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Início - São Paulo - Saiba como o consumo paterno de ultraprocessados pode influenciar peso do bebê ao nascer

Saiba como o consumo paterno de ultraprocessados pode influenciar peso do bebê ao nascer

RedacaoBy Redacaoagosto 3, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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A dieta do pai pode influenciar a saúde e a composição corporal dos filhos antes mesmo do início da gestação. Foi o que mostrou um estudo realizado com 43 grupos de pais, mães e recém-nascidos atendidos na rede pública de saúde de Ribeirão Preto (SP). De acordo com a análise, quanto maior o consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais (homens), maior o peso ao nascer e maior o acúmulo de gordura na coxa e na região suprailíaca (popularmente conhecida como pneuzinho) do bebê. O alto peso ao nascer e a adiposidade elevada no início da vida são fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta.

“A alimentação e a saúde materna antes, durante e após o nascimento do bebê sempre receberam atenção, mas pouco se fala sobre o papel da alimentação paterna. Nosso estudo mostra que ela também importa muito para a saúde do bebê”, afirma Daniela Sartorelli, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) que coordenou o estudo, publicado na revista Nutrition Research.

O trabalho é o primeiro a demonstrar em humanos a associação entre a ingestão paterna de ultraprocessados e a composição corporal do recém-nascido. Os chamados ultraprocessados são formulações industriais feitas majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos e aditivos químicos sintéticos, com pouco ou nenhum alimento inteiro em sua composição, como salgadinhos de pacote, biscoitos recheados e refrigerantes, por exemplo.

A hipótese levantada pelas pesquisadoras é que o consumo de ultraprocessados impacte negativamente a formação dos espermatozoides, ou seja, em um processo anterior à concepção. “Dietas ricas em alimentos ultraprocessados podem gerar um ambiente pró-inflamatório no organismo, afetando a qualidade dos espermatozoides e modificando a expressão de genes que serão transmitidos ao bebê. Esse processo é conhecido como epigenética: por meio dele, os genes podem ter sua atividade ‘ativada’ ou ‘desativada’ de acordo com os hábitos alimentares do pai”, explica Mariana Rinaldi Carvalho, bolsista de doutorado da FAPESP e coautora do estudo.

Um dos genes citados no estudo é o IGF-II, responsável pelo crescimento fetal e expresso exclusivamente a partir da cópia herdada do pai. “Estudos anteriores já haviam demonstrado que hábitos alimentares paternos podem modificar bioquimicamente esse gene no esperma, num processo conhecido como metilação [ou a inclusão de uma molécula química, o grupo metil, na região promotora do gene], influenciando o desenvolvimento do feto”, diz a pesquisadora.

A pesquisa integra um projeto maior, apoiado pela FAPESP, que investiga como a alimentação de mães e pais influencia a saúde dos bebês.

De acordo com os resultados, enquanto o consumo paterno de ultraprocessados esteve associado ao maior peso dos filhos ao nascer, o impacto da dieta materna mostrou o efeito oposto. A ingestão desses alimentos pelas mães no início da gestação (até a 16ª semana) foi associada a menor peso, menor altura e menor circunferência da cabeça do bebê ao nascer.

“Acreditamos que o impacto do consumo materno de ultraprocessados no peso e medidas corporais do bebê ao nascer possa estar relacionado à formação da placenta, que depende de muitos nutrientes. E ultraprocessados são alimentos pobres em nutrientes”, avalia Carvalho.

Preditor de saúde

O peso do bebê ao nascer é considerado um preditor importante para a saúde não só na infância, mas em toda a vida adulta. Além do maior risco de morte, diversos estudos já demonstraram que bebês que nascem com baixo (ou alto) peso podem vir a desenvolver doenças não transmissíveis ao longo da vida, incluindo complicações cardiovasculares, diabetes do tipo 2 e alguns tipos de câncer.

“Embora o estudo não tenha encontrado aumento da adiposidade total, apenas o acúmulo de gordura em algumas regiões do corpo do bebê, os resultados sugerem que a qualidade da alimentação paterna também pode influenciar o desenvolvimento fetal. Isso é importante, pois, em média, os ultraprocessados representaram 30% da energia total consumida pelos pais que tiveram sua dieta analisada na pesquisa, com destaque para embutidos, bebidas açucaradas e biscoitos”, ressalta Sartorelli.

Em trabalho anterior, a mesma equipe de pesquisadoras havia observado que pais com excesso de peso tendiam a ter bebês com menor peso ao nascer. No entanto, ao analisar especificamente a qualidade da dieta, elas demonstraram que não é apenas o peso do pai que importa, mas também o que ele come.

“Com esses dois estudos mostramos que não se trata apenas de uma questão de o pai estar acima do peso ou não. A qualidade da dieta paterna antes da concepção tem grande influência na saúde do bebê”, diz Sartorelli.

Apesar de ser uma amostra pequena, com apenas 43 famílias, o estudo é pioneiro em investigar o impacto dos ultraprocessados no contexto da saúde paterna e neonatal. “Os resultados abrem caminho para pesquisas maiores e reforçam a necessidade de incluir os homens, e não apenas as mulheres, nas orientações de planejamento familiar”, afirma Sartorelli.

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Com informações da Agência São Paulo

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