Empresas de IA mais transparentes sobre impacto ambiental: discurso do secretário-geral

Caros amigos,

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Todo o protocolo observado.

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Muito obrigado pela vossa calorosa receção e, Michael Bloomberg, obrigado pelas suas palavras amáveis, e pela sua liderança duradoura e extraordinária na ação climática.

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Está a ajudar a transformar ambição em progresso real para as pessoas e para o planeta.

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Muitro obrigado pela sua voz forte e estou grato pelo compromisso e pela defesa de tantos diferentes líderes aqui presentes hoje, começando pelo nosso presidente da câmara.

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Caros amigos,

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A crise traz clareza.

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E aqui em Londres, a cidade de Dickens, é claro que o nosso mundo enfrenta um “Conto de Duas Crises”.

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Uma crise climática que nos empurra cada vez mais para temperaturas mais elevadas e mais perto de pontos de rutura catastróficos.

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E uma crise energética que expõe a insensatez de um mundo dependente de hidrocarbonetos.

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A inteligência artificial pode acelerar soluções climáticas. Pode ajudar a curar doenças, transformar a educação e permitir à humanidade enfrentar desafios antes considerados fora do nosso alcance. Devemos aproveitar esse potencial. Mas a IA também exige grandes quantidades de terra, água e energia. Os centros de dados que a suportam já consomem mais eletricidade do que a maioria dos países.

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À superfície, estas crises podem parecer distintas.

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Mas partilham a mesma origem destrutiva:

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Os combustíveis fósseis.

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E exigem a mesma resposta:

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Uma transição rápida e justa para energias limpas – e um reforço da adaptação, da resiliência e da justiça climática para aqueles que já enfrentam os impactos das alterações climáticas.

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Caros amigos,

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Crise número 1: o caos climático está a acelerar diante dos nossos olhos.

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Acabámos de viver os onze anos mais quentes alguma vez registados.

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E hoje esta cidade, e muito além dela, está a viver o dia mais quente do ano, com temperaturas ainda mais elevadas por vir.

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Londres não está apenas a chamar a atenção, está a ferver.

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Em todo o mundo, os desastres climáticos estão a tornar-se mais frequentes, mais destrutivos e mais dispendiosos.

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E a Organização Meteorológica Mundial alertou que ainda não vimos nada.

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O El Niño não está apenas a bater à porta. Corre o risco de deitar a casa abaixo.

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Aumentando o calor. Perturbando os sistemas alimentares e hídricos. E atingindo mais duramente os mais vulneráveis.

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Há dez anos, os líderes mundiais acordaram em Paris limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius.

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Agora, os cientistas afirmam que as temperaturas médias anuais irão ultrapassar esse limiar nos próximos anos.

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A tarefa que temos pela frente é limitar rigorosamente esse excesso, reduzir a sua duração e fazer descer as temperaturas abaixo de 1,5 graus Celsius o mais rapidamente possível.

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Cada fração de grau conta.

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Cada momento conta.

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Porque quanto maior e mais prolongado for esse excesso, maior será o risco de ultrapassar pontos de rutura planetários que desencadeiam mudanças irreversíveis.

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Hoje, o Conselho Científico Consultivo das Nações Unidas está a divulgar um relatório sobre o que isso significaria exatamente.

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Sistemas de recifes de coral empurrados para o colapso.

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A perda acelerada das calotes de gelo na Gronelândia e na Antártida Ocidental – provocando a subida do nível do mar que transformaria as zonas costeiras, deslocaria milhões de pessoas e ameaçaria a existência de alguns países insulares.

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A transição é inevitável. E quero sublinhar que as energias limpas não podem ser construídas com base em práticas prejudiciais. Uma transição justa significa que os países e as comunidades cujas terras contêm os minerais críticos para o futuro da energia limpa devem beneficiar plenamente dela.

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O enfraquecimento dos principais sistemas de circulação oceânica que regulam o clima e a precipitação.

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E partes da floresta amazónica a evoluírem para condições semelhantes às da savana.

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Caros amigos,

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Os pontos de rutura da Terra são como objetos no espelho retrovisor de um automóvel:

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Estão muito mais próximos do que parecem.

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Ao mesmo tempo, enfrentamos uma segunda crise.

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O conflito no Médio Oriente desencadeou a mãe de todos os choques energéticos.

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A Agência Internacional de Energia indica que a sua escala rivaliza com as convulsões petrolíferas da década de 1970… e com a turbulência que se seguiu à invasão russa da Ucrânia. Em conjunto.

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Para muitos países em desenvolvimento, isto não é apenas uma crise energética.

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É um choque da dívida. Um choque alimentar. Um choque de desenvolvimento.

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E acrescentaria que qualquer acordo de paz é bem‑vindo e traria o tão necessário alívio, mas – não haja dúvidas – os impactos serão provavelmente duradouros.

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Caros amigos,

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Estas crises gémeas voltaram a expor os limites de um modelo de desenvolvimento ultrapassado.

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Um modelo movido a combustíveis fósseis – em que um único conflito pode perturbar o abastecimento energético global e um único ponto crítico pode fazer disparar os preços.

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Um modelo que trata a natureza como ilimitada – para ser consumida sem consequências.

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Um modelo que criou enorme riqueza mas também aprofundou as desigualdades e alimentou a insegurança.

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Um modelo em que aqueles que menos contribuíram para estas crises pagam o preço mais elevado.

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A lição é clara: este modelo não tem futuro.

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A comunidade internacional reconheceu os seus limites quando adotou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

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O mundo não pode voltar atrás.

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Não podemos insistir num sistema assente em combustíveis fósseis que está a impulsionar tanto a crise climática como a crise energética.

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O que precisamos, com urgência, é da vontade de implementar plenamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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E com um foco especial no sector que está na raiz das duas crises que o nosso mundo enfrenta… e onde se podem alcançar ganhos mais imediatos – carvão, petróleo e gás. Apelo à indústria dos combustíveis fósseis para que assuma responsabilidades e faça o que há muito está em falta.

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Alinhar prosperidade com resiliência.

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Crescimento com sustentabilidade.

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E oportunidade com justiça.

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A boa notícia é que – ao contrário de todas as crises energéticas do passado – temos agora uma saída clara.

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Uma saída limpa.

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As energias renováveis são a fonte mais barata, mais rápida e mais escalável de nova eletricidade na maior parte do mundo.

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Desde 2010, o custo da energia solar caiu quase 90%, o da eólica terrestre mais de 70% e o armazenamento em baterias 95%.

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No ano passado, a energia eólica e solar ultrapassaram todo o crescimento da procura de nova eletricidade a nível mundial.

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A energia solar registou o maior aumento anual de sempre de qualquer fonte de eletricidade.

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Mais de 90% da nova capacidade renovável instalada em todo o mundo já é mais barata do que as alternativas de combustíveis fósseis de menor custo.

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Segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis, a capacidade renovável existente poupou à economia mundial 480 mil milhões de dólares em custos evitados com combustíveis fósseis só em 2025.

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E as energias renováveis evitaram emissões de dióxido de carbono anuais superiores às dos EUA, da UE e do Japão, em conjunto.

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Entretanto, o investimento em energias limpas está a atrair quase o dobro do investimento em combustíveis fósseis.

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Grande parte deste dinamismo vem de países importadores de combustíveis fósseis determinados a libertar-se de mercados energéticos instáveis e imprevisíveis.

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Eles compreendem uma verdade essencial:

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Cada unidade de energia que um país produz para si próprio é uma unidade a menos que tem de comprar num mercado que não controla… por uma rota que não pode proteger… a um preço definido por acontecimentos que não escolheu.

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Não há embargos sobre a luz solar nem bloqueios ao vento.

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Caros amigos,

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O veredito é claro:

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A independência energética não pode ser construída sobre a dependência de combustíveis fósseis.

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As energias renováveis são a pedra angular de uma verdadeira segurança energética.

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A eletrificação dos transportes, dos edifícios e da indústria é uma das formas mais rápidas de reduzir emissões e quebrar a dependência de combustíveis fósseis importados.

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Quanto mais as economias funcionarem com eletricidade limpa, mais seguras, resilientes e competitivas se tornam.

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Então, como fazemos uma rutura limpa?

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Permitam-me apontar sete passos.

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Primeiro, devemos agir com muito maior urgência para limitar rigorosamente a magnitude e a duração de qualquer excesso acima de 1,5 graus.

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A ciência traçou um roteiro claro:

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As emissões devem atingir o pico imediatamente… cair acentuadamente nesta década… e alcançar a neutralidade carbónica global até 2050.

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No entanto, o mundo continua perigosamente fora de rumo.

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Os mais recentes planos climáticos nacionais reduziriam as emissões globais em apenas 10% até 2035.

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A ciência diz-nos que as emissões têm de cair 60% no mesmo período para manter o objetivo de 1,5 ao alcance.

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O G20 – responsável por cerca de 80% das emissões globais – tem de liderar.

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O princípio das Responsabilidades Comuns mas Diferenciadas aplica-se, mas todos os grandes emissores devem fazer muito mais.

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E todos os países devem ir além dos compromissos assumidos.

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Acelerando a transição dos combustíveis fósseis para as energias limpas – como os governos se comprometeram na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima de 2023.

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Travando a desflorestação e restaurando a natureza.

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E reduzindo rapidamente as emissões de dióxido de carbono provenientes da produção e consumo de carvão, petróleo e gás.

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O CO₂ continua a ser o principal motor do aquecimento a longo prazo.

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Mas chegou também o momento de dar prioridade à redução do metano.

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O metano é responsável por cerca de um terço do aquecimento global.

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É cerca de oitenta vezes mais potente do que o dióxido de carbono.

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Mas, ao contrário do CO₂, o metano decompõe-se na atmosfera ao fim de uma ou duas décadas.

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Isso significa que reduções ambiciosas podem produzir um alívio visível das temperaturas no prazo de uma geração.

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É por isso que hoje lanço um Apelo Global à Ação sobre o Metano.

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Este incide sobre três sectores.

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O sector dos resíduos — incluindo medidas decisivas para reduzir o desperdício alimentar, pôr fim à deposição a céu aberto e capturar emissões de aterros e de águas residuais.

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O sector da agricultura — reduzindo as emissões com soluções comprovadas para reforçar a segurança alimentar e proteger os meios de subsistência dos agricultores.

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E com um foco especial no sector que está na raiz das duas crises que o nosso mundo enfrenta… e onde se podem alcançar ganhos mais imediatos – carvão, petróleo e gás.

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Apelo à indústria dos combustíveis fósseis para que assuma responsabilidades e faça o que há muito está em falta.

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A Agência Internacional de Energia concluiu que cerca de 70% das emissões de metano do petróleo e do gás podem ser eliminadas com tecnologia existente – grande parte dela com baixo ou nenhum custo líquido.

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No entanto, só em 2025, cerca de 167 mil milhões de metros cúbicos de gás foram queimados na atmosfera – tanto quanto África consome num ano.

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O Sistema de Alerta e Resposta ao Metano do Programa das Nações Unidas para o Ambiente emitiu mais de 5.000 alertas em 33 países.

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Ainda assim, a taxa de resposta global situa-se em apenas 12%.

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É por isso que a ação voluntária já não é suficiente.

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O mundo eliminou a gasolina com chumbo.

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Eliminámos as substâncias que destroem a camada de ozono.

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A poluição por metano tem de ser a próxima.

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Apelo tanto aos governos produtores como consumidores para que estabeleçam uma nova norma global para o sector do petróleo e do gás: emissões de metano próximas de zero ao longo de toda a cadeia de valor.

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Segundo, devemos enfrentar a atual crise energética sem aprofundar a dependência dos combustíveis que a alimentam.

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Em todo o mundo, vozes influentes continuam a insistir em mais minas de carvão, mais campos petrolíferos, mais expansão do gás.

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Isto numa altura em que o mundo nem sequer conseguirá utilizar todos os combustíveis fósseis já disponíveis – quanto mais apostar em novos abastecimentos e infraestruturas que correm o risco de se tornarem obsoletos muito antes do fim da sua vida económica.

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E sejamos claros: não serão apenas ativos a ficar encalhados — serão economias inteiras.

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O motor de crescimento de hoje e de amanhã funciona com energia limpa.

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Compreendo o impulso, especialmente em períodos de turbulência, de nos agarrarmos ao que nos é familiar.

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A promessa de “negócios como de costume” pode soar reconfortante para alguns.

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Mas significa pagar mais por menos segurança.

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Significa ceder a outros as indústrias e os empregos do século XXI – enquanto o risco aumenta internamente.

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Isto não é liderança. É recuo.

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E devemos ser igualmente claros sobre quem suporta o custo:

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Os trabalhadores.

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As famílias que sentem a pressão com contas mais elevadas, maior incerteza, a sensação de que o sistema não está a funcionar para elas — enquanto os gigantes dos combustíveis fósseis continuam a obter lucros extraordinários.

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As oito maiores empresas de combustíveis fósseis registaram ganhos adicionais de 6,5 mil milhões de dólares apenas no primeiro trimestre deste ano – e isso inclui apenas um mês da crise no Médio Oriente, à medida que os preços do petróleo continuavam a subir e os lucros a aumentar.

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São ganhos extraordinários nascidos da dor – da instabilidade, das dificuldades e da dependência.

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Apelo aos governos para que os tributem.

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E apelo para que utilizem essas receitas onde elas devem estar: apoiar famílias e comunidades vulneráveis e acelerar a transição para energia limpa e acessível.

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Mas remover subsídios e incentivos prejudiciais não é suficiente. Devemos também eliminar os obstáculos estruturais que travam os projetos de energia limpa.

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Demasiadas vezes, estes limitam-se a esperar – por vezes durante anos – para se ligarem à rede.

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As infraestruturas de transporte são insuficientes.

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Os sistemas de distribuição estão desatualizados.

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O armazenamento está atrasado.

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Os sistemas digitais ainda não são suficientemente inteligentes nem flexíveis.

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E as interligações regionais e inter-regionais continuam demasiado limitadas.

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Se levarmos a transição a sério, devemos tratar as redes como infraestruturas estratégicas.

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A era da eletrificação exigirá uma expansão massiva das redes, do armazenamento e da flexibilidade dos sistemas.

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E precisamos de regras adequadas ao século XXI.

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Os governos devem criar condições para o investimento – com planeamento modernizado, processos de licenciamento mais rápidos e reformas regulamentares.

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Terceiro, à medida que a procura de energia continua a crescer, devemos enfrentar uma das suas fontes de crescimento mais rápido: os centros de dados da IA.

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A inteligência artificial pode acelerar soluções climáticas.

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Pode ajudar a curar doenças, transformar a educação e permitir à humanidade enfrentar desafios antes considerados fora do nosso alcance.

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Devemos aproveitar esse potencial.

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Mas a IA também exige grandes quantidades de terra, água e energia.

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Os centros de dados que a suportam já consomem mais eletricidade do que a maioria dos países.

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Até 2030, poderão consumir mais energia do que todos os países exceto cinco – e utilizar água suficiente para satisfazer as necessidades básicas de todos os 1,3 mil milhões de habitantes da África subsaariana durante um ano inteiro.

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Também ocupam grandes extensões de terreno – frequentemente em locais que pouco beneficiam disso.

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Apesar destas preocupações evidentes, as comunidades são muitas vezes deixadas na ignorância sobre o impacto ambiental das infraestruturas que surgem à sua volta.

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Por isso, hoje proponho a Iniciativa de Transparência Ambiental da IA.

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Apelo a todas as grandes empresas de IA para que meçam e divulguem publicamente o impacto ambiental completo dos seus sistemas – pegadas de carbono, água e uso do solo – e que se comprometam a abastecer todos os centros de dados com energias renováveis até 2030.

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Chega de custos ocultos.

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Chega de transferir o peso para quem menos pode suportá-lo.

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É tempo de transparência.

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Se a IA deve ajudar a construir um futuro melhor, tem de ser honesta quanto ao custo que tem hoje.

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Quarto, devemos assegurar uma transição justa.

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África concentra 60% dos melhores recursos solares do mundo, 30% dos minerais críticos e um quinto da humanidade. No entanto, recebe apenas 2% do investimento global em energias limpas. Ao mesmo tempo, mais de 600 milhões de africanos continuam sem acesso à eletricidade. Isto é injusto e uma oportunidade perdida para África e para o mundo.

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A história ensina uma dura lição:

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A maior ameaça não é a transição em si – mas a incapacidade de a gerir.

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É esse o risco que enfrentamos atualmente.

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A transição energética não está a avançar de forma coerente.

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O investimento em combustíveis fósseis continua, mesmo com o crescimento da energia limpa.

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Os países estão a seguir direções divergentes.

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Os produtores perguntam: o que acontecerá às nossas receitas, aos nossos empregos, às nossas economias?

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Os consumidores perguntam: a energia continuará acessível e fiável?

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Os países em desenvolvimento perguntam: conseguiremos competir – ou ficaremos para trás?

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E os trabalhadores, as comunidades e os jovens perguntam: o que significa esta transição para o nosso futuro?

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Neste momento, estas questões não estão a ser respondidas de forma articulada.

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Precisamos de um esforço comum, prático e centrado na concretização.

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Um espaço que reúna produtores e consumidores, países desenvolvidos e em desenvolvimento, finanças, indústria, trabalhadores e sociedade civil.

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Um espaço centrado nas questões reais que determinarão se esta transição terá sucesso ou fracassará.

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Como eliminar progressivamente a dependência dos combustíveis fósseis enquanto expandimos rapidamente a energia limpa?

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Como gerir os riscos económicos para os países que dependem das receitas dos combustíveis fósseis?

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Como apoiar os trabalhadores e as comunidades numa transição justa?

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E como mobilizar investimento à velocidade e na escala necessárias?

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Convocarei líderes em setembro para ajudar a impulsionar este trabalho antes da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima – COP31 – na Turquia.

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Porque a transição em si já não está em causa.

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Será gerida ou caótica… justa ou desigual… uma fonte de estabilidade ou de maior divisão.

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Estas escolhas continuam nas nossas mãos.

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A transição é inevitável.

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E quero sublinhar que as energias limpas não podem ser construídas com base em práticas prejudiciais.

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Uma transição justa significa que os países e as comunidades cujas terras contêm os minerais críticos para o futuro da energia limpa devem beneficiar plenamente dela.

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Chega de extração sem desenvolvimento.

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Quinto – e de forma fundamental – devemos fazer muito mais para proteger as pessoas e as comunidades dos impactos imediatos do caos climático.

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Porque, mesmo à velocidade máxima, não conseguimos ultrapassar as alterações climáticas.

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Os seus impactos já estão aqui – a acumular-se e a multiplicar-se.

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Uma seca pode rapidamente transformar-se numa crise alimentar.

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Uma tempestade pode transformar-se numa crise de dívida.

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Uma vaga de calor pode tornar-se uma emergência de saúde pública.

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A adaptação é essencial.

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Salva vidas, protege casas e comunidades, ajuda as economias a absorver choques e mantém as sociedades coesas.

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No entanto, durante demasiado tempo, a adaptação foi vista como caridade.

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Isso está errado.

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Os impactos climáticos já estão a remodelar o desenvolvimento, a estabilidade e a segurança.

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Estão a pressionar os sistemas alimentares e hídricos, a perturbar cadeias de abastecimento, a pressionar as finanças públicas e a agravar a fragilidade.

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Devemos responder em conformidade.

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A adaptação deve ser integrada no planeamento nacional e na tomada de decisões – desde estratégias de desenvolvimento até à regulamentação.

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Precisamos de sistemas de seguros e de partilha de riscos mais eficazes.

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Precisamos de mecanismos de contingência que atuem antes de os choques se transformarem em catástrofes humanitárias e económicas.

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Precisamos de melhor preparação antes de desastres e de implementar plenamente a nossa Iniciativa de Alertas Precoces para Todos.

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E os países desenvolvidos têm de cumprir o seu compromisso de longa data de duplicar o financiamento para adaptação – com uma trajetória clara para o triplicar.

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Isso leva-nos ao sexto ponto — tudo isto exige financiamento à escala, à velocidade e com a equidade que ambas as crises requerem.

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Hoje, o sistema financeiro global está a falhar os países que mais precisam de apoio.

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Sobrevaloriza o risco – e subvaloriza a oportunidade.

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Muitos países em desenvolvimento enfrentam custos de financiamento para energia limpa e resiliência duas a três vezes superiores aos das economias mais ricas.

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Países ricos em potencial de energias renováveis estão a ser excluídos da revolução da energia limpa.

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Basta olhar para o vasto continente africano.

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África concentra 60% dos melhores recursos solares do mundo, 30% dos minerais críticos e um quinto da humanidade.

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No entanto, recebe apenas 2% do investimento global em energias limpas.

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Ao mesmo tempo, mais de 600 milhões de africanos continuam sem acesso à eletricidade.

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Isto é injusto e uma oportunidade perdida para África e para o mundo.

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Os países desenvolvidos devem cumprir as suas promessas, incluindo o apoio ao Fundo para Responder a Perdas e Danos e ao Fundo Verde para o Clima.

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Os 300 mil milhões de dólares prometidos aos países em desenvolvimento devem ser mobilizados – com medidas concretas para atingir 1,3 biliões de dólares por ano até 2035.

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Num mundo de ajuda em retração, devemos também mobilizar o papel catalisador dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e do sistema mais amplo de financiamento do desenvolvimento para apoiar infraestruturas de longo prazo, como redes elétricas, transportes públicos de massa e sistemas de água.

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Reformas recentes e decisões políticas aumentaram a capacidade de financiamento dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento em 600 a 800 mil milhões de dólares.

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Devem utilizá-la de forma ambiciosa para financiar as infraestruturas do futuro e a adaptação climática.

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Devem também adaptar os seus instrumentos à dimensão e ao horizonte temporal do desafio, incluindo financiamento a 50 anos quando necessário.

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E devemos ir mais longe.

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A capacidade de financiamento dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento deve ser reforçada pelos seus acionistas, incluindo através de recapitalizações ousadas e de novas reformas.

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Num contexto de margem orçamental limitada, cada euro público deve ser mais eficaz e utilizado de forma mais criativa para mobilizar capital privado.

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Isso implica reforçar garantias, financiamento em moeda local, financiamento misto e outros instrumentos de partilha de risco para reduzir o custo do capital e atrair investimento privado – sobretudo nos países em desenvolvimento onde os riscos são percecionados como elevados.

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Implica recorrer a fontes adicionais de financiamento – desde contribuições de solidariedade sobre sectores com elevadas emissões, a trocas dívida‑clima, a receitas dos mercados de carbono e à mobilização da filantropia.

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E implica assegurar que todas as instituições financeiras – públicas e privadas – alinhem a sua atividade com o Acordo de Paris e com a realidade de um mundo em aquecimento.

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No final, o teste é simples:

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Devemos canalizar capital para os países em desenvolvimento à velocidade, escala e acessibilidade que o momento exige, para responder à crise climática, impulsionar um crescimento mais forte e resiliente e avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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Sétimo, e último, devemos proteger a ciência – e a própria verdade.

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A ciência deu à humanidade a capacidade de compreender os riscos antes de a catástrofe ocorrer.

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No entanto, a desinformação está a propagar-se – deliberadamente – para atrasar a ação climática, consolidar interesses instalados e corroer a confiança.

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Devemos agir para proteger a independência científica;

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Reforçar a confiança na evidência e nas instituições;

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Proteger os defensores dos direitos humanos e os jornalistas que informam sobre o clima e o ambiente;

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E assegurar que todos têm acesso a informação fiável, credível e baseada na ciência.

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Podemos finalmente virar a página dos combustíveis fósseis – e escrever um futuro alimentado por energias renováveis e assente na justiça climática. Este é o nosso momento de escolha. O nosso momento de verdade. O nosso momento de oportunidade. As Nações Unidas lançaram a Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Alterações Climáticas precisamente para esse fim. Os factos importam. A ciência importa. A integridade da informação importa.

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Caros amigos,

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Permitam-me concluir onde comecei – com Dickens.

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Para a agenda climática, esta é verdadeiramente a melhor das épocas e a pior das épocas.

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A pior – porque os impactos climáticos estão a intensificar-se, os pontos de rutura aproximam-se e a crise energética expôs os profundos riscos da dependência dos combustíveis fósseis.

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Mas também a melhor – porque a revolução das energias renováveis já está bem encaminhada.

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Uma revolução de energias limpas, de eletrificação, de custos em queda, de ambição crescente – e de enormes oportunidades.

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Uma revolução que pode libertar os países da volatilidade dos mercados de combustíveis fósseis, alargar o acesso à energia, reforçar a segurança, criar empregos, melhorar a qualidade do ar, restaurar ecossistemas e aproximar um futuro mais seguro.

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Temos uma enorme oportunidade – e responsabilidade – de transformar este “Conto de Duas Crises” numa única história de determinação, de equidade e de progresso partilhado.

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Podemos finalmente virar a página dos combustíveis fósseis – e escrever um futuro alimentado por energias renováveis e assente na justiça climática.

Leia mais

Este é o nosso momento de escolha. O nosso momento de verdade. O nosso momento de oportunidade.

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Aproveitemo‑lo.

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Muito obrigado.

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sourceCom informações da ONU

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FZL