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Início - Mundo - OMS pede ação urgente: novos casos de câncer devem quase dobrar até 2050

OMS pede ação urgente: novos casos de câncer devem quase dobrar até 2050

RedacaoBy Redacaojulho 10, 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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Milhões de pessoas enfrentam o impacto físico, emocional e financeiro do câncer, uma doença que tira mais de 26 mil vidas por dia, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS. 

Com uma estimativa de 20,6 milhões de novos casos e quase 10 milhões de óbitos por ano, o câncer continua sendo a segunda principal causa de morte no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares.

Avanços e desigualdades 

Reverter essa tendência exigirá uma mudança fundamental para uma abordagem centrada nas pessoas, que responda às necessidades de saúde e às experiências vividas pelas pessoas e comunidades afetadas. Sem uma ação urgente, o número anual de casos deverá chegar a quase 35 milhões até 2050.

O Relatório Global sobre a Situação do Câncer 2026 da OMS, elaborado em conjunto com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, Iarc, apresenta uma análise abrangente dos avanços em áreas-chave, como compromisso político, prevenção do câncer — especialmente por meio do controle do tabaco e de programas de vacinação — e investimentos em tratamento.

No entanto, o relatório também revela desigualdades persistentes e crescentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados de suporte, deixando milhões de pessoas sem os serviços de que necessitam. 

© Unicef/Karel Prinsloo
Pacientes com câncer em quimioterapia em um hospital em Ruanda. O câncer do colo do útero é o segundo tipo de tumor mais comum em mulheres na África.

Mulheres de países com alta renda sobrevivem mais

A análise mostra que, enquanto 87% das mulheres com câncer de mama sobrevivem cinco anos após o diagnóstico em países de alta renda, apenas cerca de 42% conseguem o mesmo em países de baixa renda. Além disso, menos de um em cada três países inclui o tratamento do câncer em seus pacotes de cobertura universal de saúde.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, o câncer é uma doença profundamente pessoal que afeta praticamente a todos. Mas a sobrevivência de uma pessoa ao câncer nunca deveria depender do local onde nasceu ou de quanto ganha. 

Ele diz que as desigualdades mostradas no relatório não são inevitáveis, mas sim, consequência de escolhas e podem ser revertidas por meio de uma ação mais forte e coordenada.

A maioria das pessoas será afetada pelo câncer em algum momento da vida, seja por um diagnóstico próprio ou de um familiar próximo. Além do impacto sobre a saúde, o câncer continua sendo um dos desafios financeiros e sociais mais arrasadores que uma família pode enfrentar. 

Problemas financeiros e de saúde mental

A primeira pesquisa da OMS com pessoas afetadas pela doença revelou que pelo menos 45% enfrentam dificuldades financeiras, mais da metade relata problemas de saúde mental e quase todos os cuidadores relatam sobrecarga, incluindo trabalho não remunerado e isolamento social.

O relatório mostra que a carga do câncer varia significativamente entre as regiões. Em 2024, a Ásia concentrou a maior parcela dos casos e mortes, respondendo por 50,7% dos novos casos e 56,5% das mortes, refletindo sua grande população. 

A Europa apresentou uma carga desproporcionalmente elevada, representando 21% dos casos globais e 20% das mortes, apesar de abrigar apenas cerca de 9% da população mundial. Em contraste, muitos países da África e partes da Ásia registram menor incidência, mas mortalidade proporcionalmente mais elevada.

O câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no mundo. Entre os homens, os cânceres de pulmão, próstata e colorretal estão entre os mais frequentes. Entre as mulheres, os de mama, pulmão e colorretal representam uma parcela significativa da carga da doença.

Paho/Jane Dempster
Pesquisadoras de câncer na Colômbia

Fatores de risco que podem ser evitados

Quase quatro em cada dez casos de câncer no mundo estão relacionados a fatores de risco evitáveis, especialmente infecções como o papilomavírus humano (HPV), as hepatites B e C e a bactéria Helicobacter pylori, além do consumo de álcool, do tabagismo, do excesso de peso e da insuficiente prática de atividade física, destacando o papel fundamental da prevenção.

Segundo Elisabete Weiderpass, diretora da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, arc, embora estejamos observando reduções em algumas taxas de câncer em países que implementaram políticas de prevenção, o progresso tem sido lento demais. Ela diz que o perfil do câncer está mudando, impulsionado cada vez mais pelo aumento da obesidade, do sedentarismo, da alimentação inadequada e da poluição do ar. A prevenção da doença, de acordo com ela, deve continuar sendo uma prioridade política.”

Grandes avanços, mas lacunas persistem

O relatório destaca avanços importantes em áreas estratégicas. O consumo de tabaco caiu 27% desde 2010, contribuindo para a redução dos casos e mortes por câncer de pulmão em algumas regiões. Os cânceres relacionados a infecções também estão diminuindo graças à ampliação da cobertura vacinal, à melhoria da água, saneamento e higiene e ao fortalecimento das medidas de prevenção e controle de infecções.

O compromisso político também aumentou: 82% dos países já possuem planos nacionais de controle do câncer, ante 50% em 2010. Nos países de alta renda, programas de detecção precoce identificam a maioria dos casos de câncer de mama, e 74% das mulheres são submetidas ao rastreamento para câncer do colo do útero. 

Apesar desses avanços, eles ainda não estão se traduzindo em ações capazes de salvar vidas na velocidade necessária. 

Unsplash/NCI
O câncer é uma das principais causas de morte entre crianças e adolescentes em todo o mundo

Câncer infantil

Os medicamentos essenciais para o tratamento do câncer continuam inacessíveis para muitos: a disponibilidade dos 20 medicamentos prioritários varia entre 9% e 54% nos países de baixa e média-baixa renda, enquanto nos países de alta renda essa disponibilidade varia entre 68% e 94%. As consequências dessas desigualdades recaem principalmente sobre as pessoas com câncer e suas famílias.

Clarissa Schilstra, sobrevivente de câncer infantil e uma das responsáveis pela pesquisa da OMS, diz que o câncer não é apenas um diagnóstico médico — ele afeta profundamente e de forma duradoura todos os aspectos da vida da pessoa e também de sua família. Ela pede aos formuladores de políticas públicas que envolvam de forma significativa as pessoas afetadas pelo câncer. Segundo ela, ao compartilharmos nossas experiências, podemos contribuir para soluções mais justas e eficazes que protejam e promovam a vida e o bem-estar das futuras gerações. 

Rumo a uma agenda centrada nas pessoas

O relatório representa uma oportunidade importante para colocar as pessoas afetadas pelo câncer no centro das estratégias de controle da doença. Ele conclama governos, organizações internacionais, sociedade civil, instituições acadêmicas, setor privado e a própria OMS a trabalharem em conjunto para oferecer uma abordagem integral e centrada nas pessoas no cuidado de indivíduos e famílias afetados pelo câncer.

Para apoiar essa visão, o documento apresenta sete recomendações principais a serem implementadas em todos os países e comunidades. São elas: integrar o controle do câncer à cobertura universal de saúde e investir na formação e valorização dos profissionais para prevenir e controlar a doença. Colocar as pessoas com experiência vivida do câncer no centro dos sistemas de atenção, fortalecendo também a proteção social. Além disso, alinhar a pesquisa e a inovação às necessidades da saúde pública e garantir acesso equitativo aos avanços mais eficazes e de maior valor no cuidado ao câncer.

As escolhas feitas e as ações adotadas hoje definirão a carga do câncer que será enfrentada pelas futuras gerações. Ao adotar uma abordagem centrada nas pessoas, realizar investimentos estratégicos e sustentados e manter um compromisso firme com a equidade, os países poderão reduzir o impacto do câncer e melhorar os resultados para todos, em todos os lugares.

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra. 

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Com informações da ONU

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