O Governo de São Paulo passou a monitorar cerca de 1 mil quilômetros do Rio Tietê, além do Rio Pinheiros e dos principais reservatórios da bacia do Tietê, por meio de imagens de satélite de alta resolução e inteligência artificial. O acompanhamento é feito pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil)
A tecnologia amplia a capacidade de monitoramento das condições da água em grandes extensões dos rios paulistas. O sistema, com imagens que analisam a superfície da água em áreas de aproximadamente três metros por três metros, permite visualizar tendências, identificar alterações ambientais e emitir alertas automáticos para apoiar a atuação das equipes técnicas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (10), durante evento alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e faz parte de um pacote de novas medidas no contexto do Programa IntegraTietê.
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O projeto abrange o Rio Tietê desde Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, até a foz do rio Tietê em Itapura. O monitoramento também inclui o Rio Pinheiros e os reservatórios de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos.
Uma versão simplificada do painel poderá ser acompanhado pela população pelo aplicativo da Cetesb ou pelo endereço https://appmonitoratiete.orbty.com.br/index.html.
“O monitoramento ambiental sempre foi uma das principais atribuições da Cetesb. Agora damos mais um passo importante ao incorporar tecnologias de satélite, inteligência artificial e análise de dados para ampliar nossa capacidade de acompanhar os rios paulistas. Essa ferramenta fortalece a fiscalização, melhora a gestão do território e permite identificar alterações ambientais com mais rapidez e precisão”, afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.
De acordo com a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a incorporação de novas tecnologias no contexto do programa IntegraTietê ampliam a capacidade de análise, resposta e fiscalização, aprimorando a ação do poder público. “Temos avançado de forma consistente na recuperação do Tietê e seus afluentes, por meio de diferentes frentes, como saneamento, desassoreamento, limpeza e fiscalização. Atuar com inteligência de dados e tecnologia no monitoramento desses avanços, bem como das condições dos rios em tempo real, é fundamental para que possamos aprimorar cada vez mais nossa atuação”, ressalta.
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Por meio da luz absorvida pela água, os satélites conseguem identificar variações na concentração de matéria orgânica dissolvida colorida, normalmente associada a esgoto. De forma simplificada, é como comparar um copo de água limpa com outro contendo café dissolvido: mesmo sem enxergar exatamente o que está misturado na água, é possível perceber mudanças em suas características.
O sistema também monitora a proliferação de algas nos reservatórios, fenômeno relacionado à formação da chamada “nata verde” observada em alguns trechos do Médio e Baixo Tietê, em convênio com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
As informações são processadas por inteligência artificial e reunidas em um painel utilizado pelas equipes da Cetesb. O sistema cruza dados de satélite com informações da rede de monitoramento da Companhia, estações de tratamento de esgoto, empreendimentos licenciados e áreas fiscalizadas.
As informações são apresentadas em mapas geoespaciais que mostram a concentração de matéria orgânica ao longo dos rios. Para facilitar a interpretação, os trechos são classificados em faixas que variam de baixo a muito alto, permitindo identificar rapidamente áreas com maior presença de poluição.
Quando o sistema identifica uma alteração significativa em determinado trecho, um alerta é exibido no painel e pode direcionar equipes da Companhia para verificações em campo. Em situações específicas, drones também podem ser utilizados para investigar com mais detalhes os locais apontados pelo monitoramento remoto.
A nova tecnologia não substitui a rede de monitoramento da Cetesb, mas amplia sua capacidade de análise. Atualmente, a Companhia mantém mais de 550 pontos de monitoramento em rios e reservatórios em todo o estado.
No Tietê, na Região Metropolitana de São Paulo, o acompanhamento ocorre em 27 pontos do curso principal e outros 30 em afluentes, além de 21 estações automáticas que que geram mais de 10 milhões de dados ambientais por ano. No Pinheiros, a Cetesb monitora 16 afluentes e quatro pontos da calha principal: Pedreira, Ponte do Socorro, Usina São Paulo e Retiro. Esse monitoramento continuará sendo realizado normalmente. A diferença é que a nova tecnologia permite acompanhar simultaneamente grandes extensões dos rios e reservatórios por meio de imagens geoespaciais, oferecendo uma visão mais ampla.
“Assim como o monitoramento por satélite revolucionou o acompanhamento das florestas, essa tecnologia representa um novo patamar para a gestão da qualidade da água. Ela nos permite enxergar o rio como um todo, identificar tendências, antecipar problemas e direcionar com mais eficiência as ações de fiscalização e controle ambiental”, destaca Toledo.
A implantação da nova tecnologia faz parte de um conjunto de ações de modernização da fiscalização e do monitoramento ambiental, que já recebeu mais de R$ 43 milhões em investimentos desde 2023. Nesse período, a Companhia registrou mais de 19,4 mil infrações ambientais e aplicou cerca de 7 mil multas em todo o estado. A expectativa é intensificar vistorias em empreendimentos com potencial poluidor, com aproximadamente 200 inspeções mensais.
O reforço operacional também veio acompanhado da atualização das regras de penalização ambiental, após cerca de duas décadas sem mudanças estruturais. Hoje, casos mais graves podem ultrapassar R$ 10 milhões em multas.
As novas regras endureceram penalidades para diferentes tipos de infração. Em algumas situações, irregularidades que antes poderiam resultar apenas em advertência passaram a gerar multa imediata. Também foram ampliadas as penalidades para empreendimentos que operam sem licença ambiental. Os cálculos das multas passaram a considerar fatores como volume de efluentes lançados e eficiência dos sistemas de tratamento. Dependendo da situação, as penalidades podem ser multiplicadas em até 25 vezes para grandes despejos e em até três vezes quando há baixa eficiência de tratamento.
Realizada pelo Governo de São Paulo em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Semana do Meio Ambiente contou com evento no Parque Ecológico do Tietê (PET), na zona leste da capital paulista, no dia 10 de junho. A edição deste ano incorporou o legado do Summit Agenda SP+Verde, ampliando a integração entre governo, setor produtivo, investidores e sociedade civil em torno da agenda climática, da economia verde e do desenvolvimento sustentável.
A programação incluiu uma série de anúncios e entregas, ativações e atrações com a participação de empresas e entidades selecionadas por edital público. Também está previsto na programação da Semana o Fórum SP Conecta, iniciativa da Semil e da InvestSP a ser realizada no próximo dia 16 de junho, voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento da competitividade ambiental no Estado de São Paulo. A Semana do Meio Ambiente também faz alusão às comemorações dos 40 anos da Semil.
sourceCom informações da Agência São Paulo
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