No entanto, as consequências da crise energética são altamente desiguais entre as economias mundiais, indica o relatório Situação e Perspetivas Econômicas Mundiais de 2026. A nova análise foi publicada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Desa.
Economias em desenvolvimento sob pressão
O conflito no Oriente Médio veio intensificar as pressões nas economias em desenvolvimento num momento particularmente crítico, sublinha o subsecretário-geral do Desa, Li Junhua.
Conflito no Oriente Médio ameaça reverter progressos no desenvolvimento global
O relatório ilustra efeitos graves da crise na Ásia Ocidental, onde se prevê uma queda do crescimento de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026. O desempenho será impulsionado por interrupções na produção de petróleo, no comércio e no turismo.
Em África, o crescimento médio deverá abrandar ligeiramente, de 4,2% em 2025 para 3,9% em 2026. Já as economias da América Latina e Caribe seguem em trajetória de baixo crescimento, antevendo-se uma desaceleração de 2,5% em 2025 para 2,3% em 2026.
Aumento assimétrico da inflação
O subsecretário-geral adverte que “o aumento dos custos de financiamento e a renovação das pressões sobre os fluxos de capital podem agravar vulnerabilidades da dívida e limitar os recursos disponíveis para o desenvolvimento sustentável” destas economias.
O relatório prevê um crescimento do PIB global na ordem dos 2,5% em 2026, menos 0,2 pontos percentuais face à projeção de janeiro e bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
Aumento das disparidades na acumulação de capital, competências e inovação contribui para um desempenho cada vez mais desigual entre as diversas regiões
O conflito também interrompeu a tendência global de desinflação em curso desde 2023. Nas economias desenvolvidas, prevê-se um aumento da inflação de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026. Já nas economias em desenvolvimento, este crescimento é mais acentuado, de 4,2% para 5,2%.
Economias desenvolvidas são mais resilientes
Apesar dos impactos assimétricos da crise, os mercados financeiros globais demonstraram-se resilientes, absorvendo os seus choques iniciais “de forma ordeira”, conclui o relatório.
Os mercados de trabalho fortes, a procura estável dos consumidores e a atividade econômica impulsionada pela inteligência artificial deverão apoiar as economias mais resilientes no curto prazo.
O relatório antecipa alta econômica dos Estados Unidos em 2% em 2026, orientada por uma procura interna sólida e investimento nas novas tecnologias. Na China, prevê-se uma ligeira baixa de 5% em 2025 para 4,6% em 2026, amortecida pelas reservas e pelas políticas públicas de apoio.
Por sua vez, o crescimento da União Europeia deverá abrandar de 1,5% em 2025 para 1,1% em 2026, um reflexo da dependência de energia importada entre os seus 27 Estados-membros.
Crise ameaça desenvolvimento coletivo
O conflito no Oriente Médio ameaça reverter progressos no desenvolvimento global e travar ainda mais a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas.
Já o aumento das disparidades na acumulação de capital, competências e inovação contribui para um desempenho cada vez mais desigual entre as diversas regiões do mundo, destaca o Desa.
Para a superação destes desafios, o departamento reitera a necessidade de uma ação coordenada e sustentável. Esta atuação deve incluir a garantia do livre comércio, a expansão do financiamento concessional e o apoio à transformação estrutural das economias menos desenvolvidas.
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Com informações da ONU




