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Início - São Paulo - Secretaria de Meio Ambiente de SP leva prêmio por pesquisa que pode gerar R$ 4,2 bilhões ao agro paulista

Secretaria de Meio Ambiente de SP leva prêmio por pesquisa que pode gerar R$ 4,2 bilhões ao agro paulista

RedacaoBy Redacaoagosto 4, 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), conquistou o 1º lugar no Prêmio MapBiomas 2025 com um estudo inovador que quantifica o impacto econômico da polinização na agricultura paulista. A pesquisa, que integra o projeto Biota Síntese, apoiado pela Fapesp, demonstra que a recuperação estratégica de vegetação nativa pode elevar o PIB agropecuário do estado em até R$ 4,2 bilhões por ano. O prêmio é um dos mais importantes do país e visa reconhecer e incentivar projetos que utilizam os dados do MapBiomas para soluções inovadoras em conservação, manejo sustentável e combate às mudanças climáticas. Mais de 180 projetos foram selecionados.

Utilizando imagens de satélite e análise pixel a pixel, os pesquisadores Rafael Chaves (Semil) e Eduardo Moreira (USP) mapearam áreas agrícolas e fragmentos de vegetação nativa, identificando oportunidades para ampliar a polinização — serviço ecossistêmico essencial para cultivos como soja, laranja e café. Foram mapeadas as áreas agrícolas (demanda de polinização) e as áreas de vegetação nativa (oferta de polinização), avaliando o fluxo de polinizadores na paisagem. Isso permitiu avaliar o efeito que a restauração ecológica ao redor dessas lavouras teria no aumento desse fluxo, sem a necessidade de suprimir a produção agrícola, mas pelo contrário: intensificando essa produção. Essa abordagem permite identificar áreas estratégicas, como margens de rios, fragmentos e bordas de propriedades, que podem ser recuperadas para ampliar a oferta de polinizadores e beneficiar a produtividade das lavouras.

Segundo o estudo, que contou ainda com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi publicado digitalmente como nota técnico-científica da Série Biota Síntese (Potencial do Serviço Ecossistêmico de Polinização no Estado de São Paulo), a restauração da vegetação nativa em áreas agrícolas poderia aumentar em até R$ 4,2 bilhões anuais o Produto Interno Bruto (PIB) paulista. A presença de matas, cerrados e campos próximos aos cultivos amplia a presença e diversidade de polinizadores, sobretudo abelhas, aumentando a quantidade dos frutos e grãos cultivados, mas também seu o tamanho e qualidade.

O trabalho também identificou desafios para a implementação prática do serviço, como a homogeneidade das paisagens agrícolas em regiões críticas, como o Médio Paranapanema. Nessa região, extensos monocultivos de soja em paisagens com insuficiente vegetação. A boa notícia apontada no estudo é que essa limitação poderia ser mitigada com o aumento da polinização a partir da restauração de ecossistemas e adoção de práticas amigáveis a polinizadores.

Apenas com as lavouras de soja, laranja e café, os ganhos seriam de R$ 1,4 bilhão, R$ 1 bilhão e R$ 660 milhões anuais, respectivamente. Outros cultivos permanentes (como goiaba, abacate e manga) poderiam somar mais R$ 280 milhões, enquanto temporários (como tomate, amendoim e feijão) responderiam por um acréscimo de R$ 820 milhões. “Esses números demonstram como as soluções baseadas na natureza podem beneficiar simultaneamente a agricultura, a renda dos produtores e a proteção da biodiversidade”, afirmou Rafael Chaves, que também é vice-diretor do Biota Síntese pela Semil e coautor do estudo.

O subsecretário de Meio Ambiente, Jônatas Trindade, ressaltou a importância do prêmio para a política pública ambiental paulista: “É um reconhecimento ao trabalho de excelência desenvolvido por nossas equipes, em parceria com a academia, que traz subsídios tanto para a melhoria das políticas públicas atuais quanto para a formulação de novas políticas.” Também merece destaque o fato de recomendações do estudo já terem sido incorporadas ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc), recém-lançado pelo Governo de SP.

A publicação (https://doi.org/10.11606/9786587773704) traz mapas detalhados do estado de São Paulo, indicadores de potencial de provisão e dependência por cultura e recomendações para gestores públicos e agricultores sobre como alinhar produção e conservação, orientando a implantação de políticas e ações locais com base em evidências. O trabalho foi desenvolvido em uma sistemática de coprodução de ciência e política pública.

Menção honrosa para a Fundação Florestal

Além do prêmio principal conquistado pela Semil, o Estado de São Paulo também recebeu uma menção honrosa para a Fundação Florestal na categoria Políticas Públicas.

A Plataforma de Restauração das Áreas Protegidas do Estado de São Paulo foi reconhecida pelo Prêmio MapBiomas 2025 como uma iniciativa inovadora para a conservação e o uso sustentável do território. Lançada na COP29, a plataforma foi desenvolvida pela Fundação Florestal e pela Semil, com apoio técnico da Fundação Instituto de Administração (FIA), para planejar e orientar a restauração ambiental nas unidades de conservação paulistas. Ela já mapeou mais de 38 mil hectares com potencial para restauração, cruzando mais de 90 camadas de dados ambientais — como uso do solo, vegetação, declividade e potencial de regeneração natural — com técnicas de inteligência artificial.

Essa ferramenta é pensada para apoiar iniciativas da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) como o Refloresta-SP, programa do Governo de São Paulo que busca restaurar 1,5 milhão de hectares de vegetação nativa até 2050, promovendo a conservação da biodiversidade e a resiliência climática. A plataforma também ajuda a direcionar recursos do Finaclima-SP, um mecanismo de financiamento climático do Estado de São Paulo, criado para atrair e gerir recursos privados destinados a projetos e ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Atua como um intermediador entre doadores e projetos sustentáveis, buscando promover a resiliência climática no estado.

Com isso, a plataforma se torna um guia estratégico para planejamento de ações de restauração mais eficientes e com maior impacto positivo para a sociedade e para o meio ambiente. A plataforma está disponível para o público em: www.plataforma.fflorestal.sp.gov.br.

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Com informações da Agência São Paulo

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