou que a terceira e última mensagem é um chamado para a transformação da geopolítica atual: o não uso da força para a resolução de conflitos.
Para Daniel Chapo, é preciso que povos e países se conectem para acelerar o passo rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
“Achamos que tem que ser respeitada a soberania dos Estados, a independência do Estado e a integridade territorial dos Estados ao nível do mundo. Foram essas três principais mensagens que nós deixamos. Achamos que o multilateralismo deve continuar a ser defendido por todos os países ao nível do mundo e, sobretudo, a importância das Nações Unidas.”
O objetivo de Moçambique é exportar essa lição. O país transmite sua experiência de diálogo nacional inclusivo para a região, para o continente africano e para o mundo, evidenciando que o diálogo é o “remédio número um” para a manutenção da paz.
Caminho para o futuro
Com os prazos da Agenda 2030 batendo à porta, muitos indicadores ainda estão longe de serem alcançados. Como mensagem final, Moçambique faz um convite à união.
Para Daniel Chapo, é preciso que povos e países se conectem para acelerar o passo rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, garantindo que a paz, a reconciliação e o desenvolvimento sejam reais para o bem da humanidade.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
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Com informações da ONU
