Publicado em: 26/05/2026 12h57 | Atualizado em: 26/05/2026
Vencedora do Prêmio Educador Nota 10 em 2025 e reconhecida por iniciativas voltadas à formação cidadã desde a infância, Renata conta que a proposta ganhou força após uma situação vivida em sala de aula. “Durante um conflito entre colegas, uma criança pediu minha ajuda dizendo que menina não bate e que quem bate e é forte são os meninos. Aquilo me mostrou o quanto essas ideias já estavam presentes no cotidiano deles”, relata.
A partir desse episódio, a educadora organizou uma sequência de propostas pedagógicas que, ao longo do semestre, vem transformando as relações entre as crianças e ampliando repertórios dentro da escola.
O ponto de partida foi a canção “Criança não trabalha”, do grupo Palavra Cantada. A partir das brincadeiras apresentadas no clipe, a turma conversou sobre atividades preferidas, como jogar bola e brincar de boneca. Nesse momento, surgiram falas que limitavam meninos e meninas a determinados espaços e brincadeiras, registradas em cartaz para posterior reflexão coletiva.
Ao longo do projeto, diferentes linguagens artísticas e literárias foram mobilizadas para desconstruir essas ideias. A música “Brincadeira de Menina”, da MC Sofia, contribuiu para discutir o direito a uma infância livre de imposições de gênero. Já a leitura de “A Banda das Meninas”, de Emília Nuñez, inspirou debates sobre protagonismo feminino e representatividade. Após a história, as crianças criaram um território musical com instrumentos diversos e chegaram a uma conclusão espontânea: “A banda tem que ter todo mundo, meninas e meninos”.
Outro momento marcante ocorreu com a leitura de “A Revolta das Princesas”, obra que questiona papéis tradicionais atribuídos às mulheres nos contos de fadas. O debate levou a turma a refletir também sobre a divisão de tarefas em casa, responsabilidades compartilhadas e autonomia feminina. Em um painel coletivo, as próprias crianças registraram que a igualdade começa quando todos colaboram igualmente no cotidiano.
O projeto no Jardim Ângela também ampliou repertórios em áreas historicamente marcadas por desigualdades. As trajetórias das atletas Marta e Formiga foram apresentadas à turma, culminando em um encontro especial com Surya. Durante circuitos e jogos, ela mostrou, na prática, que o esporte é espaço de todos.
Além disso, as crianças participaram de vivências sobre profissões e habilidades técnicas, conhecendo mulheres motoristas, mecânicas e trabalhadoras da construção civil. Em seguida, experimentaram atividades de construir e consertar, rompendo com a ideia de que força ou capacidade técnica pertencem exclusivamente aos homens.
Os resultados já são percebidos no dia a dia da escola. Segundo Renata Moura, as meninas passaram a ocupar todos os espaços de brincar com mais segurança, enquanto meninos e meninas convivem com maior naturalidade e respeito. “Hoje escutamos frases como ‘meninas podem brincar do que quiserem’, ‘eu posso brincar de carrinho, minha mãe dirige’ e ‘todo mundo deve ajudar a arrumar a sala’. São falas simples, mas que mostram mudanças profundas”, destaca a professora.
A transformação também se refletiu nas brincadeiras coletivas. O futebol, antes marcado por exclusões, agora acontece de forma integrada, assim como outras propostas de movimento e convivência.
Diante dos avanços observados, o projeto seguirá ao longo de todo o ano letivo, integrado ao cotidiano pedagógico da unidade. “Nosso objetivo é continuar apresentando novas referências femininas e promovendo experiências que fortaleçam o respeito, a equidade e a liberdade, para que cada criança possa construir sua identidade sem limitações impostas por estereótipos sociais”, conclui a professora.
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sourceCom informações da Prefeitura de São Paulo
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