Daniela Shimizu decidiu seguir a profissão inspirada por uma professora da infância, mas guardou o diploma por 18 anos até lecionar em uma escola vinculada ao sistema prisional

Publicado em 20/10/2026 – 08:17

Atualmente, a rede estadual de ensino tem 5.852 professores que lecionam para pessoas privadas de liberdade – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Aos 49 anos de idade, a professora de matemática Daniela Viviane Fernandes Shimizu conta apenas três à frente de uma sala de aula — o suficiente para se sagrar como Professora Nota 1.000, na primeira edição do prêmio criado pelo Governo de São Paulo para reconhecer professores que fazem a diferença na rede estadual. Nos dezoito anos anteriores à sua chegada à Escola Estadual Márcia Helena Barbosa Lino, em São José dos Campos, ela manteve o diploma na gaveta, com medo de encarar uma turma de alunos. A fobia foi superada quando ela passou a dar aulas em uma classe vinculada ao Programa de Educação nas Prisões (PEP), depois de um forte estímulo da família.

“Eu sempre quis ser professora, desde criança, inspirada por uma docente da sexta série. Entrei na faculdade, me formei, mas depois bateu o medo”, conta Daniela, que dá aula de matemática para a 1ª e a 3ª séries do Ensino Médio. “Pisar no Centro de Ressocialização Feminino, no primeiro momento, foi desafiador, por estar em um lugar onde acreditava que quase ninguém iria querer entrar. Depois, eu me apaixonei pelo projeto da instituição, e esse foi o primeiro passo para lecionar em várias escolas, até a atual”.

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Atualmente, a rede estadual de ensino tem 5.852 professores que lecionam para pessoas privadas de liberdade. O Programa de Educação nas Prisões estabelece a oferta de educação básica nos estabelecimentos penais, e também em unidades psiquiátricas paulistas.

Sua experiência com estudantes de diferentes perfis e idades a levou a apostar em dois caminhos para ensinar matemática: a relação de proximidade com os alunos e a abordagem prática da matéria.

Para ela, o importante é diminuir a resistência à matemática. “Em três anos, eu já tive vários alunos que odiavam matemática. No final se tornaram excelentes alunos, porque gostavam de mim”.

Ela também adapta suas aulas de acordo com os ambientes. “Eu levo a aula para o concreto. Com meus alunos do Ensino Médio, por exemplo, quando vamos fazer um piquenique ao ar livre, já relaciono uma árvore ao Teorema de Pitágoras, por exemplo, pela geometria”, diz. “Também invisto em videoaulas e acho importante os alunos terem contato com a disciplina pela voz de diferentes professores. Isso amplia a compreensão.”

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Professor Nota 1.000

Medalhas do Professor Nota 1.000 – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Mil professores da rede estadual de ensino foram homenageados na segunda-feira 5, no 1º Prêmio Professor Nota 1.000, criado neste ano pelo Governo de São Paulo para reconhecer os professores das escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) a partir do desempenho de seus estudantes e da frequência em sala de aula. Essa é a etapa final do Prêmio Professor Nota 10, com 25 mil docentes celebrados em todas as regiões do estado.

A professora Daniela é um dos 14 profissionais da região de São José dos Campos homenageados no evento.

Para chegar aos professores premiados, a Educação considerou as maiores pontuações na análise de critérios como frequência em sala de aula, avaliação de desempenho e notas dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), exame aplicado todos os anos pela Educação de SP para medir a qualidade do ensino básico. Dos 25 mil docentes reconhecidos no Professor Nota 10, os mil que mais bem pontuaram foram selecionados para o Professor Nota 1.000 e receberam uma medalha das mãos de Feder, no evento.

As medalhas de Professor Nota 1.000 foram entregues no início da manhã. Em nível regional, as Unidades Regionais de Ensino têm promovido celebrações para festejar seus Professores Nota 10 com a entrega de troféus.

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Com informações da Agência São Paulo

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