A violência contra a pessoa idosa assume diversas formas, incluindo abusos físico, psicológico e financeiro, bem como negligência.
Para este ano, as Nações Unidas celebram o Dia Mundial de Conscientização contra Abuso a Idosos sob o tema “Além da Conscientização: Fazendo a Prevenção da Violência contra a Pessoa Idosa Funcionar” para despertar atenção para o problema.
Em Maputo, a ONU News visitou Maria Pinina, 87 anos. Ela vive no mítico bairro 25 de junho. Da gestação de oito filhos, apenas um está vivo.
Ela conta que o filho cedo imigrou para a vizinha África do Sul em busca de melhores condições de vida. Não sabe ao certo como
Ele está porque nunca mais o viu ou recebeu notícias sobre ele.
Atualmente, a idosa vive com a neta, Celeste José Langa, 48 anos, uma viúva com três filhos que decidiu estar próxima da avó para ajudá-la. Celeste lembra quando a idosa caiu em casa, fraturou a coxa, e o desafio é o acesso a tratamento médico para sua mobilidade. Maria Pinina tem uma mobilidade limitada entre o sentar na cadeira ou estar deitada na cama.
Com voz trémula Maria Pinina disse a ONU News, que seu desejo é obter um tratamento médico adequado.
“As minhas necessidades são alimentação, higiene adequada, tratamento médico. Neste momento, conto apenas com apoio da minha neta. Não há mais ninguém”
Ivete Mavie, preocupada com a situação dos idosos, juntou amigos e criaram a Associação Moçambicana amigo do Idoso (Amati) com objetivo de apoiar esta camada vulnerável nas diversas situações.
Com mais oito anos, os membros da Amati têm levado a cabo várias tarefas e continuam auscultar e cuidar dos idosos apesar dos inúmeros desafios.
Para Ivete Mavie, diretora executiva da Associação Moçambicana amigo do Idoso (Amati), os desafios de apoio a pessoa idosa estão inseridos em contextos diferentes. Ela cita exemplos entre o rural e urbano.
“Vou dar exemplo das acusações de feitiçaria. Estas acusações geralmente são feitas a idosos que se encontram nas zonas rurais. Eu costumo dizer, não existe uma feiticeira rica, que tenha casa com piscina, mas se tu fores a observar todas as idosas ou idosos que já tiveram esta acusação de serem feiticeiros tem um histórico de pobreza muito alarmante.”
A feitiçaria é um dos casos comuns quando se aborda a violência a pessoas idosas com destaque nas zonas rurais. Os idosos também sofrem outros tipos de violência, tais como doméstica, mental, assim como a Violência patrimonial, um fenómeno atual.
“Existem aqueles casos em que uma idosa foi se juntar com um homem durante a sua juventude, e esse homem já tinha seus filhos. E quando este homem perde a vida, aqueles filhos do primeiro casamento deste homem, vêm e mandam embora a esta idosa, tirando a ela de casa, alegando que a casa pertence a eles, porque o pai construiu a casa com mãe deles e não com esta idosa. Estes casos também registam se muitos nas zonas urbanas. Estamos a falar da violência patrimonial.”
Dados do Instituto Nacional de Estatística, INE, citam números de violência, casos criminais e cíveis de 2024. Foram 482 pessoas, dos quais 314 mulheres e 168 homens.
Em Moçambique, a violência tem um perfil em que as mulheres representam a maioria das vítimas. Cerca de 36% das moçambicanas já passaram por algum tipo de violência.
* Ouri Pota é o correspondente da ONU News em Maputo.
sourceCom informações da ONU
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