A agência deixa de agir apenas após o impacto visível das catástrofes e aposta na ação antecipada, entregando apoio financeiro, infraestrutura e alertas precoces antes que a seca e as cheias atinjam o seu ponto crítico.
Choques climáticos e conflitos
Moçambique é um dos exemplos mais graves, onde mais de 1,19 milhão de pessoas enfrentam insegurança alimentar severa após choques climáticos e conflitos sucessivos. No ciclo atual, 81 mil pessoas já estão no nível de emergência.
A combinação de cheias, o impacto do ciclone Tropical Gezani e o calor prolongado, somados ao conflito no extremo norte do país africano de língua portuguesa, que já deslocou mais de 27 mil pessoas, elevou os preços dos alimentos e reduziu de forma drástica o poder de compra das famílias.
No Paquistão, a identificação prévia de zonas de risco prepara as populações para alternâncias brutais entre secas e inundações
No Sudão do Sul e na América Latina, as intervenções preventivas protegem colheitas, sustentam economias locais e preservam a dignidade de comunidades inteiras.
Casos extremos incluem Kapoeta North, no Sudão do Sul, onde o leito do rio Singaita se transformou numa extensa faixa de areia queimada pelo calor. Onde antes existiam campos verdes de sorgo e milho, hoje resta uma terra gretada e estéril.
Histórias de vulnerabilidade
Na região do Sahel, em países como o Chade, agro pastores como Oumar Mbodou lutam para manter os seus animais vivos. As histórias de vulnerabilidade incluem a da mãe Lokitoe Lokale, que, com quatro filhos, lida com a falta de comida a cada dia.
O seu drama reflete uma crise global que se multiplica por vários continentes, onde os impactos do El Niño, somados a tempestades e secas extremas, ameaçam a sobrevivência dos mais vulneráveis.
Ondas de calor e secas afetam diversas partes do mundo
A escala do desafio estende-se ao Corredor Seco da América Latina, com agricultores como Teresa Gómez, na Guatemala, e Federico Medina Bardales, em Honduras, a enfrentar a incerteza de estações de chuva imprevisíveis.
Nesse cenário de emergência, a operação das Nações Unidas prioriza a prevenção ativa.
Tecnologia e ação antecipada
Em vez de esperar que os estragos se consumem, a agência fornece transferências monetárias diretas, capacitação técnica, silos de armazenamento de grãos e sistemas de monitorização climática de alta precisão, como a ferramenta MapTool, em Madagáscar.
Como resultado dessa nova abordagem, o apoio financeiro distribuído no Sudão do Sul antes do agravamento da seca permitiu que milhares de famílias comprassem mantimentos essenciais e movimentassem o comércio local. No Paquistão, a identificação prévia de zonas de risco prepara as populações para alternâncias brutais entre secas e inundações.
Para o WFP, agir previamente não reduz apenas os custos financeiros da ajuda humanitária a longo prazo, mas representa, a principal linha de defesa para impedir que eventos climáticos extremos se tornem catástrofes humanas irreversíveis.
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Com informações da ONU


