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Início - São Paulo - Capital - Mudanças nas regras de fiscalização da perturbação do sossego são debatidas em audiência pública da CCJ

Mudanças nas regras de fiscalização da perturbação do sossego são debatidas em audiência pública da CCJ

RedacaoBy Redacaojunho 3, 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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Nesta terça-feira (02/06), a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa) da Câmara Municipal de São Paulo realizou uma audiência pública para discutir o PL (Projeto de Lei) 403/2026, de autoria do Executivo.

O texto propõe alterações nas regras de fiscalização da perturbação do sossego e do controle de ruídos na capital paulista, por meio da alteração da Lei nº 16.402/2016, conhecida como Lei de Zoneamento. A proposta também altera a Lei nº 15.031/2009, sobre dispensa da licença de funcionamento o exercício das atividades não residenciais para MEI (Microempreendedor Individual).

De acordo com a justificativa apresentada pela Prefeitura, o objetivo é “conferir maior clareza às normas, ampliar a eficiência operacional da fiscalização e promover maior proporcionalidade na aplicação das sanções”.

Entre os pontos previstos no texto estão o aperfeiçoamento do conjunto de penalidades previstas, com caráter orientador na primeira atuação fiscalizatória; a definição de parâmetros específicos para ruídos gerados por obras da construção civil; e a ampliação das normas de controle de ruído para situações envolvendo imóveis residenciais. O projeto também prevê hipóteses excepcionais relacionadas a instituições de ensino, em razão da natureza de serviço público essencial.

Participação popular

A audiência abriu espaço para munícipes se manifestarem sobre a proposta. Cristiane Camargo, representante do SindiEnergia (Sindicato da Indústria da Energia no Estado de São Paulo), destacou pontos que, segundo ela, devem ser aprimorados na matéria.

“O projeto adota o nível de critérios de avaliação como referência de controle de ruído, mas não define como medir, na prática, pontos, metodologia e condições. Isso gera insegurança e dificulta saber quando a atividade está regular ou não. É essencial dar clareza técnica para garantir aplicação uniforme da regra”, pontuou.

O funcionário público Adriano Durães questionou a dispensa de licenças para os microempreendedores individuais: “Essa liberação de licenças do MEI está sem nenhuma regulamentação. Se a pessoa tem um rendimento de até 80 mil reais, ela pode ter um funcionário e está liberada, nesta situação, a ter uma adega, um bar na sua garagem. Nós já tivemos a CPI dos Pancadões aqui e ficou provado que tínhamos adegas que tinham receitas de até um milhão de reais e não declararam impostos, então é uma situação que não vai ajudar a Prefeitura em nada, só vai proliferar barulho.”

Luiz Guilherme Ferreira, presidente da Associação de Bares pela Democracia, questionou a forma como ocorrerão as fiscalizações das reclamações: “Eu acho que essa é uma lei que traz um certo equilíbrio, mas ela precisa falar sobre a forma como serão feitas as medições e colocar limites nisso. Eu posso morar em Curitiba e reclamar de um bar aqui na Consolação? É possível que isso seja dessa forma? Acredito que não. Nós temos o direito de trabalhar e as pessoas de ter o sossego delas.”

Por fim, o idealizador da Frente Cidadã de Despoluição Sonora, Marcelo Sando, defendeu que o combate à poluição sonora não pode se restringir à fiscalização, mas deve estar associado ao planejamento urbano e às políticas de licenciamento da cidade.

“Nós temos a questão da fiscalização, mas temos a necessidade de planejamento urbano. Não adianta nós estarmos hoje na cidade de São Paulo, com toda a estrutura que está se liberando uma série de eventos, de shows, via SMUL [Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento], que confere autorizações, alvarás, licenças e depois toda a responsabilidade fica para o PSIU e para a SMSUB [Secretaria Municipal das Subprefeituras] de resolver. Nós estamos com esse problema: muita liberação da possibilidade de atividades ruidosas e com muita pressão em cima do PSIU, na SMSUB. Então, uma das questões que precisamos lidar é entender o ruído urbano como uma questão ambiental”.

Poder Executivo

O secretário municipal das Subprefeituras, Fabricio Cobra Arbex, disse que o Poder Executivo irá analisar possíveis ajustes no texto. “Estamos trazendo para a lei uma dureza maior para estes estabelecimentos que vendem produtos sem nota, bebidas, fazem o uso de jogos ilegais e acabam com a perturbação de sossego pela aglomeração. A Subprefeitura vai fazer a fiscalização e impedir que essa pessoa reabra o estabelecimento de comércio ilegal. Estamos também à disposição para colocar algumas questões na lei. É importante também ouvir as associações porque são elas que criam empregos, geram a economia e é um dos pontos que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) coloca como diferencial da cidade”.

Donizete Luciano de Oliveira, inspetor superintendente da GCM (Guarda Civil Metropolitana), explicou que, com a sanção das mudanças previstas na proposta, o canal 153 (telefone oficial da Guarda Civil) começará a atender as demandas dos munícipes sobre perturbação de sossego, servindo como uma opção além do canal 156, o serviço oficial de atendimento ao cidadão e solicitação de serviços públicos.

“Nos anos anteriores, o canal 153 foi passado para o 156, então não é um policial municipal que está lá atendendo. Isso será retomado com as novas instalações do Smart Sampa, nossa central de telecomunicações que vai receber a partir de agora, questionamentos e ocorrências através do 153. Com previsão aí para o final de julho, atenderemos a população em condomínios, em locais residenciais, que é o que está proposto no Projeto de Lei”, afirmou o inspetor.

Vereadores

A presidente da CCJ, vereadora Sandra Santana (MDB), celebrou o debate e frisou que as questões técnicas devem ser analisadas para trazer mais clareza ao texto. “Acho muito importante a chegada deste Projeto de Lei aqui na Câmara Municipal, que vem tratando de assuntos que são tão delicados a sociedade. A perturbação do sossego afeta todas as classes sociais e algumas questões que foram apontadas são de extrema importância para que sejam objetos de um estudo maior”, disse a parlamentar.

Integrante da comissão, a vereadora Janaina Paschoal (PP) questionou sobre como serão realizadas as fiscalizações pela Prefeitura:  “Hoje não temos uma cidade extremamente barulhenta, e o que eu vejo de reclamações no meu gabinete, sinto que atendemos pouco a população sobre essas demandas. Minha pergunta é: se o governo está entendendo que esse projeto melhora o barulho na cidade, nós teremos fiscalização? A sensação que eu tenho hoje é que a população faz uma queixa e não recebe o resultado”.

Já o relator do projeto na CCJ, vereador Sansão Pereira (REPUBLICANOS), entende que o projeto é uma atualização da Lei nº 11.780/1995, que trata das obrigações do Poder Público municipal sobre o controle da poluição sonora no município de São Paulo.

“Essa lei está em vigor há 29 anos, e esse projeto moderniza que nenhum estabelecimento recebe multa sem antes ter orientação ou advertência na primeira infração, e as obras de construção civil passam a ter limites técnicos de ruídos por horário, que é um padrão internacional. Quem vai caracterizar os crimes é a Guarda Civil ou as autoridades policiais competentes”, afirmou Sansão.

Representando o gabinete do vereador Nabil Bonduki (PT), a assessora parlamentar Amanda Rosin defendeu que seja acrescentada no projeto a poluição causada por grandes eventos, além de obras e festas residenciais.

“Muitas das reclamações de poluição sonora também se tratam dos megaeventos em áreas públicas, privadas e arenas esportivas. Isso não é contemplado no projeto e é uma sinalização importante para a cidade, sobretudo diante dos ruídos que vêm sendo causados durante a madrugada”, disse Rosin.

O líder do governo, vereador Fabio Riva (MDB), informou que serão realizadas mais duas audiências públicas sobre o assunto antes da primeira votação, prevista para a próxima quarta-feira (10/06).

“O ruído na cidade é um desafio enorme e estamos tentando resolver pelo menos uma parte do problema. Comuniquei aos vereadores que entre a primeira e a segunda votação, serão realizadas mais duas audiências públicas. Acredito que é tempo suficiente para o Executivo analisar as propostas. É um projeto que queremos, de forma muito transparente, publicar antes da última audiência pública, o que entendemos de melhorias e modificações para o projeto”, disse o parlamentar.

Também participou do debate a vereadora Cris Monteiro (NOVO). A audiência pública na íntegra pode ser assistida na íntegra neste link.

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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

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