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Início - Mundo - OMS aponta 2025 como ano de conquistas em período de intensos desafios

OMS aponta 2025 como ano de conquistas em período de intensos desafios

RedacaoBy Redacaofevereiro 4, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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O ano de 2025 foi um período de contrastes para a Organização Mundial da Saúde, OMS, marcado por intensos desafios, mas também avanços históricos para a saúde global.

Os principais destaques incluem a adoção do Acordo Pandêmico da OMS, a entrada em vigor do Regulamento Sanitário Internacional alterado, e a adoção de uma declaração política sobre doenças não transmissíveis e saúde mental.

Trabalho na promoção da saúde

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destaca ainda a colaboração com mais de 1,5 mil parceiros, através da qual foi possível alcançar mais de 32 milhões de pessoas em 2025.

Contudo, os cortes significativos ao financiamento, obrigaram a agência a reduzir o tamanho da força de trabalho, afetaram outras entidades internacionais e perturbaram os sistemas e serviços de saúde em muitos países.

Para responder aos cortes no financiamento, a OMS tem apoiado a manutenção dos serviços essenciais de saúde e a transição para a autossuficiência, com base nos recursos internos.

Para mobilizar estes recursos, foi lançada uma iniciativa de aumento dos preços reais do tabaco, álcool e bebidas açucaradas em pelo menos 50% até 2035, já imposta por alguns países.

A Convenção-Quadro da OMS para o Controlo do Tabaco celebrou o seu 20.º aniversário e a Aliança da OMS para a Ação Transformadora sobre o Clima e a Saúde expandiu-se para mais de 100 países.

Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus

Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus

Escassez de profissionais de saúde

Foi ainda aprovado um Roteiro Global atualizado sobre Poluição do Ar e Saúde, e, segundo dados do Programa Conjunto de Monitorização da OMS/Unicef, mais 1 bilhão de pessoas têm agora acesso a água potável do que há uma década, salvando cerca de 5 milhões de vidas.

O último Relatório de Monitorização Global da Cobertura Universal de Saúde mostra que 4,6 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a serviços de saúde essenciais. Até 2,1 bilhões de pessoas enfrentam dificuldades financeiras devido aos custos com a saúde.

Uma das principais razões é a falta de acesso a um profissional de saúde. O mundo enfrenta uma escassez de 11 milhões de profissionais de saúde até 2030, mais de metade dos quais é composta por enfermeiros.

Em resposta, no ano passado, a OMS apoiou países que enfrentavam uma escassez aguda de profissionais.

Um dos exemplos é a África do Sul que expandiu a força de trabalho na área da saúde em 28% nos últimos cinco anos. A Academia da OMS em Lyon oferece mais de 250 cursos gratuitos, contando com mais de 100 mil inscrições em 2025.

Acesso a medicamentos essenciais

A Lista de Medicamentos Essenciais foi também atualizada para incluir novos medicamentos para o cancro e GLP-1 para diabetes em pessoas com obesidade. Além disso, a Assembleia Mundial da Saúde adotou a Estratégia Global da OMS para a Medicina Tradicional.

No que diz respeito à resistência antimicrobiana, o Sistema Global de Vigilância da Resistência e Utilização de Antimicrobianos, Glass em inglês, revelou que uma em cada seis infeções bacterianas a nível mundial é agora resistente aos antibióticos, e a tendência é de aumento.

Eliminação global de doenças 

No que diz respeito à vacinação, países em torno do Lago Chade organizaram uma campanha conjunta de vacinação que abrangeu mais de 83 milhões de crianças. Em parceria com a OMS, mais de 600 mil crianças foram vacinadas em Gaza, controlando o primeiro surto de poliomielite em 25 anos.

Doenças tropicais negligenciadas foram também eliminadas em 2025. O tracoma foi eliminado em países como Egito, Mauritânia e Senegal, enquanto Guiné-Conacri e Quénia eliminaram a doença do sono. O Níger tornou-se o primeiro país africano a eliminar a oncocercose.

Timor-Leste foi ainda certificado pela OMS como livre da malária, o Brasil foi validado pela eliminação da transmissão vertical do HIV e a vacinação contra surtos de febre amarela foi promovida na Guiné-Bissau.

Uma vacina contra a poliomielite é administrada a uma criança em Gaza, em uma campanha apoiada pela OMS

Uma vacina contra a poliomielite é administrada a uma criança em Gaza, em uma campanha apoiada pela OMS

Colaboração direta com os países

A agência desenvolveu ainda orientações de resposta à emergência de financiamento na saúde, apoiando países como Moçambique.

Através do Fundo Pandêmico com o Banco Mundial, a OMS ajudou 70 países a reforçarem a vigilância, as redes laboratoriais, a capacidade da força de trabalho e a coordenação multissetorial na área da saúde.

Foram libertados US$ 29 milhões do Fundo de Contingência para Emergências da OMS para apoiar a resposta rápida a emergências em 30 países e através da Rede Global de Alerta e Resposta a Surto, foram coordenados 59 destacamentos para apoiar a resposta de emergência em 16 países.

Resposta a emergências humanitárias

Além da resposta a surtos, a agência também atendeu às necessidades de saúde de mais de 25 milhões de pessoas afetadas por emergências humanitárias em 33 países.

Em Gaza, foi organizado o transporte e envio de 938 camiões com suprimentos médicos de emergência essenciais e mais de 8.000 evacuações médicas foram apoiadas.

No Sudão, foram entregues quase 3.000 toneladas de suprimentos médicos e houve uma resposta a surtos de cólera, dengue e malária. Na Ucrânia, destacaram-se 17 equipas móveis, que prestaram mais de 18,5 mil consultas de saúde em mais de 140 locais.

Contudo, em 2025, a agência verificou mais de 1,3 mil ataques a cuidados de saúde em 19 países e territórios, causando quase 2 mil mortes e 1,2 mil feridos entre profissionais de saúde e pacientes.

Apelo e esperança no trabalho da agência

Ghebreyesus citou ainda o trabalho e o esforço da agência em tornar-se mais transparente e comunicativa sobre as mudanças implementadas, relembrando a mobilização de 85% dos recursos necessários para o orçamento de 2026-2027.

O responsável apelou ao contínuo apoio dos Estados-membros a fim de “garantir a estabilidade, a sustentabilidade e a independência a longo prazo da OMS”.

O chefe da agência apontou a não dependência de financiamento inflexível e imprevisível, e deixando esperança na remodelação do ecossistema global de saúde e no reforço da solidariedade.

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Com informações da ONU

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