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Início - Mundo - Autoestradas Invisíveis: a rede de cabos submarinos que sustenta a conectividade global

Autoestradas Invisíveis: a rede de cabos submarinos que sustenta a conectividade global

RedacaoBy Redacaojaneiro 31, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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Todos os dias, milhões de pessoas enviam e-mails, participam em videochamadas, utilizam serviços de streaming e realizam transações bancárias. A troca de dados tornou-se parte do quotidiano, no entanto, raramente se pensa na complexa rede global de cabos submarinos que liga silenciosamente o mundo.

Segundo o secretário-geral adjunto da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Tomas Lamanauskas, os cabos submarinos tornaram-se uma base sólida para a conectividade digital, com cerca de 99% do tráfego internacional da internet a passar por eles.

Verdadeiras autoestradas digitais

Os pontos de acesso visíveis, como redes móveis, satélites e internet fixa são conhecidas, mas a infraestrutura subjacente que os suporta é a vasta rede de cabos submarinos, “as autoestradas digitais”. Estas são constituídas por fios de fibra ótica colocadas a centenas de metros abaixo da superfície do oceano por navios de lançamento de cabos.

Lamanauskas sublinhou que, à medida que a dependência da conectividade digital continua a crescer, reforçar a resiliência destes cabos e desenvolver estratégias coletivas tornou-se cada vez mais importante. 

Um trabalhador com um colete de alta visibilidade e chapéu direciona a implantação de um grande cabo submarino de um navio em um porto de Porto, Portugal, durante a Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos de 2026.

Um operário coordena a instalação de um grande cabo submarino a partir de um navio no porto do Porto, Portugal, durante a Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos de 2026

Uma rede massiva para transmissão rápida de dados

A conexão global através de cabos de comunicação não é uma ideia nova. Em 1850, Inglaterra e França foram ligadas pela primeira vez por um cabo telegráfico submarino. Desde então, a tecnologia evoluiu de forma constante, dos serviços de telégrafo às redes telefónicas e, agora, à internet de alta velocidade transportada por cabos de fibra ótica. 

Em todo o mundo, existem mais de 500 cabos submarinos comerciais, ligando continentes, mercados e lares, que se estendem por cerca de 1,7 milhões de km.

Antes da instalação, o fundo do mar é cuidadosamente estudado para reduzir riscos e impactos ambientais. De seguida, navios especializados desenrolam os cabos ao longo do leito oceânico.

Interrupções causadas por acidentes e desastres

Com os cabos submarinos a sustentarem a economia digital global, qualquer interrupção pode ter efeitos imediatos, afetando atividades económicas, serviços de emergência e tecnológicos, sistemas de segurança e o acesso à internet para milhões de pessoas em todo o mundo. 

Normalmente, ocorrem entre 150 e 200 incidentes com cabos por ano, uma média de três a quatro por semana. O representante da UIT recordou que “nos últimos anos, houve vários incidentes de grande visibilidade, do Mar Vermelho à África Ocidental e Oriental” 

As falhas na conectividade dos cabos podem resultar de terremotos, deslizamentos submarinos e erupções vulcânicas. No entanto, as estatísticas mostram que cerca de 80% dos incidentes são causados por atividade humana, desde âncoras de navios a redes de pesca que danificam os cabos.

Lamanauskas citou o exemplo de Tonga, que sofreu três grandes interrupções desde 2019, causadas por um terramoto, erupções vulcânicas e ancoragem inadequada. 

Ele afirmou que “cada momento conta”, dando como exemplo hipotético um  impacto para os operadores da bolsa em Nova Iorque se ocorrer um atraso de apenas um milissegundo devido à congestão dos cabos ou a um incidente no fundo do mar. 

Prontidão para reparar as autoestradas invisíveis

O especialista acrescentou que para além da abrasão e do desgaste natural, “uma parte da infraestrutura de cabos instalada por volta do ano 2000 está agora a atingir a maturidade, uma vez que foram concebidos para uma vida útil média de 25 anos”.

O secretário-geral adjunto explicou que, em caso de incidente, os engenheiros conseguem identificar rapidamente a área afetada e que “o trabalho de reparação em si nem sempre é a parte mais complicada”. Segundo ele, o que é muitas vezes mais complexo é garantir todas as licenças e autorizações necessárias, especialmente quando estão envolvidas jurisdições múltiplas ou sobrepostas.

Dependendo da localização e da dimensão dos danos, a mobilização de navios e os trabalhos de reparação podem demorar dias, semanas ou meses. Em muitos países, a falta de um ponto focal claro para gerir estes requisitos operacionais acrescenta dificuldades adicionais.

Participantes da Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos 2025, organizada pela UIT, sentados em uma grande sala de conferências com telas exibindo palestrantes.

Cúpula Internacional de Resiliência dos Cabos Submarinos 2025, Conferência da UIT

Um investimento dispendioso

Lamanauskas observou que a instalação de novos cabos é frequentemente um projeto que exige um período significativo de tempo. Ele disse que “há um planeamento extenso envolvido e, normalmente, também é dispendioso. Enquanto os cabos mais curtos custam milhões, os mais longos podem atingir centenas de milhões.”

O processo também depende de serviços especializados, como navios de lançamento de cabos. Da mesma forma, há poucos fornecedores dos próprios sistemas de cabos, pelo que, naturalmente, apenas um pequeno número de empresas pode oferecer estes serviços.

Papel da UIT

Enquanto agência da ONU para as tecnologias digitais, a UIT trabalha para reforçar a resiliência dos cabos submarinos globais através da colaboração, da definição de normas e da orientação técnica. As prioridades incluem o desenvolvimento de medidas de resiliência, a simplificação dos processos de manutenção e reparação e a adoção de práticas mais sustentáveis.

O alto responsável da UIT recordou que comparar a experiência de internet de há 10 a 20 anos com a de hoje revela uma transformação completa, impulsionada em grande parte pelo crescimento tecnológico.

Através do seu Órgão Consultivo Internacional sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos, a UIT reúne governos, atores da indústria e especialistas para desenvolver boas práticas, com foco na manutenção dos cabos, prevenção de danos, recuperação rápida e sustentabilidade, em parceria com o Comité Internacional de Proteção dos Cabos, Icpc.

Cimeira sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos 2026

Em 2025, na primeira Cimeira sobre Resiliência, em Abuja, Nigéria, os líderes reconheceram a importância de reforçar a cooperação para apoiar esta “infraestrutura digital global crítica”.

A Segunda Cimeira Internacional sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos terá lugar nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2026, no Porto, Portugal, e irá basear-se nas recomendações preparadas pelos Grupos de Trabalho do Órgão Consultivo.

Essas recomendações estão centradas na instalação e reparação de cabos, na identificação e mitigação de riscos, bem como na promoção da conectividade e da diversidade geográfica para reforçar a resiliência da rede.

Lamanauskas esclareceu que a UIT não é um organismo operacional e não repara cabos. Em vez disso, cria o ambiente facilitador adequado, encurtando os prazos de licenciamento, estabelecendo pontos de contacto claros, sensibilizando para prevenir danos acidentais e facilitando reparações mais rápidas.

À medida que a procura por conectividade e dados aumenta a uma velocidade sem precedentes, estes esforços desempenharão um papel fundamental no reforço das bases para um progresso partilhado e na definição do futuro do panorama digital global.

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Com informações da ONU

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