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Início - Mundo - “Uma Jornada pela Esperança”

“Uma Jornada pela Esperança”

RedacaoBy Redacaooutubro 8, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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Quando pisei pela primeira vez na Amazônia, fiquei impressionada com sua imensidão — mas não apenas com a vastidão natural que geralmente reconhecemos. O que realmente me marcou foi perceber que a Amazônia é um intrincado e aparentemente infinito mosaico de vida, cultura e desafios. É lar de mais de 29 milhões de pessoas, a maioria vivendo em grandes cidades, e se encontra na encruzilhada entre a preservação ambiental e o desenvolvimento inclusivo.

Trata-se, naturalmente, de uma prioridade para as Nações Unidas no país e o foco de um fundo fiduciário multiparceiros criado especificamente para impulsionar soluções econômicas inclusivas e ambientalmente inteligentes. Recentemente, tive o privilégio de visitar os três primeiros projetos financiados pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O que vi ali vai além de programas — é a esperança transformadora em movimento.

As quebradeiras de coco babaçu sempre trabalham em grupos e mantêm a tradição local de utilizar de forma sustentável os recursos naturais para gerar renda para suas famílias
© ONU Brazsil/Silvia Rucks

As quebradeiras de coco babaçu sempre trabalham em grupos e mantêm a tradição local de utilizar de forma sustentável os recursos naturais para gerar renda para suas famílias

Trabalho conjunto

No coração da Bacia Amazônica, uma poderosa colaboração liderada pelo Unicef, e implementada em conjunto com Unfpa, Acnur, Unesco, OIT, Opas/OMS e OIM, abre caminho para crianças, adolescentes e jovens indígenas. Ainda que o programa esteja em suas fases iniciais, ver os esforços se desenrolando em oito dos nove estados da Amazônia Legal, guiados por uma abordagem verdadeiramente intercultural e sensível a gênero, é profundamente inspirador.

No Acre, conheci parceiros locais que estão cocriando um futuro resiliente por meio da bioeconomia, da governança da terra e da conservação ambiental. O projeto, liderado pelo governo estadual juntamente com a Unesco, acontece em duas áreas protegidas onde artesãos estão transformando produtos florestais em bens de maior valor agregado, construindo caminhos sustentáveis para transformar a economia local. Visitei um viveiro que produz milhares de mudas de 50 espécies de árvores, que mais tarde serão usadas para restaurar áreas degradadas, combinando tecnologia de ponta com o compromisso e o conhecimento das comunidades locais.

Em Rosário, no Maranhão, participei do lançamento do “Terras para Elas”, um projeto implementado pelo governo estadual e pela FAO. Para agricultoras — especialmente quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu e membros da comunidade Lgbtiq+ — essa iniciativa abre portas: 2,5 mil títulos de terra, capacitação sustentável para 5.000 mulheres e acesso a crédito para 1,25 mil. Vi mulheres empoderadas reivindicando seus direitos e moldando meios de vida sustentáveis para suas famílias e comunidades.

Silvia Rucks, coordenadora residente das Nações Unidas no Brasil, já esteve no estúdio da ONU News, em Nova Iorque

Silvia Rucks, coordenadora residente das Nações Unidas no Brasil, já esteve no estúdio da ONU News, em Nova Iorque

Também ouvi um dos depoimentos mais comoventes da minha longa carreira na ONU. Uma mulher me contou que a luta de sua comunidade pelo título da terra ancestral começou com sua avó. Sua mãe seguiu a batalha e agora, finalmente, sua geração verá o reconhecimento do direito de possuir sua terra e usá-la para garantir os meios de vida e o futuro de suas famílias.

Essas visitas ressaltaram uma mensagem vital: soluções enraizadas nas comunidades produzem resiliência. 

Os muitos desafios que a Amazônia enfrenta, como o desmatamento, a insegurança fundiária e a exclusão social, são palpáveis. Mas o Fundo Brasil–ONU nos mostra que é possível catalisar mudanças quando as iniciativas são cocriadas, lideradas localmente e guiadas pela equidade.

Olhando para o Futuro: Uma Visão Compartilhada de Resiliência Sustentável

Ao caminhar por esses territórios, o impacto humano era inegável: mulheres recuperando direitos à terra, crianças valorizando suas culturas, comunidades conservando ecossistemas com orgulho. Tudo isso está sendo construído com uma única contribuição ao Fundo, feita de forma extremamente generosa pelo governo do Canadá.

Sou muito otimista, e sei que, juntos, podemos ampliar os impactos, fortalecer a governança inclusiva, aumentar a resiliência climática e garantir que a Amazônia continue sendo uma fonte de vida para as próximas gerações.

Mas há espaço para ampliar, replicar e fortalecer o que já está funcionando. Se uma doação nos levou até aqui, não posso deixar de me perguntar o que poderíamos alcançar se outros se juntassem a nós. O Fundo, respaldado por uma coordenação robusta da ONU e alinhado com as políticas nacionais, prova que o multilateralismo e a colaboração intersetorial podem gerar mudanças significativas.

Aos governos e às empresas privadas: este é o seu momento. O Fundo oferece uma porta de entrada para empoderar populações vulneráveis e gerar mudanças reais. À medida que nos preparamos para as negociações climáticas da COP30 — a primeira a ser realizada na Amazônia — esta é uma oportunidade de mostrar compromisso.

* Silvia Rucks é coordenadora residente da ONU no Brasil. 

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Com informações da ONU

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