Auxílio-aluguel do Governo de SP transforma vida de mulheres vítimas de violência

O auxílio-aluguel é um recomeço para milhares de mulheres vítimas de violência doméstica no estado de São Paulo. Para Aurora* e Cícera*, o benefício trouxe, acima de tudo, liberdade para voltar a viver sem medo e em paz. O programa garante apoio financeiro para que a vítima não precise permanecer sob o mesmo teto que o agressor por falta de recursos. A iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) fortalece a rede de cuidado e atendimento especializado do movimento SP Por Todas com políticas públicas integradas para a proteção da mulher vítima de violência.

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“Eu sofria muito, quando cheguei aqui estava em depressão a ponto de desistir de tudo, era muita agressão, humilhação, passei até fome. Mas hoje me sinto outra pessoa”, diz Aurora*.

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Ela conta que voltou a sair na rua, a frequentar lugares que há muito tempo não ia e resgatou amigos dos quais havia se afastado. “Hoje eu vivo uma vida normal, não tenho mais medo.”

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Mãe de dois filhos, Aurora* afirma que o auxílio-aluguel ajudou ainda no pagamento do aluguel e das despesas de farmácia.

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O programa do Governo de São Paulo contribuiu ainda com o resgate da autoestima dela – ela já perdeu 30 kg após mudar de vida. “Antes eu pesava 98 kg, hoje eu peso 67 kg”, conta. 

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‘Não sou mais ameaçada’

Cícera* comemora sua mudança de vida com o Auxílio-Aluguel. “Antes eu não conseguia viver de tanta preocupação e agora com toda essa rede de apoio estou bem melhor fazendo acompanhamento com especialista para saúde mental”, afirma.

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Para ela, o Auxílio-Aluguel foi ainda um empurrão para mudar de vida porque ela conseguiu alugar uma nova casa, longe do agressor.

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“Agora eu vivo uma vida melhor porque não sou mais ameaçada. Antes eu não conseguia viver em paz. Na minha casa eu entro, fecho a porta e sou só eu e minha filhinha de 5 anos”, conta.

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Cícera conta que sua filha agora é outra criança. “Antes era rebelde, chorava, agora vai na escolinha, está feliz.”

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Seu próximo passo é conseguir se recolocar no mercado de trabalho: “Agora dá para arrumar um emprego, antes eu não tinha cabeça”.

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Cícera diz que perdeu o medo de denunciar o agressor graças ao incentivo dos atendentes da rede de apoio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e pretende continuar frequentando os grupos de apoio. 

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“A gente vê que muita gente passa por coisa parecida e fica calada. Então a gente compartilha nossas experiências e um ajuda o outro. Hoje eu vivo outra vida, ele não mexe mais comigo, não me aborda na rua, ando livre porque ele sabe que eu estou protegida”, diz.

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O que é o auxílio-aluguel

O auxílio-aluguel, no valor de R$ 500, é um benefício temporário voltado a mulheres em situação de violência doméstica, com o objetivo de garantir condições mínimas para que possam romper o ciclo de violência e reconstruir suas vidas. O benefício é pago por seis meses, com possibilidade de renovação por mais um período de igual duração.

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Requisitos e como pedir

Implantado em 2023 pelo Governo de São Paulo para atender mulheres vítimas de violência doméstica, o auxílio-aluguel já soma mais de 8,4 mil beneficiárias. Atualmente, o auxílio conta com a adesão de quase 600 municípios paulistas e se consolida como uma ferramenta essencial para proporcionar maior autonomia financeira para que as mulheres possam romper o ciclo de violência.

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Para acessar, é necessário:

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• Possuir medida protetiva de urgência expedida pela Justiça.

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• Residir no Estado de São Paulo.

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• Estar em situação de vulnerabilidade social.

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• Ter renda familiar, até o momento da separação, de até dois salários mínimos. O encaminhamento é feito pela rede socioassistencial de atendimento, que também acompanha cada caso.

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Onde solicitar:

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• O cadastramento é feito obrigatoriamente pela rede municipal de assistência social nos municípios participantes.

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• Procure um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) ou Centros de Referência de Atendimento à Mulher.

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• Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) também podem orientar.

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A interessada precisa apresentar:

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· RG (ou Carteira de Registro Nacional Migratório, no caso de mulheres migrantes)

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· CPF

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· Comprovante de residência atualizado

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· Cópia da medida protetiva concedida pela Justiça

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· Comprovantes de renda, se houver

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A comprovação de vulnerabilidade pode ser feita por relatório psicossocial do serviço de assistência social municipal ou inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).

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Processo de pagamento:

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• Após a solicitação na rede municipal e envio dos documentos comprobatórios, o pedido passa por análise e aprovação da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS).

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• Sendo aprovado, o valor é disponibilizado via Poupança Social no Banco do Brasil diretamente à beneficiária.

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• Mulheres com inscrição e documentos validados até o último dia útil de cada mês recebem o benefício no dia 10 do mês subsequente. (Exemplo: inscrições validadas em maio têm o primeiro pagamento liberado em 10 de junho).

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Valor, duração e prioridades

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O auxílio de R$ 500 mensais é depositado em conta poupança social do Banco do Brasil. O benefício tem duração de até seis meses e pode ser prorrogado uma única vez por igual período, mediante relatório técnico do serviço socioassistencial. O tempo é considerado hábil para que a vítima consiga estruturar um novo lar e se reconectar com outras políticas de assistência e empregabilidade.

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O benefício é suspenso se a medida protetiva for encerrada, se a mulher retornar ao convívio com o agressor, se deixar de cumprir os critérios de elegibilidade.

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*Nomes fictícios para preservar a identidade das entrevistadas.

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sourceCom informações da Agência São Paulo

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