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Início - Mundo - Acnur enfatiza queda inédita de 3% no deslocamento forçado em uma década

Acnur enfatiza queda inédita de 3% no deslocamento forçado em uma década

RedacaoBy Redacaojunho 12, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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O deslocamento forçado caiu pela primeira vez em uma década, mas quase 118 milhões ainda é um número alarmante. O alerta é feito pelas Nações Unidas no relatório anual “Tendências Globais”, publicado nesta quinta-feira em Genebra. 

O estudo revela que 2025 fechou com 117,8 milhões de pessoas vivendo nessa situação, ou 3% abaixo do total global de pessoas forçadas a deixar suas casas no ano anterior devido a conflitos e perseguições.

Sinal de esperança

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, diz que apesar de ser um sinal de esperança, a crise humanitária global segue em níveis inaceitáveis. A queda foi estimulada pelo retorno às terras de origem e a obtenção de cidadanias.

© ONU Habitat / Balaji Rajkumar
Em 2025, 4,4 milhões de refugiados voltaram para seus países

Os novos dados abarcam o número cumulativo de refugiados, candidatos a asilo e deslocados internos em nível global no final de 2025. Destes, cerca de 41,6 milhões são refugiados, sendo que 40% deles são crianças.

No ano passado, estima-se que 5,4 milhões de pessoas cruzaram fronteiras internacionais em busca de refúgio. Destas, 70% vivem no exílio há cinco ou mais anos, a maioria retida em campos improvisados em nações de baixa e média renda.

Brasil na liderança na América Latina 

O levantamento cita ainda o Brasil como uma liderança humanitária fundamental na América Latina. É o único país de língua portuguesa que vem mencionado pelo Acnur como “integrante da linha da frente do acolhimento regional de refugiados”.

No território brasileiro estão abrigados atualmente cerca de 699 mil pessoas deslocadas, consolidando a posição do país como o terceiro maior anfitrião do continente. 

Além disso, o Brasil registou um crescimento expressivo de 11% no número de novos pedidos de asilo individuais, totalizando 75,6 mil solicitações, o que reflete “a confiança internacional nas políticas de acolhimento”. 

Alinhado com os esforços regionais de inclusão, o país foi ativo nas campanhas de registro civil e concessão de identidade legal. Essas ações garantiram a documentação de mais de 32,2 mil nascidos, assegurando direitos básicos e dignidade aos novos cidadãos.

Novas e antigas guerras

Mesmo com o declínio global, novas e velhas guerras continuam a arrasar populações civis de forma desigual, segundo a publicação do Acnur. 

No caso do Sudão, a atual guerra civil causou o maior deslocamento interno global ao forçar 9,1 milhões de pessoas a fugir de suas casas. Países como Colômbia, Síria, Iêmen e Afeganistão integram as nações com as maiores populações deslocadas.

© Unocha
Cidade de Marib. A Secretária-Geral Adjunta para Assuntos Humanitários (Joyce Msuya) sentada com uma aluna da Escola Al Naser dentro de uma tenda durante sua visita ao Acampamento de Deslocados Internos de Al Sumya, em Marib, Iêmen, em 10 de outubro de 2022.

Em relação ao acolhimento, a Colômbia, a Alemanha e a Turquia lideram a lista, abrigando mais de 2 milhões de refugiados cada um. Nas projeções para 2026, a instabilidade contínua faz prever sinais de piora. 

Com a eclosão da guerra no Irã em fevereiro, um total de 3,2 milhões de pessoas se deslocaram até março no país do Oriente Médio. Além disso, até meados de maio, 1 milhão de pessoas foram deslocadas dentro do Líbano.

Retornos em níveis históricos e peso da apatridia

O Acnur realça ainda o dilema dos retornos em níveis históricos e o peso da população que continua sem nacionalidade, conhecida como apátrida.

Em 2025, 4,4 milhões de refugiados voltaram para seus países, sendo que 90% deles regressaram para Síria, Afeganistão e Sudão. Foi o segundo maior movimento de retorno em seis décadas. 

No entanto, a ONU alerta que muitos deles retornaram sob extrema pressão, sem infraestrutura básica ou dignidade.  

Já em relação aos apátridas, milhões de pessoas continuam sem nacionalidade reconhecida. Os rohingya de Myanmar formam o maior grupo. Em 2025, apenas 46 mil cidadãos desta minoria conseguiram adquirir uma cidadania. 

O relatório aponta uma queda drástica no número de refugiados reassentados de forma permanente em países terceiros. São menos de 188 mil. O apelo da ONU é para que os governos criem rotas legais e seguras de migração em nível global.

A meta do Acnur é, até 2035, baixar pela metade o número de refugiados dependentes de ajuda humanitária de longo prazo, “transformando a sobrevivência em autossuficiência e dignidade real”.

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Com informações da ONU

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