Dia Internacional do Mosquito mobiliza ciência e sociedade contra epidemias

Celebrado anualmente em 20 de agosto, a meta do Dia Mundial do Mosquito é conscientizar a população sobre as doenças transmitidas por esse inseto, considerado o mais letal de todos. 

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A data foi estabelecida em 1897 por iniciativa do médico britânico Sir Ronald Ross, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia pela descoberta do modo de transmissão da malária.

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Um desafio de saúde pública 

A chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do Instituto Oswaldo Cruz, IOC/Fiocruz, Rafaela Vieira Bruno, reconhece a necessidade de tratar os mosquitos como saúde pública.

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“É uma data que a gente precisa olhar para o mosquito como peça central da saúde pública, não só no Brasil, como no mundo inteiro. Das 20 doenças negligenciadas determinadas pela OMS, né, pela Organização Mundial da Saúde, quatro são transmitidas por mosquitos: dengue, zika, a febre amarela e a filariose linfática.Quando a gente pensa na variedade de mosquitos, de espécies de mosquitos que a gente tem, a gente consegue entender por que que eles são tão abundantes no planeta. A gente encontra mosquito desde as regiões temperadas até as regiões tropicais, onde eles são mais abundantes. As diversas espécies, elas têm adaptações que fazem com que elas ocupem diferentes espaços, diferentes nichos.”

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Segundo a Organização Municipal da Saúde, OMS, as doenças vetoriais representam mais de 17% das patologias infecciosas, ocasionando anualmente 700 mil mortes.

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Cerca de 249 milhões de casos e mais de 608 mil mortes são registradas no mundo apenas de malária, afetando principalmente crianças de até cinco anos.

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Situação na América 

Em 2025, foram notificados 4,5 milhões de casos de dengue em 103 países. No primeiro semestre de 2026, as quantidades de casos confirmados somam 2,7 milhões e mais de 4,8 mil óbitos.

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A situação na América é alarmante. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde, Opas, indicam que desde a década de 1980, os números de caso aumentaram de 1,5 para 16,2 milhões.  

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Nativo do Egito, o Aedes aegypti proliferou pelas regiões tropicais e subtropicais desde o século 16, que migrou do continente americano em navios no período colonial. 

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De acordo com a IOC, o Brasil chegou a erradicar a espécie em 1955, mas com o relaxamento das medidas preventivas na década de 1960, o mosquito foi reintroduzido e hoje está presente em todos os estados do país.

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Transmissão de mais de 30 vírus 

A especialista da Fiocruz alerta para o perigo da espécie para a população.

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“Só o Aedes aegypti, ele tem competência para transmitir mais de 30 vírus diferentes. Atualmente, ele tem sido um vetor muito competente para a transmissão dos vírus dengue, Zika e Chikungunya, mas ele é capaz de transmitir também outros vírus. Então, é importante que a gente fique sempre atento a esses mosquitos, onde eles estão ocupando, e um pouco do que a gente pode fazer.”

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Inovações científicas

Para conter as epidemias, a ciência tem apostado em tecnologias integradas de controle de vetores e imunização.

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Uma delas é a iniciativa do World Mosquito Program, WMP, em parceria com a Fiocruz. O projeto consiste na liberação de Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, impedindo que os vetores se desenvolvam.

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A vacina contra dengue criada pelo Instituto Butantan, segundo a organização, demonstrou uma eficácia geral de 79,6% e apresentou menos de 0,1% de eventos adversos graves entre mais de 10 mil participantes.

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Conscientização comunitária

Entidades internacionais a Opas e a Organização Internacional do Trabalho, OIT, reforçam que nenhuma instituição pode combater doenças vetoriais sozinha. 

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Campanhas de prevenção e eventos como a Semana de Ação contra os Mosquitos destacam a relevância da mobilização comunitária. Para a população, Bruno faz algumas recomendações.

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“Quando a gente pensa em mosquitos mais urbanos, mosquitos mais domésticos, como o Aedes aegypti, existe uma série de cuidados que a gente pode ter para poder evitar que esses mosquitos se proliferem dentro das nossas casas. No caso de mosquitos mais silvestres, né, como por exemplo os mosquitos transmissores do vírus da  febre amarela silvestre, a gente estar com a vacina em dia quando for para regiões de floresta, de mata, em que esses mosquitos estejam. E estar sempre atento às recomendações das instituições de pesquisa, de saúde, para que as recomendações de proteção individual e coletiva, para evitar que esses mosquitos eles se proliferem e aumentem o número de casos de doenças causadas por patógenos que eles transmitem.”

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Ações preventivas simples, como vedar caixas de água, preencher pratos de plantas com areia até a borda, inspecionar calhas e manter garrafas com a boca para baixo, são fundamentais no controle da densidade populacional e proteção à saúde pública.

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sourceCom informações da ONU

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