Países precisam de parceria e não dependência, diz Portugal sobre metas de 2030

O prazo para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, até 2030, pode estar se aproximando do fim, mas para alguns países, não é hora de recuar, e sim de reforçar a implementação efetiva das metas internacionais.

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Esse é o caso da delegação de Portugal, que participa do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável na sede da ONU, sob a liderança da secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ana Isabel Xavier. 

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“Não queremos deixar ninguém para trás até 2030”

Em entrevista à ONU News, ela afirma que a chave do sucesso é fazer com que os ODSs sejam traduzidos em políticas públicas desde o nível federal até o municipal. 

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“A nível nacional nós temos também diferentes níveis de governação, diferentes níveis de implementação que efetivamente fazem com que os objetivos possam vir a ser concretizados até 2030. E é nisso que Portugal está efetivamente empenhado. Nós não queremos antecipar o debate dos pós-2030. Nós queremos efetivamente não deixar ninguém para trás até 2030”. 

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Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ODS, foram aprovados por todos os Estados-membros da ONU, em 2015, que se comprometeram a cumpri-los até 2030. Um relatório divulgado, este mês, revelou que apenas 36% das metas tiveram progresso significativo ou moderado. 

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Três áreas de destaque

A vice-chefe da diplomacia portuguesa, Ana Isabel Xavier, lembra que os ODS têm impacto real na vida das pessoas ao abranger áreas fundamentais como saúde, educação, emprego, igualdade de gênero e proteção do meio ambiente.

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A secretária de Estado afirmou que Portugal tem se destacado em três áreas.

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“E há, de facto, três áreas em que Portugal se tem, diria eu, distinguido. Três áreas em que, aliás, Portugal também tem empenhado os seus recursos em termos de bolsas de capacitação. E essas três áreas são, por um lado, os oceanos, por outro, o digital e, por outro, o espaço”.

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Fim da dependência

Ao comentar os gargalos de financiamento, que muitos países enfrentam para cumprir suas próprias metas, Ana Isabel Xavier defendeu a mudança de uma abordagem que divide as nações entre doadoras e receptoras para uma “dinâmica de parcerias”.

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“De facto, mais importante é a mudança de paradigma e encontrar mecanismos financeiros que efectivamente vão ao encontro daquilo que os Estados precisam. Efectivamente, os Estados precisam de investimento e não de assistência. Os Estados precisam de parceria e não de dependência, portanto, precisam de ser capacitados, mas sem prolongar uma dependência estrutural”. 

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Ela contou que a parceria entre Portugal e Cabo Verde para conversão da dívida pública em investimento climático é um grande exemplo deste novo paradigma, pois o acordo foi baseado nas prioridades definidas por Cabo Verde, visando seu próprio desenvolvimento.

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Transformando ameaças em energia

A secretária de Estado lembra que a nação insular lusófona elegeu a capacidade de resiliência perante as alterações climáticas como foco dos investimentos e com base nisso diversos projetos já estão saindo do papel.

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“Investimentos muito concretos exatamente na área das energias renováveis, através de empresas portuguesas que têm expertise nestas matérias e que já estão em Cabo Verde, nomeadamente na cidade da Praia, a apostar exatamente naquilo que são meios concretos para, de facto, Cabo Verde potenciar a sua natureza. E na verdade, muitas das ilhas de Cabo Verde têm esta particularidade de serem ventosas. Portanto, temos que aproveitar essa energia, transformando a exatamente como uma oportunidade e não como uma ameaça e não como um desafio inclusivamente nefasto para o próprio turismo.”

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Reforço de parcerias na Cplp

A secretária de Estado de Portugal reforçou que uma visão conservadora, baseada em assistencialismo, precisa dar lugar a uma lógica de investimentos e no princípio de direito ao desenvolvimento, consagrado pelas Nações Unidas. 

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De acordo com ela, a iniciativa de conversão da dívida de Cabo Verde será alargada até 2030 e o mesmo modelo está sendo replicado em São Tomé e Príncipe e, potencialmente, em outros países lusófonos.

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Ana Isabel Xavier adicionou que no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, Portugal também tem o compromisso de criar um espaço comum de investimento e resiliência das sociedades, onde todos os países são considerados parceiros, sem reforçar a distinção tradicional entre doadores e receptores. 

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*jornalista da ONU News.

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sourceCom informações da ONU

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FZL