Como falar com as crianças sobre guerra e conflitos? O Unicef explica

As imagens da guerra entram diariamente em casa através da televisão, das redes sociais, dos telemóveis e das conversas entre adultos. Para muitas crianças, o contacto com conflitos armados acontece antes mesmo de conseguirem compreender o que estão a ver. 

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Neste Dia Mundial da Criança, a ONU News foi tentar saber como falar com as crianças sobre o tema da guerra. 

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Para Francisca Magano, diretora de Programas e Políticas de Infância no Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o mais importante é que os adultos estejam disponíveis para conversar e, sobretudo, para ouvir.

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Ouvir antes de explicar

“É importante, enquanto sociedade, pais, mães e toda a comunidade estejam atentos a este tema e possam, no momento em que surgir a pergunta, poder saber o que responder”, afirma em entrevista à ONU News.

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O primeiro passo, defende Francisca Magano, não é explicar a guerra, mas perceber o que a criança já sabe e como se sente em relação ao assunto, recomendando só depois corrigir informações falsas ou esclarecer dúvidas.

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“Muitas vezes podemos achar que até viu mais do que na verdade viu ou está a sentir algo que, na verdade, depois quando partilha não é assim tão preocupante.”

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Conversas adaptadas à idade

Outro dos princípios fundamentais é adequar a linguagem à idade da criança e evitar excesso de detalhes. “Manter uma conversa calma, serena e adequada à idade.”

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Francisca Magano explica que crianças mais pequenas não precisam de descrições detalhadas e que mesmo as mais velhas necessitam de informação ajustada à sua capacidade de compreensão. 

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O objetivo não é esconder a realidade, mas garantir que ela pode ser compreendida sem provocar angústia desnecessária.

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Limitar a exposição às notícias

Em entrevista à ONU News, a especialista do Unicef Portugal alerta também para os riscos da exposição contínua a imagens violentas ou conteúdos considerados alarmistas, sobretudo nas redes sociais.

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“Poderá ser importante limitar o acesso à informação para não criar falsas ideias ou alimentar até a informação que não seja verdadeira.” 

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Francisca Magano recomenda especial atenção aos conteúdos televisivos ou digitais consumidos pelas crianças. “Se estiver a televisão ligada, mas crianças pequenas aparecerem, poderá não ser benéfico verem imagens muito cruéis, muito cruas da guerra.”

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Ainda assim, a especialista reconhece o papel essencial do jornalismo e dos meios de comunicação social na divulgação dos conflitos internacionais.

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“Precisamos muito das notícias e dos meios de comunicação social para que o que está a acontecer no Líbano não fique só no Líbano, o que está a acontecer em Gaza não fique só em Gaza.”

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O medo de que a guerra “chegue perto”

Entre os receios mais frequentes das crianças está a possibilidade de o conflito afetar diretamente a sua vida ou a sua família.

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“O medo disto de poder acontecer, dos seus pais serem chamados para a guerra, dos seus avós.”

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Nestes casos, a responsável do Unicef Portugal sublinha a importância de transmitir informação verdadeira e contextualizada. 

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“Para quem está em Portugal, é possível dizer que o conflito não está no nosso território, que está longe.”

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Momentos inesperados

Nem sempre é preciso preparar um momento formal para abordar o tema. Muitas vezes, diz Francisca Magano, as perguntas surgem de forma espontânea.

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“As conversas mais importantes com crianças e com adolescentes sobre temas difíceis acontecem nos momentos menos preparados: no carro, ou ouvir uma notícia na rádio, ou a jantar.”

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Nesses momentos, recomenda perguntas simples e abertas: “Como é que tu sentes? Ouviste aquilo? Alguma dúvida? Ouviste alguma coisa que te incomodou?”

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Falar de paz, empatia e solidariedade

Mais do que explicar a guerra, estas conversas podem ser uma oportunidade para reforçar valores de empatia, solidariedade e não violência.

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“Importa passarmos esta ideia de que há muita gente a ajudar, que há muita gente a fazer o bem.”

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A responsável sugere até pequenas iniciativas que ajudem as crianças a sentirem que podem ter um impacto positivo, mesmo a distância, como escrever cartas sobre a paz ou participar em atividades solidárias promovidas pelas escolas.

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O papel das escolas

As escolas também têm um papel central nesta conversa, não apenas na explicação dos acontecimentos, mas na promoção de uma cultura de paz.

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Francisca Magano defende que os professores podem usar a atualidade como ponto de partida para ouvir as dúvidas das crianças e promover reflexão crítica e empática.

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“Acima de tudo, que sejam locais onde se promove a paz. E a mensagem tem de ser sempre de uma cultura de cuidados, de atenção ao outro e uma cultura de paz e não violência.”

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O Unicef Portugal disponibiliza materiais para este e outros temas difíceis em escolas.unicef.pt. 

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*Sara de Melo Rocha é correspondente da ONU News em Lisboa.

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sourceCom informações da ONU

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