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Início - São Paulo - Técnica da Unicamp com nanopartículas de carbono aumenta produtividade de culturas agrícolas

Técnica da Unicamp com nanopartículas de carbono aumenta produtividade de culturas agrícolas

RedacaoBy Redacaoagosto 8, 2025Nenhum comentário6 Mins Read
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A busca por soluções sustentáveis para o fortalecimento da produção agrícola motivou o desenvolvimento de uma nova tecnologia na Unicamp. A proposta é usar resíduos da cana-de-açúcar para produzir nanopartículas fluorescentes de carbono, conhecidas como carbon dots, que atuam como bioestimulantes naturais para o crescimento e a proteção de plantas diante das mudanças climáticas. Com menos de 10 nanômetros, essas nanopartículas brilham quando expostas à luz ultravioleta — presente, por exemplo, na luz solar —, o que contribui para aumentar a eficiência da fotossíntese nas plantas.

Desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM), da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e do Instituto de Química (IQ) da Universidade, a tecnologia utiliza um método de síntese assistida por micro-ondas para a produção dos carbon dots. A técnica torna o processo mais eficiente, com um menor consumo de energia e uma maior viabilidade para a produção em escala.

O pesquisador Marco César Prado Soares, doutor em engenharia mecânica pela Unicamp e um dos inventores, explica que os resíduos da cana-de-açúcar, como xarope e melaço, se mostraram ideais na qualidade de matéria-prima para o processo: “Aí há tudo de que precisamos: sais minerais que atuam como catalisadores, matéria nitrogenada em abundância e diversos grupos orgânicos”. Segundo Soares, o diferencial está em alinhar essas características naturais à técnica de micro-ondas.

“É preciso ajustar aquecimento, pressão, potência, tempo, além de outros cuidados essenciais para viabilizar uma síntese ágil, segura e escalável, com potencial de aplicação fora do laboratório. Com isso, transformamos resíduos da cana, que possivelmente seriam descartados, em material de alto valor agregado e com baixo custo”, ressalta o pesquisador.

Soares acrescenta que a aproximação com o tema se intensificou a partir de interações do professor Julio Bartoli, membro da FEQ e também inventor da tecnologia, com o grupo de pesquisa do professor Maurizio Prato, da Universidade de Trieste (Itália) — uma referência internacional na área. “O grupo tem um laboratório reconhecido globalmente, o Carbon Nanotechnology Group, e há inclusive reações com grafeno nomeadas em homenagem ao professor Prato. Essas trocas foram fundamentais para iniciarmos os estudos com os carbon dots e para o domínio da técnica de síntese por micro-ondas, que passamos a aplicar com precursores obtidos de fontes brasileiras, como os resíduos da cana-de-açúcar, resultando na patente dessa tecnologia”, afirma.

Além de Soares e Bartoli, participaram do desenvolvimento da tecnologia Catia Cristina Capelo Ornelas Megiatto, docente do IQ, Gabriel Perli, mestre e bacharel em química pela Unicamp, Diego Luan Bertuzzi, doutor em química pela Unicamp, e Eric Fujiwara e Carlos Kenichi Suzuki, ambos docentes da FEM.

Desafio Unicamp

Protegida por meio de um pedido de patente, a tecnologia foi licenciada para a PBF Nutrientes, criada após a participação de seus atuais sócios no Desafio Unicamp 2022, competição que estimula a formação de startups a partir de tecnologias desenvolvidas pela Universidade. O time, composto por Camila Waltero e Camila Didio, venceu na principal categoria da competição de empreendedorismo, uma competição organizada pela Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp). A partir dessa vitória, a equipe se consolidou como uma empresa e licenciou a tecnologia a fim de utilizá-la e testar novas soluções para o mercado, passando a ser considerada uma empresa spin-off acadêmica da Unicamp.

“O Desafio nos permitiu conhecer a tecnologia e nos deu base para estruturar nosso negócio. Detectamos que ela se encaixava bem em um problema que já vínhamos estudando. Aprofundamos as pesquisas, desenvolvemos o modelo de negócios e identificamos ali um potencial enorme para aplicação na agricultura”, conta Waltero.

Waltero destaca a trajetória do grupo: “Depois de vencer a competição, percebemos que tínhamos boas ideias e que faltava pouco para transformá-las em um negócio real. A patente da Unicamp é uma parte muito robusta da nossa empresa”.

A transferência da tecnologia contou com a intermediação da Inova Unicamp, responsável pela proteção da propriedade intelectual, a articulação entre pesquisadores e empresas e o suporte técnico e estratégico durante as negociações. Isso possibilitou a continuidade dos testes em campo, além do desenvolvimento de produtos voltados às demandas do setor.

“Hoje o produtor rural não pode mais produzir do mesmo jeito de antigamente. A pressão por aumentar a produtividade é enorme, com verões mais secos, geadas fortes, chuvas intensas, tudo ao mesmo tempo. É preciso buscar soluções que ajudem as plantas a resistirem a esses estresses”, afirma Didio.

Segundo a fundadora, os carbon dots absorvem a radiação ultravioleta e emitem luz em uma faixa muito próxima à da fotossíntese, o que contribui para proteger as plantas e favorece seu desenvolvimento mesmo diante de eventos climáticos extremos.

Atualmente, a PBF Nutrientes já conduz testes com culturas como soja, milho, cana, feijão e trigo, buscando mitigar impactos causados pelas mudanças climáticas. As perspectivas incluem a ampliação dos testes em novas culturas e ambientes.

O uso de nanopartículas exige atenção a aspectos de segurança humana, animal e ambiental, especialmente em aplicações voltadas à alimentação. Por isso, produtos com carbon dots devem ser submetidos a testes e registros junto a órgãos competentes, como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e, em alguns casos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Sabemos que, embora seja um produto natural, precisamos cumprir as exigências regulatórias para o uso agrícola. Além disso, estamos trabalhando na ampliação da escala porque, para chegar ao mercado, precisamos produzir em volumes que atendam áreas extensas de cultivo”, diz Waltero.

Sobre a Inova Unicamp 

A Inova Unicamp é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade e atende a todos os campi. A Agência de Inovação da Unicamp nasceu em 2003 com o objetivo de identificar oportunidades e promover atividades que estimulem a inovação e o empreendedorismo, ampliando o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico sustentado.

A agência apoia a comunidade na proteção da propriedade intelectual da Unicamp, na transferência de tecnologia e na consolidação de convênios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre a Universidade e o setor empresarial. A Inova também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), além de fomentar a comunicação e a cultura de empreendedorismo e inovação com programas de relacionamento institucional e programas de capacitação.

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Com informações da Agência São Paulo

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