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Início - São Paulo - Conheça as falsas-jararacas, espécies que imitam a serpente peçonhenta, mas são inofensivas

Conheça as falsas-jararacas, espécies que imitam a serpente peçonhenta, mas são inofensivas

RedacaoBy Redacaoagosto 10, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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A capacidade de imitar uma cobra peçonhenta para enganar predadores não é exclusividade das falsas-corais, que simulam o desenho em anéis e as cores vermelha e preta da perigosa coral-verdadeira. Outras mestres do disfarce são as falsas-jararacas, um grupo heterogêneo que reúne cerca de 30 espécies de cobras presentes em todo o Brasil. Como o nome já diz, elas se assemelham às serpentes do gênero Bothrops e Bothrocophias, conhecidas como jararacas e responsáveis por 78% dos acidentes ofídicos no país. Por esse motivo, podem despertar medo, mas são inofensivas para o ser humano.

As falsas-jararacas são cobras não peçonhentas e não agressivas, em sua maioria. Elas pertencem aos gêneros Dipsas, Thamnodynastes e Xenodon. As semelhanças com a jararaca estão no padrão de listras e nas cores, que variam entre cinza, verde, amarelo e marrom. Porém, em muitos casos, fatores como o tamanho do corpo e o formato da cabeça podem ajudar a diferenciá-las.

LEIA TAMBÉM: Sem pé e mão, como cobras sobem nas árvores? Instituto Butantan responde

A imitadora mais famosa é a boipeva (Xenodon neuwiedii), também chamada de cobra-chata. Ela tem esse nome por ter o costume de achatar o corpo quando se sente ameaçada, o que a faz parecer maior. Costuma se alimentar de sapos e pode ser encontrada em pastagens, plantações e, às vezes, em áreas urbanas. Além de desenhos semelhantes no corpo, a boipeva tem uma listra escura próxima aos olhos assim como a jararaca – quase como um “delineado”. Mas seu comprimento médio é de apenas 50 cm, enquanto a jararaca pode chegar a 1,5 metro.

Xenodon neuwiedii, ou boipeva, pode ser encontrada no Brasil, Argentina e Paraguai. Foto: Fabiano Andrade

As dormideiras, como a Dipsas bothropoides, também são frequentemente confundidas com jararacas por terem as mesmas cores e um desenho muito parecido no corpo. Mas são serpentes pequenas e dóceis, que não passam de 50 cm de tamanho, e levam esse nome por serem letárgicas e tranquilas. Inclusive, a dormideira com certeza terá mais medo de você, do que você dela: ela tem o costume de se fingir de morta se alguém se aproxima ou tenta segurá-la. As Dipsas podem ser encontradas em plantações e sua dieta principal são lesmas e caracóis.

A Dipsas bothropoides, popularmente chamada de dormideira, é uma cobra dócil que não oferece perigo. Foto: Konrad Mebert

Outra falsa-jararaca é a cobra-espada (Tomodon dorsatus), que também tem o costume de achatar o corpo. Diferente das outras imitadoras, ela é considerada agressiva e predadora. É uma espécie que possui veneno, mas sua picada não é grave para seres humanos e provoca somente sintomas locais, como dor e inchaço – enquanto a jararaca real pode causar sangramentos e problemas mais graves. A cobra-espada habita áreas abertas e matas e também gosta de se alimentar de lesmas.

A cobra-espada (Tomodon dorsatus) achata o corpo para parecer maior e mais ameaçadora. Foto: Otavio Marques

Vale lembrar que, independentemente de ser peçonhenta ou não peçonhenta, ser dócil ou ter um temperamento agressivo, o recomendado ao avistar uma cobra de qualquer espécie é se afastar e respeitar o espaço do animal. Caso ele seja encontrado em ambiente urbano, você pode informar as autoridades locais para ajudar a prevenir acidentes.

No Museu Biológico do Parque da Ciência Butantan, você pode ver de perto uma jararaca e uma de suas imitadoras, a cobra-espada.

A jararaca verdadeira é responsável por quase 80% dos acidentes com cobras no Brasil. Foto: Giuseppe Puorto

Por que essas semelhanças ocorrem na natureza?

Tanto as falsas-jararacas como as falsas-corais são animais que se aproveitam de uma característica evolutiva chamada de mimetismo. Esse é um recurso de defesa usado para enganar predadores e mantê-los afastados, imitando uma espécie mais perigosa.

As imitadoras podem ocorrer não só nos mesmos ambientes onde a sua “versão verdadeira” habita, mas também se distribuir por diferentes regiões geográficas e se beneficiar dessa condição, aumentando suas chances de sobrevivência.

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Com informações da Agência São Paulo

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