Relatório sobre dívida externa inclui países lusófonos

Um novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, alerta que o peso da dívida externa está sufocando as economias em desenvolvimento. 

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Entre 2018 e 2024, 99 países viram seu espaço fiscal encolher diante da escalada dos juros, comprometendo investimentos essenciais e o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS. 

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Efeito bola de neve

O relatório classifica as economias em três grupos. Dos países de língua portuguesa, o Brasil aparece entre as Economias de Mercado Emergente, na América Latina. 

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Apesar de maior resiliência financeira, o país não escapa à volatilidade das taxas globais, que limitam o crescimento e pressionam as contas públicas. 

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Na África Subsaariana, Angola e Moçambique são categorizados como Economias de Mercado Fronteiriço. 

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Embora consigam atrair fluxos externos, enfrentam financiamento instável e caro, com juros muito superiores aos praticados em países desenvolvidos. 

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Investimentos e saúde 

O agravamento da dívida obriga ambos a destinar parcelas crescentes das receitas de exportação ao pagamento de juros, em detrimento de investimentos em infraestrutura e saúde. 

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Globalmente, nos últimos 10 anos, os pagamentos de juros dos governos aumentaram 102%, enquanto as receitas públicas cresceram apenas 39%. 

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Segundo a Unctad, essa divergência cria um efeito de bola de neve, em que novos empréstimos servem para liquidar juros de dívidas anteriores. 

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Outras Economias em Desenvolvimento 

Na base da pirâmide de integração financeira estão Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, classificados como Outras Economias em Desenvolvimento. 

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Para esses países, o acesso a mercados privados internacionais é quase inexistente.

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Cabo Verde, apesar da estabilidade institucional, sofre com fluxos externos escassos. 

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Já São Tomé e Guiné-Bissau enfrentam crises crônicas de liquidez, dependendo de financiamento concessional ou doações multilaterais. 

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Taxas de juros desiguais 

A Unctad calcula que, se os países em desenvolvimento pudessem contrair empréstimos às mesmas taxas dos países ricos, economizariam cerca de US$ 500 bilhões por ano. 

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O relatório alerta que o déficit global anual para atingir os ODS até 2030 é de US$ 4,3 trilhões. 

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Sem reformas, metas básicas como eletrificação, saneamento e educação de qualidade tornam-se praticamente inalcançáveis. 

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sourceCom informações da ONU

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FZL