Movimentos pedem moradia e políticas para a população em situação de rua

A Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania realizou nesta terça-feira (9/6) uma audiência pública para debater as políticas públicas para a população em situação de rua. A discussão atende ao requerimento da vereadora Luna Zarattini (PT) – presidenta do colegiado.

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Além de Zarattini, participaram da audiência Luana Alves (PSOL) – vice-presidenta do comissão – Amanda Paschoal (PSOL), Nabil Bonduki (PT), o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), além de representantes das secretarias municipais de Habitação, Assistência e Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Defensoria Pública do Estado e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

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Participação popular

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Representantes de movimentos da população em situação de rua apresentaram um manifesto por moradia, renda e contra a violência. Entre as reivindicações estão a desapropriação de imóveis ociosos para a implementação de programas sociais, a interrupção do fechamento de serviços até a criação de um plano geral para incluir pessoas em políticas de moradia fixa.

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O documento também pede uma cota mínima de 2%, prevista em decreto municipal, para a contratação de pessoas em situação de rua em contratos e parcerias realizados pela administração municipal. Além disso,  a manifestação cobra que mulheres em situação de rua tenham acesso à Lei Maria da Penha com políticas específicas para  garantir acolhimento adequado.Julia Lima, representante do Fórum da Cidade, falou sobre a empregabilidade da população em vulnerabilidade social. “Tem uma Lei, a 17.252, que cria a Política Municipal para a população em situação de rua. Essa lei criou uma cota mínima para a contratação de pessoas em situação de rua em todos os contratos da Prefeitura de 120 dias ou mais. Esse artigo já foi regulamentado no início de 2020 e até hoje não saiu do papel”.

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Darci da Silva Costa, representante do Movimento Nacional de População de Rua, cobrou a construção de mais moradias populares na cidade. “ A habitação é uma demanda prioritária, visto que a cidade de São Paulo ainda não formulou um plano de habitação para a população em situação de rua. Nós temos uma lei aqui, aprovada na Câmara, então isso se faz urgente”.

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Representante do Movimento Nacional de Luta em defesa da população em situação de rua, Edivaldo de Souza, lamentou a falta de ações voltadas à habitação. “Há mais de seis anos que a gente conseguiu um prédio para a construção de habitação para pessoas em situação de rua. Conseguimos oito prédios e mais dois terrenos. Isso nunca foi colocado em prática”. 

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Representantes

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Da Defensora Pública do Estado de São Paulo, Amanda Pilon afirmou que a capital paulista passa por uma situação crítica. De acordo com ela, há mais de 108 mil pessoas em situação de rua. Outro problema, segundo Amanda, é que equipamentos públicos essenciais estão sendo fechados.

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“No nosso entendimento, o fechamento desses equipamentos sem alternativas equivalentes, sem respeitar os vínculos territoriais, e sem participação social, viola frontalmente o princípio constitucional da vedação de retrocesso social.”

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Mary Luciana da Cunha, representando a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, defendeu os programas da pasta. Ela destacou a Vila Reencontro – voltada para a população em situação de rua. O espaço oferece moradia transitória, capacitação profissional e acompanhamento psicossocial.

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“Acho importante dizer que no último trimestre de 2025 nós tivemos uma média de 45% de saídas qualificadas das Vilas Encontro. Independente de conseguir fazer o encaminhamento para a locação social ou habitação, a gente tem um número significativo dessas saídas qualificadas”, falou Mary. 

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Também participaram da audiência Aridelson Junior, representando a Comissão de Direitos Humanos da OAB, Luciana Almeida Dantas, da Secretaria Municipal de Habitação, Camila Sakai, coordenadora da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, e Caio Silveira, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho.

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Vereadores

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A vereadora Luana Alves criticou o atraso do censo da população em situação de rua. “Já tinha que ter tido o Censo da população em situação de rua no ano passado. Não teve. Ainda está na fase 1 neste ano, então é até difícil fazer diagnóstico porque não tem nem o censo completo, está desatualizado há mais de cinco anos”. 

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A vereadora Amanda Paschoal ressaltou a importância do diálogo com a Prefeitura para que a POP Rua  – políticas e serviços voltados à população em situação de rua – seja apoiada.

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“Nós precisamos, principalmente agora que vamos votar a LDO, ter mais suporte e um diálogo concreto com a Prefeitura para que a POP Rua seja aprovada”, falou Amanda.

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Após a audiência, Luna Zarattini, acompanhada de integrantes dos movimentos da população em situação de rua, levou as reivindicações do manifesto até a Prefeitura de São Paulo.

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“Nós não queremos mais que a cidade de São Paulo não tenha políticas públicas contundentes para tratar de uma questão social, mas que também é um problema político em relação ao crescimento da população em situação de rua. Não podemos acreditar que a maior cidade da América Latina, com o maior orçamento, ainda tenha essa situação de extrema vulnerabilidade e desumanização das pessoas”, afirmou Luana. 

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A audiência pública está disponível na íntegra neste link. 

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sourceCom informações da Câmara Municipal de São Paulo

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