Mercenários usam alto poder tecnológico para alterar dinâmica das guerras

A economia da guerra está mudando rapidamente, e muitas dessas transformações têm a ver com o papel dos mercenários. Antes, eles eram basicamente um grupo de combatentes armados enviados para zonas de conflito por empresas privadas de segurança. 

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Mas hoje em dia, estas mesmas empresas se especializaram em vigilância digital, armas autônomas, satélites e outras tecnologias de ponta, que são desenvolvidas e vendidas com fins lucrativos. 

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“Crescente dependência dos Estados”

O relatório mais recente do Grupo de Trabalho da ONU sobre a “utilização de mercenários como meio de violar os direitos humanos e impedir a autodeterminação dos povos” alerta para as consequências desta transformação. O documento foi apresentado na segunda-feira, no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

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Segundo os autores, empresas privadas de segurança e serviços militares estão entre as primeiras a desenvolver e utilizar tecnologias avançadas de defesa.

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Isso está criando uma “crescente dependência” dos Estados em relação a fornecedores comerciais de inteligência artificial, aparatos de vigilância e capacidades cibernéticas ofensivas.

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Mercenários cibernéticos e drones letais

Os chamados “mercenários cibernéticos”, por exemplo, usam tecnologias avançadas para realizar sabotagem e espionagem virtuais, bem como a implantação de softwares maliciosos, como malware e ransomware que roubam os dados dos usuários ou até paralisam seus dispositivos.

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Outras frentes exploradas por mercenários são ataques com munições guiadas por laser ou feixe térmico (uma espécie de raio que causa fogo), disparadas por drones pilotados remotamente, além de vigilância geoespacial, definição de alvos e bombardeio aéreo.

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O relatório afirma que empresas privadas realizaram campanhas contínuas de ataques com drones. Uma delas esteve ligada a 141 operações e a pelo menos 1.243 mortes relatadas entre março de 2025 e janeiro de 2026 no mundo.

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Na América Latina e no Caribe, o uso de drones armados para fins letais por grupos criminosos não estatais, alguns dos quais recorrem a mercenários em suas operações, foi documentado em diversos países. As mesmas tecnologias e metodologias foram observadas em ações envolvendo mercenários na África e em outras regiões.

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Inteligência artificial definindo alvos

Em certos casos, sistemas assistidos por inteligência artificial teriam gerado dezenas de milhares de alvos, com a verificação humana reduzida a questão de segundos.

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Num episódio documentado em 2025, foi relatada uma operação cibernética na qual agentes autônomos de inteligência artificial teriam executado cerca de 90% do ciclo de intrusão, com autorização humana limitada. 

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O caso ilustra o potencial para operações ofensivas simultâneas e em larga escala conduzidas por máquinas, contra múltiplos alvos.

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Além disso, o relatório alerta que armas autônomas, impulsionadas por algoritmos discriminatórios possibilitam a criação de "listas de alvos" com base em vieses raciais ou religiosos, ou em agendas ideológicas.

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Vigilância para silenciar vozes

O relatório também alerta para o uso crescente de tecnologias de vigilância, sistemas de reconhecimento facial, bancos de dados biométricos e ferramentas de monitoramento baseadas em inteligência artificial por essas empresas privadas.

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Em muitos casos, esses recursos são implementados para cercear defensores de direitos humanos, ativistas, jornalistas, estudantes, povos indígenas e comunidades minoritárias.

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Informações coletadas sobre esses grupos são usadas para facilitar prisões e detenções arbitrárias, restringir e limitar a liberdade de movimento, intimidar e silenciar populações e até realizar operações letais.

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As vítimas enfrentam imensas dificuldades para identificar os responsáveis ​​por violações, acessar provas ou obter justiça.  O resultado é o crescimento da impunidade.

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Medidas para conter o mercenarismo com tecnologia

O texto revela que, em muitos contextos, mercenários e empresas privadas de segurança, juntamente com empresas de tecnologia, planejam e executam operações em "salas de situação" de forças militares e de segurança nacionais.

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Essa realidade ameaça erodir a distinção entre o uso de força regulamentada e a violência letal não regulamentada. 

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Para os especialistas, o mercenarismo impulsionado pela tecnologia representa um risco grave e crescente para os direitos humanos, o Estado de direito, a integridade territorial e a autodeterminação dos povos. 

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O relatório recomenda que os Estados criem proibições claras em relação a atuação desses grupos privados, regulações mais rígidas das tecnologias com aplicação militar e mecanismos de prestação de contas. 

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sourceCom informações da ONU

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FZL