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Início - Mundo - Cientista afirma que planejamento espacial marinho é chave para países lusófonos

Cientista afirma que planejamento espacial marinho é chave para países lusófonos

RedacaoBy Redacaojunho 30, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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O desconhecimento sobre o fundo do mar é um dos entraves para criar mecanismos de exploração sustentável. Esta é a opinião do pesquisador marinho Ronaldo Christofoletti, da Universidade federal de São Paulo, Unifesp. 

Ele coordenou um dos capítulos da Terceira Avaliação Global dos Oceanos, WOA-3, divulgada pelas Nações Unidas no 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos. O esforço de pesquisa por trás do relatório envolveu 580 pesquisadores do mundo inteiro. 

De minerais a medicamentos

Nesta entrevista à ONU News, Christofoletti conta que a humanidade só conhece aproximadamente 25% do fundo do mar. Para ele, é preciso mais investimento em pesquisas no oceano profundo, destacando que elas podem contribuir em muitas áreas.

“O relatório traz um outro dado positivo importante, que é a quantidade de produtos biotecnológicos ou de novos remédios que podem vir do oceano e o que está sendo descoberto de novos fármacos que podem ser cura para muitas das doenças que nós temos e não sabemos a cura ainda. Mas nós podemos explorar isso de forma sustentável. Quando a gente vai mais profundo no oceano, todo mundo tem ouvido falar muito da questão dos minerais raros ali, aqueles minerais que são necessários para muitas das questões tecnológicas. O fundo do oceano pode ser uma fonte desses minerais, mas nós temos que conhecer e explorar de forma sustentável desde o início, para que a gente não faça o que a gente já errou em outros ecossistemas, principalmente terrestres, das florestas, que é retirar tudo e depois sofrer um impacto maior”.

Oportunidade para nações de língua portuguesa

O cientista Ronaldo Christofoletti ressalta que os países de língua portuguesa têm muito a se beneficiar de investimentos em planejamento espacial marinho, devido a suas imensas áreas costeiras e marítimas.  Todas as nações lusófonas têm saída para o mar.

“Vamos pegar nossos irmãos, todos os países que falam Língua portuguesa. Cabo Verde aqui do outro lado, ali na África, é uma ilha onde a maior parte é mar, a parte que a gente chama da Zona Econômica Exclusiva, que é aquilo que o país pode explorar e que é responsabilidade do país. Portugal tem, proporcionalmente, a maior área de Zona Econômica Exclusiva dentro da Europa. A gente tem Angola, Moçambique, a gente tem muitos das nossas regiões e o Brasil, com a nossa imensa costa, a gente tem que conhecer, planejar. É o planejamento espacial marinho, que está agora andando em muitas regiões, inclusive no Brasil. O relatório destaca essa importância de planejar o uso desse fundo do mar”.

Para Christofoletti, a ciência deve ser considerada uma grande aliada na criação de modelos sustentáveis de exploração, que possam beneficiar a todos. 

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Mais atenção voltada pra Lua do que pros mares

Falando a bordo de uma embarcação no meio do Atlântico, onde participa de pesquisas em ambientes com mais 4 mil metros de profundidade, ele disse que essas áreas abrigam uma biodiversidade que ninguém conhece, mas ainda assim não atraem tanto interesse da sociedade.

“A gente conhece mais da superfície da Lua do que a gente conhece do fundo do mar. Nesse momento a gente vive um exemplo disso. Olha que passo importante nós tivemos há um mês, quando nós tivemos uma tripulação que foi até a lua e descobriu um lado novo da lua. E como aquilo foi importante para a humanidade, nós temos que continuar investindo nisso. Gente, olha que curioso a comoção e atenção que a sociedade deu para descobrir o lado novo da Lua não é a mesma que ocorre para descobrir o fundo do mar”.

A Terceira Avaliação Global dos Oceanos revelou tendências preocupantes sobre a saúde dos mares, como aumento de 50% na taxa de elevação do nível das águas salgadas, aquecimento elevado, níveis recordes de derretimento do gelo e piora da poluição. 

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News.

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Com informações da ONU

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