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Início - Mundo - Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

RedacaoBy Redacaomaio 30, 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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No ano passado, quase 10 mil casos de violência sexual relacionada a conflitos foram documentados pelas Nações Unidas. O número representa mais do que o dobro de casos notificados no mesmo período de 2024. Os dados constam de um relatório do secretário-geral da ONU, divulgado neste 29 de maio.

A publicação documenta o recurso à violação, à escravidão sexual e ao casamento forçado, bem como ao tráfico e aos raptos em 21 países afetados por conflitos em África, no Oriente Médio, na Europa e no Caribe. 

Agravamento da violência sexual 

A representante especial do secretário-geral sobre Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, afirmou que os números refletem uma tendência global de agravamento da violência sexual em contextos de guerra, “marcados por extrema brutalidade e visando esmagadoramente mulheres e meninas”. 

O relatório confirmou 9.788 casos de violência sexual relacionada com conflitos durante 2025. No entanto, a representante da ONU enfatizou que este número não reflete a realidade brutal. 

“Os números contidos neste relatório devem ser entendidos não como o quadro completo, mas como um indicador de um padrão muito mais amplo de violações que permanecem em grande parte invisíveis e subnotificadas”, afirmou.

© Unicef/Tess Ingram
A violência sexual relacionada a conflitos continua a ser usada como arma de guerra

Civis como alvo 

Apesar de as mulheres e meninas continuarem a ser os principais alvos da violência sexual, homens e meninos também foram submetidos a abusos sexuais como forma de tortura.  

Por sua vez, as pessoas Lgbtqi+ enfrentaram um risco acrescido de perseguição e assédio direcionado.

Segundo os dados, as vítimas tinham idades entre um e 70 anos, registando-se também casos envolvendo pessoas com deficiência.

A violência foi frequentemente acompanhada por abusos físicos extremos, incluindo homicídios após violação e casos de suicídio entre sobreviventes, sublinha Pramila Patten. 

Áreas ricas em recursos naturais 

O relatório refere que grupos armados não-estatais continuaram a usar a violência sexual para exercer controlo sobre comunidades e territórios, incluindo áreas ricas em recursos naturais.

Perante a documentação de padrões contínuos de violência sexual, as forças armadas e de segurança da Rússia e as forças armadas e de segurança de Israel foram incluídas pela primeira vez na publicação anual.

A ampla disponibilidade de armas ligeiras continuou também a alimentar a violência sexual em múltiplos conflitos, segundo as conclusões.

Ao mesmo tempo, as restrições ao acesso humanitário, a insegurança e a falta de financiamento dificultaram a documentação dos abusos e o apoio aos sobreviventes.

UN Photo/Loey Felipe
Pramila Patten, representante sobre violência sexual em conflito

Apelo à ação 

O relatório insta o Conselho de Segurança e os respetivos Estados-Membros a reforçar a prevenção, a responsabilização e o apoio aos sobreviventes de violência sexual.

As recomendações incluem garantir o acesso humanitário, a expansão do mecanismo de monitorização e sanções, o reforço da proteção das mulheres nas missões da ONU e o aumento do financiamento para serviços médicos, psicossociais e jurídicos.

source
Com informações da ONU

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