Líderes globais abordam direito a um futuro de dignidade e igualdade para todos

Quarenta anos se passaram desde que o mundo concordou com a premissa de que o desenvolvimento não se resume a planilhas ou ao mero crescimento econômico. 

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Em 1986, a Assembleia Geral da ONU adotou a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento. Desde então, o progresso passou a ser reconhecido como um direito humano inalienável que pertence a todos.

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Relatório das Desigualdades Mundiais 

Neste 23 de setembro, a atenção do mundo se volta para a sede da organização, que reúne líderes mundiais e Estados-membros em um encontro sobre o aniversário, refletir sobre o avanço e traçar um rumo conjunto. 

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Os participantes pretendem buscar soluções para reduzir a pobreza, expandir as oportunidades e confrontar as desigualdades sistêmicas que continuam impedindo milhões de pessoas de se beneficiarem do desenvolvimento.

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Este marco histórico estabeleceu que o verdadeiro desenvolvimento engloba direitos econômicos, sociais, culturais e políticos, tendo como objetivo supremo a redução das desigualdades e a construção de um mundo mais justo e inclusivo.

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Crescente desigualdade 

A atual realidade revela, no entanto, o quão longe a humanidade ainda está dessa visão. O Relatório das Desigualdades Mundiais de 2026, apoiado pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, aponta que a metade da população mais pobre do mundo detém apenas 2% da riqueza global.

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Em contraste, os 0,001% mais ricos do mundo, uma classe de cerca de 56 mil bilionários, acumulam três vezes mais riqueza do que todas essas pessoas pobres juntas.

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É para combater a crescente desigualdade, tanto dentro dos países quanto entre eles, que o Escritório de Direitos Humanos da ONU enfatiza a vital importância do direito ao desenvolvimento.

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Tratado juridicamente vinculativo 

A Declaração de 1986, embora não seja um tratado juridicamente vinculativo, descreve “o direito sagrado de cada pessoa e de cada povo de participar”, contribuir e desfrutar do desenvolvimento.

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A ONU sublinha que não se trata de caridade, mas de capacitação e empoderamento. Os princípios fundamentais exigem que o ser humano seja o sujeito e o beneficiário central do progresso. 

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As recomendações incluem garantir a participação ativa e significativa nas decisões, promover a distribuição justa dos benefícios, rejeitar qualquer exclusão baseada em raça, sexo, idioma ou religião e respeitar a autodeterminação dos povos, incluindo a soberania sobre suas próprias riquezas e recursos naturais.

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Quando esses princípios são verdadeiramente aplicados, os resultados transformam vidas e reestruturam sociedades.

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Formação profissional 

Exemplos marcantes estão no Marrocos, onde programas de formação profissional capacitam mulheres a lançar atividades que geram renda, reescrevendo seus futuros e fortalecendo a economia local.

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Na Colômbia, grupos indígenas conquistaram um papel ativo nos acordos de paz do país, garantindo que suas vozes moldem o destino da nação sul-americana. 

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Na Ásia e no Oriente Médio, membros de comunidades no Afeganistão, na Índia e nos Territórios Palestinos compartilham recursos de forma justa e colaborativa, substituindo a competição por uma coexistência pacífica e sustentável.

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Exclusão na tomada de decisão 

Pelo contrário, quando o desenvolvimento exclui as pessoas, o impacto é considerado arrasador e as feridas são profundas. No Quênia, a comunidade Endorois, composta por cerca de 60 mil pessoas que viveram ao redor do Lago Bogoria por séculos, foi excluída da decisão de transformar suas terras em uma reserva ambiental.

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Sem consulta nem uma parte justa dos benefícios da reserva, eles perderam as pastagens que sustentavam seus meios de subsistência, resultando na morte de grande parte de seu gado e no desmantelamento de seu modo de vida.

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A tragédia da exclusão também se manifestou em uma enorme escala global durante a pandemia de Covid-19. Os países em desenvolvimento tiveram um acesso drasticamente menor às vacinas essenciais. 

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De acordo com a ONU, mais de 600 mil mortes poderiam ter sido evitadas se todos os países tivessem alcançado as metas de vacinação da Organização Mundial da Saúde, OMS, até o final de 2021. Essa falha coletiva foi classificada como trágica e profundamente imoral, evidenciando o preço humano da desigualdade.

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Combinação de crises globais 

Atualmente, a combinação das crises globais envolve choques climáticos extremos, conflitos armados e migrações forçadas, e “o direito ao desenvolvimento é mais relevante do que nunca”.

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Ao longo dos últimos 80 anos, o crescimento não foi compartilhado de forma equitativa; e essa desigualdade, quando não resolvida, alimenta a pobreza, a agitação social e a desconfiança nas instituições, segundo a ONU. 

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A organização aponta ainda que barreiras como o desacordo entre os Estados sobre obrigações vinculativas, a fraca cooperação internacional e a falta de vontade política continuam a frear o progresso.

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Em Nova Iorque, a expectativa é que, acima de tudo, o momento seja de renovar o compromisso global de garantir que cada pessoa, em qualquer lugar do mundo, tenha uma oportunidade justa de viver com dignidade, oportunidade e esperança.

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sourceCom informações da ONU

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FZL