Liderar pelo exemplo. Esse é um dos maiores aprendizados que o ex-jogador brasileiro de futebol, Lucas Leiva, carrega consigo depois de uma carreira vitoriosa em times como o Grêmio, no Brasil, o Liverpool, na Inglaterra, e o Lazio, na Itália, além da Seleção Brasileira.
Ao participar de eventos à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, ele conversou com a ONU News sobre como a dinâmica do futebol pode ser uma fonte de inspiração também para chefes de Governo e Estado pelo mundo.
“Eu acho que semanas como essas são superimportantes, onde os governos, os representantes se encontram e debatem questões importantes da humanidade e dos países. Mas eu acredito muito que além dos debates, além dos acordos, eu acho que o exemplo arrasta. Então, eu sempre tentei ser um líder e fui líder em muitos times que eu passei pelo exemplo. E eu acredito que você dando um exemplo positivo, você acaba influenciando muita gente, mesmo sem saber. Então eu espero que a gente tenha aqui bons exemplos para o mundo”.
Lucas Leiva esteve em Nova Iorque como embaixador do Liverpool Futebol Clube, onde jogou por 10 anos. Até hoje, o brasileiro é acariciado pela torcida de mais de 80 milhões de seguidores nas principais redes sociais.
Ele explicou que o time inglês tem um projeto chamado “The Red Way”, que investe em medidas de sustentabilidade e utiliza ex-atletas para criar engajamento em torno de temas sociais e ambientais.
“O Liverpool é um dos times mais seguidos do mundo. Acho que tem mais de 1 bilhão de torcedores espalhados. Então o Liverpool tem usado muito a força dele para gerar engajamento, inclusive com essa preocupação com o meio ambiente”.
O brasileiro ressaltou que a força do futebol precisa ser aproveitada para envolver cada vez mais gente na construção de um futuro melhor e na realização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ODS, estabelecidos pela ONU.
Essa mesma força também pode ser usada para abordar temas que afetam os próprios jogadores, como a saúde mental. Com base em sua experiência pessoal no esporte, Lucas Leiva defendeu a ampliação da oferta de acompanhamento psicológico para atletas profissionais.
“Quando você traz para o lado de alta performance, de rendimento, obviamente tem muita pressão incluída ali. E antigamente era uma barreira que se criou. Eu acho que hoje, os atletas realmente precisam, porque eu acho que as mídias sociais, a pressão da torcida, a pressão por resultado, está cada vez maior. Então, os atletas hoje têm sempre uma escolha. Mas se eu pudesse dar alguma sugestão, seria que todos tivessem um acompanhamento. Porque a saúde mental não é somente quando você está num momento de dificuldade, é sobre se entender, se conhecer melhor e aí você acaba conseguindo bloquear os gatilhos que vão te levar para um problema maior”.
Leiva elogiou o fato de que os clubes, de maneira geral, têm aderido à pauta da saúde mental, tornando o ambiente profissional do futebol mais leve, apesar das pressões por resultado, que são inevitáveis.
Segundo o ex-jogador, essa abordagem é ainda mais necessária para as novas gerações, onde a pressão é impulsionada por um número crescente de redes sociais e por uma exposição cada vez mais precoce.
“Na minha época, quando eu jogava, não tinha Instagram, não tinha Facebook, não tinha Twitter, não tinha nada disso. Então era quem assistia e muitos jogos não eram nem transmitidos na época. Hoje, os jogos de categorias super jovens são transmitidos. Então, mais uma vez, a saúde mental é superimportante ter esse controle. E sim, como tu falaste, eu tenho um filho, então acompanho isso de perto. O quanto é importante esse cuidado. Mas com certeza hoje a exposição é muito maior, então automaticamente o cuidado tem que ser maior. E eu digo até em relação ao elogio. Porque hoje, o elogio também vem de uma forma muito precoce”.
Lucas Leiva destacou a importância de encontrar um equilíbrio, de modo que essas pressões e cobranças não atrapalhem o desenvolvimento dos jovens atletas.
A ONU lidera a iniciativa “Futebol para os ODS”, que mobiliza clubes, empresas, atletas e torcedores em prol da realização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável até 2030.
*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News
sourceCom informações da ONU
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