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Início - Brasil - Israelenses vão às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder

Israelenses vão às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder

RedacaoBy Redacaooutubro 28, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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Cerca de 7 milhões de israelenses vão às urnas, nesta terça-feira (27), pela primeira vez desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Entre os favoritos para assumir o governo, estão três partidos liderados por candidatos considerados linhas-duras na área militar e de segurança, incluindo o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e dois representantes da oposição.

Nenhum dos três favoritos reconhece a possibilidade de criação de um Estado palestino e todos defendem a necessidade de desarmamento do Hamas. Por outro lado, há divergência entre eles sobre a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Como a votação é em cédula de papel, o resultado só deve ser conhecido no final desta quarta-feira (28).

Além de Netanyahu, que soma 19 anos no poder com o partido Likud, está entre os cotados para assumir o governo o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, ex-general Gadi Eisenkot, do partido Yashar (Íntegro), criado em 2025.

Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado após o 7 de outubro, mas deixou o governo Netanyahu com críticas à condução da operação militar na Faixa de Gaza. Eisenkot acusa Netanyahu de negligenciar o resgate dos reféns e de não adotar medidas para evitar o ataque, mesmo tendo sido alertado da ação do Hamas com antecedência. O primeiro-ministro nega as acusações.

A outra força política que pode destronar o atual primeiro-ministro é formada por uma coalizão de partidos liderada por Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad). O político tem perfil religioso e foi primeiro-ministro de Israel por um ano, de 2021 a 2022.

A professora de relações internacionais do Ibmec de São Paulo Karina Stange Calandrin explicou à Agência Brasil que os dois candidatos da oposição têm posição semelhante à de Netanyahu quando se trata de segurança e questão militar.

“Os três são de direita. Em termos de segurança, eles são bem parecidos. São partidos que a gente chama de falcões. Em Israel, os partidos são divididos entre falcões e pombas. Os falcões acreditam que se deve lidar com os inimigos de uma forma dura, que negociações e diplomacia não são o caminho para resolver os dilemas de Israel”, explicou.

Para o professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Gherman, apesar de os três terem esse perfil linha-dura, Netanyahu se diferencia por representar uma extrema-direita com projeto autoritário para Israel.

“As diferenças fundamentais têm a ver com a posição em relação à democracia representativa. O Netanyahu é a favor de uma reforma que tiraria a autonomia completa do Judiciário e concentraria o poder na mão do Executivo”, disse.

Questão palestina

Os três partidos favoritos a assumir o poder em Tel Aviv rejeitam a criação de um Estado palestino, como determina o direito internacional.

“Hoje, na sociedade israelense, o Estado palestino perdeu muito apoio desde o 7 de outubro. Qualquer candidato que tenha a bandeira do Estado palestino não vai ganhar muitos votos”, argumentou Karina Calandrin.

Por outro lado, a especialista em política israelense destaca que há diferença entre os candidatos em relação aos assentamentos na Cisjordânia, que vêm crescendo com o apoio de partidos de extrema-direita na coalizão liderada por Netanyahu.

“Os partidos de Ben-Gvir e Smotrich [ministros de Netanyahu] têm incentivado assentamentos na Área B da Cisjordânia, o que é proibido pela legislação israelense. Esse apoio tem alimentado a violência na Cisjordânia porque os colonos invadem as terras palestinas e expulsam as famílias com a vista grossa do governo Netanyahu”, lembrou Karina.

A professora de relações internacionais do Ibmec SP avalia que os adversários de Netanyahu devem frear essa política na Área B da Cisjordânia, o que deve contribuir para reduzir a violência nesses territórios.

“Outra mudança pode ser uma propensão maior a negociar com atores internacionais já que Netanyahu tem rejeitado negociar com Catar e Egito. Isso pode mudar”, acrescentou.

Enquanto ocorre a votação nesta terça-feira, a agência de notícias Wafa, da Cisjordânia, relata casos de ataques de colonos e de forças de segurança de Israel na Palestina ocupada.

O professor Michel Gherman, da UFRJ, destacou que, entre os candidatos da oposição, Bennet tem uma posição semelhante à de Netanyahu em relação aos palestinos, até por vir do mesmo partido Likud. Mas Gherman avalia que Eisenkot pode ter uma posição mais moderada.

“Netanyahu é a favor de um Estado beligerante completo. Eisenkot é a favor de acordos, não com os palestinos neste momento, mas com os países árabes ao redor”, comentou.

Formação de governo

Como o sistema de governo de Israel é o parlamentarismo, os partidos mais votados precisam formar maioria para criação do gabinete. O Legislativo do país, chamado de Knesset, tem 120 cadeiras. A depender do resultado da eleição, o vencedor deve procurar outras legendas para tentar formar uma coalizão capaz de governar o país.

A professora Karina Calandrin calcula que tanto o partido do militar Eisenkot quanto o do ex-primeiro-ministro Bennett devem precisar do apoio de legendas árabes para formar maioria.

“Todos eles já falaram que não vão fazer aliança com os árabes israelenses. Vai ser muito difícil formar a coalizão sem os árabes. A não ser que eles mudem de ideia e cedam pra tirar Netanyahu do poder. Minha previsão é que não vai ter coalizão”, avalia.

Para o especialista Michel Gherman, uma saída é os partidos árabes apoiarem a oposição para tirar Netanyahu do poder.

“Vai ter uma solução política em que os partidos árabes não vão apoiá-los, mas vão votar contra Netanyahu. E aí a formação vai ser uma coalizão de minoria”, disse.

Sete de outubro

Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1,2 mil pessoas, além de terem sido feitos cerca de 200 reféns, Israel lançou uma operação militar de grandes proporções em Gaza que levou à destruição de quase toda a infraestrutura civil do território, levando à morte de mais de 75 mil pessoas.

A operação em Gaza vem sendo apontada por países e especialistas como um genocídio. Ministros do governo Netanyahu têm defendido a emigração dos palestinos da região e a colonização israelense do território.

Nos últimos três anos, o país ainda se envolveu em guerras no Líbano, ataques na Síria e uma agressão contra o Irã em parceria com os Estados Unidos (EUA). Na Cisjordânia, a política de assentamentos ilegais ganhou novo impulso nos últimos anos.

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Com informações da Agência Brasil

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