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Início - Mundo - Ceticismo, dúvida e medo dificultam combate ao ebola

Ceticismo, dúvida e medo dificultam combate ao ebola

RedacaoBy Redacaojunho 17, 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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O surto de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, acaba de completar um mês. Segundo as organizações humanitárias em campo, vencer a luta contra a doença exige conquistar a confiança da comunidade.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tarik Jasarevic, disse que progressos consideráveis ​​foram feitos na capacidade de testagem.

Expansão do diagnóstico

Ele afirmou que os exames de diagnóstico para o vírus Bundibugyo, responsável pelo surto, estão disponíveis em seis localidades do país: Bunia e Mongbwalu, na província de Ituri; Bukavu e Lwiro, em Kivu do Sul; Goma, em Kivu do Norte; além da capital, Kinshasa.

Outros quatro laboratórios foram ativados em Uganda, onde casos foram importados da RD Congo.

Jasarevic explicou que mesmo com este reforço da testagem ainda existem “pontos cegos” na busca por pessoas infectadas. 

Segundo o representante da OMS, pode haver cadeias de transmissão que não estão sendo detectadas, o que significa que “existem pessoas que correm o risco de infectar outras pessoas, e é preciso identificá-las”.

© OMS/Joël Lumbala
Um profissional de saúde examina um homem na entrada de uma instalação de saúde na Província de Ituri, República Democrática do Congo.

“Algumas pessoas ainda questionam se a doença é real”

Já o gerente de operações para o surto de ebola na Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, parceira da ONU, disse que, para conter a propagação, é necessário investir não apenas na resposta médica, mas também na construção de confiança, o que é demorado e difícil.

Falando de Bunia, o epicentro da crise, Bruno Michon, disse que “algumas pessoas ainda questionam se a doença é real” e acreditam que o surto pode ter sido “inventado” para atrair ajuda estrangeira.

Ele revelou que outras pessoas “veem os enterros seguros e dignos como um ataque à cultura e à tradição, em vez de uma medida para proteger famílias e comunidades”.

O especialista afirmou que o ceticismo, a dúvida e o temor estão dificultando a resposta, ressaltando que quando as pessoas estão com medo, podem não relatar os sintomas e evitar os centros de tratamento. 

Escutando as preocupações das comunidades

Existe ainda a vergonha de contar à família que pessoas estão doentes, já que o ebola carrega um estigma significativo. Por isso, muitas delas preferem ficar em casa quando têm febre.

Outro desafio é o fato de que as famílias tentam enterrar seus entes queridos de acordo com as práticas tradicionais, sem conhecer o nível de risco envolvido. 

O representante da Cruz Vermelha explicou que a confiança é conquistada por meio de medidas destinadas a apaziguar as preocupações da comunidade.

Elemento central

Após diálogos com a população, uma das adaptações foi começar a usar sacos para cadáveres com uma janela para que a família possa ver o rosto do falecido e iniciar o processo de luto, explicou Michon. 

Ele afirmou que sem confiança, não é possível detectar casos precocemente, nem garantir enterros seguros e dignos. 

Para o profissional humanitário, a confiança não é uma atividade secundária na resposta ao ebola, e sim um elemento central.

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Com informações da ONU

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