Nos próximos 15 anos, cerca de 1,2 bilhão de jovens, no mundo, irão se formar e entrar no mercado de trabalho. Mas 800 milhões deles não terão como encontrar um emprego. 

O alerta é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud. 

Impacto da inteligência artificial 

O administrador do Pnud, Alexander De Croo, explicou que as projeções de emprego se baseiam no estado atual da tecnologia e no resultado de políticas públicas, dentre outros fatores. 

Em conversa com jornalistas em Nova Iorque, ele contou que a inteligência artificial, IA, é um fator relevante, mas adicionou que as projeções poderiam mudar por meio de políticas trabalhistas ativas.

De Croo enfatizou que setores como saúde, agricultura e turismo ainda criarão muitos empregos, mesmo com a aceleração da IA.

Segundo ele, “a criação de postos de trabalho é a única maneira realmente sustentável para as pessoas saírem da pobreza”.

Iniciativas para garantir mais oportunidades 

A agência lançou duas iniciativas para tentar garantir que os jovens tenham mais oportunidades profissionais.

Uma delas é o Acelerador de Investimentos, que ajudará os governos a aprimorar políticas de investimento e marcos legais. O objetivo é construir carteiras de projetos prontos para receber financiamento e conduzi-los à implementação.

A segunda é o Mecanismo de Empregos para a Prosperidade, que vai atuar para ajudar os países a identificar setores com forte potencial de criação de postos de trabalho. Outra meta do programa é superar as barreiras ao investimento empresarial e à contratação.

Ambas contam com o apoio de parcerias com o Banco Mundial, o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. Projetos-piloto já estão em andamento em países como Nepal, Iêmen, Haiti, Líbano e Gana.

“Triplo choque”

O lançamento das iniciativas acontece em um momento em que muitas nações em desenvolvimento enfrentam o que De Croo chamou de “triplo choque”, composto por altos custos de energia, um dos fenômenos El Niño mais fortes desde 1950 e custos de empréstimo muito elevados.

Segundo um novo relatório do Pnud, intitulado ” Sem Tempo para Recuperação” , os países em desenvolvimento gastam em média 9,5% da receita total do governo apenas com o pagamento de juros.

Pela primeira vez desde 2010, o número de pessoas que vivem em pobreza multidimensional, que mede não apenas a renda, mas também o acesso à eletricidade, água, saúde e educação, aumentou.

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Com informações da ONU

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