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Início - Mundo - Unesco aponta conhecimento indígena como base para diálogo sobre educação e saúde

Unesco aponta conhecimento indígena como base para diálogo sobre educação e saúde

RedacaoBy Redacaofevereiro 7, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, destacou o papel do conhecimento indígena para reforçar políticas públicas no Alto Rio Negro, no noroeste do estado do Amazonas, Brasil. 

A ênfase na saúde, educação, proteção territorial e preservação da biodiversidade marcou os “Diálogos Fundo Brasil – ONU no Alto Rio Negro: Encontro de Saúde e Proteção de Povos Indígenas”. O evento aconteceu em agosto passado em São Gabriel da Cachoeira.

Anciãos como “bibliotecas vivas” do conhecimento ancestral

O evento reuniu líderes indígenas, especialistas tradicionais, representantes institucionais, agências da ONU e autoridades governamentais num espaço de diálogo e partilha de experiências.

Foi dado enfoque ao reconhecimento da ciência indígena como pilar essencial para ações de proteção e desenvolvimento sustentável na região.

Durante o encontro, a antropóloga e gestora do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, Carla Wisu, destacou a importância dos anciãos como guardiões do conhecimento tradicional. 

Ela destacou que pessoas da terceira idade são “bibliotecas vivas” e  “especialistas”, sublinhando que são eles que preservam teorias, conceitos e práticas essenciais para a vida e espiritualidade dos povos indígenas.

Membro da comunidade Cucura Manaus, no Território Indígena do Alto Rio Negro, e pertencente ao grupo étnico Desano, a especialista afirmou que a transmissão do conhecimento ancestral continua a base da existência do povo, sustentando a relação com a natureza e o equilíbrio comunitário. 

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Crianças brincam às margens do Rio Negro, um afluente do Rio Amazonas, no noroeste do Brasil

Reconhecimento da medicina indígena como política pública

Carla Wisu defendeu que políticas públicas devem reconhecer e valorizar a medicina indígena e os saberes tradicionais como sistemas de conhecimento essenciais para um cuidado comunitário integral. 

Com outros participantes e lideranças indígenas, a antropóloga enfatizou que este tipo de saber não pertence apenas ao passado, mas orienta práticas vivas e atuais necessárias para manter o equilíbrio no mundo atual.

Ao longo da sua trajetória, Carla Wisu tem defendido que a valorização da sabedoria indígena é fundamental. Ela contribui para a relação harmoniosa entre seres humanos e natureza, sobretudo num contexto de proteção da biodiversidade amazônica e preservação de modos de vida tradicionais.

Ciência indígena e preservação da biodiversidade amazônica

Mestranda em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas, Carla Wisu afirmou que os anciãos apontam rumos profundos para compreender a vida, o cosmos e as relações sustentando as matas e seus povos. 

Segundo explicou, esse conhecimento orienta práticas que vão desde cuidados com o corpo e a saúde até formas de convivência equilibrada com o território.

No encontro, Wisu afirmou que “a ciência indígena é a única que pode salvar o mundo” e considerou relevante o apoio de entidades não indígenas, por demonstrar que existe reconhecimento da importância desses saberes. 

A antropóloga também falou da crescente presença indígena em espaços de decisão, apontando que essas comunidades vêm ocupando mais instituições e reforçando a defesa de uma relação de respeito com a natureza.

Para ela, a floresta deve ser entendida como extensão do corpo humano, o qual acredita que pode morrer, reforçando a ligação direta entre sobrevivência humana e preservação ambiental.

Saúde indígena como equilíbrio territorial e espiritual

A representante indígena lembrou ainda que o conceito de saúde ultrapassa a ausência de doença e envolve dimensões comunitárias, territoriais e espirituais. 

Segundo Carla Wisu, para os povos indígenas, saúde significa viver em harmonia com o território e manter contacto direto com a natureza, por meio de atividades tradicionais. Os exemplos são banhar-se no rio, remar canoas, cultivar roças e transmitir conhecimentos entre gerações.

A abordagem apresentada reforçou a visão de bem-estar indígena como um equilíbrio entre corpo, espírito, território e coletividade.

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Em 2021 o Imazon ajudou a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco

Projeto reforça proteção de crianças e jovens indígenas

O encontro em São Gabriel da Cachoeira marcou também o início das atividades do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira”.

A iniciativa tem como foco a governança territorial, a bioeconomia e a proteção de crianças e adolescentes indígenas.

O projeto envolve a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, o Funda de População da ONU, Unfpa, Agência da ONU para os Refugiados, a Organizaçã Internacional do Trabalho, OIT, e a Organização Internacional para as Migrações.

A coordenação local contou com o apoio da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, Foirn, bem como com autoridades nacionais, estaduais, locais e organizações indígenas.

Apoio internacional e financiamento do Fundo Brasil–ONU

A atividade foi financiada pelo Fundo Brasil – ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e os governos brasileiro e canadense.

Para a Unesco, as ações abaordadas estão alinhadas com as Reservas da Biosfera reconhecidas pela agência, reforçando a integração entre proteção ambiental, direitos indígenas e desenvolvimento sustentável na região amazônica.

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Com informações da ONU

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