De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, as tempestades de areia afetam cerca de 330 milhões de pessoas em todo o mundo desde a África Subsaariana ao norte da China e à Austrália.
Tempestades mais frequentes e intensas
O Pnuma afirma que o número de pessoas afetadas pelas tempestades pode subir. As alterações climáticas e a má gestão do território estão a retirar vegetação das zonas semiáridas, contribuindo para a desertificação e tempestades mais frequentes e intensas.
Segundo Doreen Robinson, chefe do ramo de Biodiversidade e Terras do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a restauração de paisagens degradadas e a redução das emissões de gases de efeito estufa podem diminuir a probabilidade de tempestades e melhorar a vida de dezenas de milhões de pessoas.
Atividades humanas como a desflorestação, o sobre pastoreio e o uso excessivo de água estão a expandir os desertos e a aumentar a probabilidade destas tempestades. As alterações climáticas amplificam estes fatores, com secas e temperaturas mais extremas e frequentes.
Uma tempestade de areia, conhecida localmente como haboob, se forma sobre um complexo da ONU no norte de Darfur, no Sudão.
Consequências para a economia e saúde
As tempestades de areia ocorrem quando ventos fortes encontram solo seco ou exposto, levantando grandes quantidades de areia e poeira para a atmosfera. Uma vez no ar, estas partículas podem ser transportadas por centenas ou até milhares de km.
As principais fontes destas poeiras minerais são regiões secas do Norte de África, da Península Arábica, da Ásia Central e da China. A Austrália, as Américas e a África do Sul contribuem em menor escala, mas ainda assim de forma relevante.
Estas tempestades podem provocar vários problemas respiratórios, como asma ou pneumonia, e transportar doenças infeciosas. As partículas mais finas podem penetrar ainda mais profundamente no organismo, atingindo a corrente sanguínea e afetando todos os órgãos do corpo humano.
Além dos efeitos na saúde, estas tempestades podem ter consequências desastrosas para a agricultura e a indústria, nomeadamente ao destruir colheitas, matar gado, danificar maquinaria e obrigar à suspensão de voos.
Alerta precoce pode salvar vidas
O Pnuma aconselha os países afetados por estas tempestades à adoção de uma utilização eficiente da água, à proteção de solos frágeis e ao aumento da cobertura vegetal, de modo a reter água no solo e reduzir a formação de poeira.
O departamento sublinha ainda que é essencial reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, uma vez que o aumento das temperaturas favorece secas e cria condições propícias a mais tempestades, nota o departamento.
A par da produção agrícola sem recorrer à desflorestação e ao sobre pastoreio, o Pnuma sublinha que os países podem investir em sistemas de alerta precoce para avisar populações vulneráveis, salvando vidas e reduzindo danos económicos.
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Com informações da ONU


