ONU: exclusão das mulheres na mediação de conflitos compromete paz

Numa altura em que os conflitos armados se multiplicam, as mulheres continuam a ser marginalizadas dos processos de mediação, privando a resolução de conflitos com base em acordos de paz mais sólidos e igualitários, alerta a ONU.

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A Resolução 1325 do Conselho de Segurança, adotada 2000, requer a participar das mulheres em decisões de paz e segurança. Mas analistas dizem que o balanço é considerado preocupante.

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Mulheres estão a desaparecer dos acordos de paz

A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, afirmou que “as mulheres estão a desaparecer dos processos de paz e de mediação”.

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Há mais de duas décadas que estudos e experiências no terreno apontam na mesma direção: os acordos são mais duradouros quando as mulheres participam ativamente nas negociações.

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A representante recorda que a garantia da segurança das mulheres se traduz em sociedades mais pacíficas e acrescenta que os movimentos de mulheres ajudam a reduzir a violência antes, durante e depois das guerras.

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Por sua vez, a exclusão das mulheres da vida pública exponencia o risco de hostilidades. A especialista disse estar convencida de que todos acabem por se arrepender.”

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Tendência é agravada pelo declínio do multilateralismo

No último ano, as Nações Unidas lideraram apenas três processos de paz, uma redução expressiva face a mais de uma dezena acompanhados há 15 anos. 

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À medida que as negociações passam para formatos mais informais, bilaterais ou opacos, as mulheres perdem frequentemente os espaços que tinham vindo a conquistar nos últimos anos.

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Organizações feministas enfrentam repressão

Paralelamente, organizações feministas enfrentam uma repressão governamental crescente contra os direitos das mulheres em algumas regiões do mundo.

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No Iraque, Kaavya Asoka, dirigente de uma ONG sobre mulheres, paz e segurança, conta que as defensoras dos direitos humanos são alvo de campanhas de ódio, num país onde o termo “género” foi proibido na linguagem oficial.

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No Afeganistão, mais de 230 decretos foram progressivamente excluindo as mulheres da vida pública. Já no Sudão, apesar do seu papel central na resposta humanitária e na mediação local, as mulheres continuam ausentes das negociações.

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Ausentes dos acordos, presentes no terreno

O afastamento das mulheres das mesas de negociação contrasta com o papel central que desempenham nas sociedades afetadas por conflitos, onde mulheres e meninas continuam a ser as principais vítimas.

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A ativista liberiana Leymah Gbowee disse ficar chocada por apenas homens armados serem convidados a encontrar soluções para a guerra. Para a detentora do Prémio Nobel da Paz de 2011, as mulheres são frequentemente as maiores vítimas e só são convidadas como observadoras.”

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Para Kaavya Asoka, o retrocesso atual não ameaça apenas os direitos das mulheres, mas também compromete as próprias perspetivas de paz.

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Ela afirma que está perfeitamente claro com repetidos ciclos de violência, sistemas políticos menos representativos, menos mecanismos de controlo sobre quem detém o poder e sociedades cada vez mais repressivas”.

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As intervenientes apelam ao reforço dos mecanismos internacionais de resolução de conflitos, passando pelo financiamento das organizações de mulheres, pela proteção das ativistas, pela criação de quotas de representação. Outra proposta é o condicionamento do apoio internacional a uma participação efetiva das mulheres nas negociações.

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sourceCom informações da ONU

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FZL