ONU debate o destino de 2 milhões de vidas em Gaza num cenário pós-conflito

Nesta quinta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma sessão que debateu a situação no Oriente Médio, com ênfase para a Faixa de Gaza. 

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Na reunião, o alto representante para Gaza do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, apresentou um informe declarando que o destino de mais de 2 milhões de pessoas em Gaza está incerto enquanto elas esperam em condições de desespero. 

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Obrigações no âmbito do cessar-fogo

O apelo ao Hamas é que seja acolhido o roteiro de paz sem mais delongas, e que Israel cumpra suas obrigações no âmbito do cessar-fogo. Ele destacou que a diplomacia deve avançar, mas não pode ser utilizada como pretexto para atrasos.

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Nickolay Mladenov disse que não existe uma terceira opção para o fim do conflito defendendo a viabilidade do novo plano de transição estabelecido pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança.

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O diplomata afirmou que o novo roteiro apresentado para a implementação total do plano de 20 pontos é “credível, justo e equilibrado” com base no princípio da reciprocidade. 

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Para ele, o desarmamento e a transição não são apenas exigências legais, mas o único caminho real para a reconstrução, para a retirada das forças israelenses e para um horizonte político palestino.

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Força Internacional de Estabilização

Ao explicar a lógica da Força Internacional de Estabilização, ISF, Mladenov revelou que ela atuará como “ponte temporária e estrutura apoiando a reconstrução de Gaza, operando sob o princípio rigoroso da reciprocidade, onde o progresso é conquistado e verificado passo a passo”. 

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Essa ação será como um  “amortecedor estratégico” entre as forças israelenses e as áreas controladas pelos palestinos que farão o policiamento de Gaza.

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O foco do mandato da ISF será apoiar o desarmamento, proteger as operações humanitárias e garantir a segurança necessária até que uma Autoridade Palestina reformada reassuma plenamente as suas responsabilidades.

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Alternativas de um novo começo ou abismo

Já o informe do vice-coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio enfatizou que as alternativas são de “um novo começo ou o abismo definitivo” na área que tem infraestruturas destruídas e um cessar-fogo violado.

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Ramiz Alakbarov alertou sobre discursos de bastidores que sugerem um possível retorno aos combates em larga escala enquanto se discute a segunda fase do cessar-fogo para Gaza.

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Ele sublinhou que as partes precisam decidir se vão “manter status quo em constante deterioração, ou escolher um novo começo em meio à falta de uma terceira opção.”

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O discurso sublinha que perante uma realidade em que a população de Gaza não suporta mais uma guerra, esse cenário tem de ser evitado a todo o custo.

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Diplomacia como tática de adiamento

Ao Conselho, o representante pediu o uso dos mecanismos possíveis para forçar o Hamas a aceitar o roteiro sem demoras e exigir que Israel cumpra com rigor as suas obrigações de cessar-fogo, censurando o uso da diplomacia como tática de adiamento.

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O vice-coordenador disse ainda que apesar dos esforços diplomáticos, a realidade vivida em Gaza continua sendo moldada pela incerteza e pelo medo. Ele avaliou como alarmantes os dados sobre o impacto humano e a fragilidade do cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025.

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As vítimas mortais da violência confirmadas pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, com base em fontes locais, indicam que 856 palestinos foram mortos em ataques após o anúncio do cessar-fogo em outubro passado. 

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Quanto aos feridos graves, a Organização Mundial da Saúde, OMS, estima que do total de 172 mil observados desde o início do conflito, em outubro de 2023, cerca de 43 mil sofreram lesões que mudarão as suas vidas de forma permanente.

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Acesso a serviços básicos 

Já o deslocamento em massa afeta a maior parte da população de Gaza, que agora sobrevive em tendas superlotadas ou estruturas severamente danificadas, sem acesso a serviços básicos.

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Quanto à expansão territorial, Telavive revelou que as Forças de Defesa de Israel, IDF, realizam ataques diários contra milícias e infraestruturas do Hamas. O controle militar israelense sobre Gaza subiu de 52% para 60% desde o cessar-fogo.

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O vice-coordenador destacou que para que a Resolução 2803 ganhe ímpeto, a ONU defende que todos os elementos do Plano Abrangente sejam acionados de forma interligada. 

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As medidas nesse sentido envolvem o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados, a retirada total das forças militares israelenses de Gaza e o destacamento imediato da Força Internacional de Estabilização. 

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Por último, o empoderamento do Comitê Nacional para a Administração de Gaza permitiria que sejam assumidas as responsabilidades de transição em coordenação direta com a Autoridade Palestina.

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sourceCom informações da ONU

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FZL