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Início - Brasil - Tenda de jornalistas palestinos é bombardeada após reunião com Fenaj

Tenda de jornalistas palestinos é bombardeada após reunião com Fenaj

RedacaoBy Redacaosetembro 25, 2025Nenhum comentário6 Mins Read
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Um grupo de jornalistas palestinos na Cidade de Gaza teve sua tenda bombardeada por forças militares de Israel, na tarde desta quinta-feira (25), após participarem de uma videoconferência com repórteres brasileiros organizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), pelo Sindicato dos Jornalistas da Palestina e pela Embaixada da Palestina no Brasil. No local, onde funcionava o Centro de Solidariedade de Jornalistas em Gaza, estavam pelo menos 20 profissionais. A informação sobre o incidente foi dada pela Fenaj, por meio da embaixada.

De acordo com o embaixador palestino, Ibrahim Alzeben, até o início da tarde não havia informações sobre vítimas, mas uma fonte árabe, próxima à entidade sindical local, informou que os jornalistas conseguiram escapar com vida. A Cidade de Gaza foi praticamente destruída pelas forças israelenses desde outubro de 2023, quando a guerra em Gaza eclodiu.

No encontro online, foram ouvidos os relatos dos líderes sindicais Naser Abu Baker e Tahseen al Astal, presidente e vice do Sindicato dos Jornalistas da Palestina, e mais nove profissionais com atuação na Faixa de Gaza. Eles apresentaram números para demonstrar que a imprensa palestina é um alvo prioritário de Israel. Dos cerca de 1,6 mil jornalistas profissionais registrados na Faixa de Gaza, 252 foram mortos em ataques israelenses desde o início da ofensiva no enclave palestino. Outros 400 foram feridos e cerca de 200 estão presos. Ao menos 600 familiares destes profissionais também foram mortos na guerra.

A jornalista freelancer Fidaa Asaliya, uma das que estavam na tenda bombardeada, declarou que os profissionais da imprensa na Palestina estão pagando com a própria vida o preço de transmitir a verdade ao mundo.

“Estamos no centro de solidariedade pertencente ao Sindicato dos Jornalistas em meio a um bombardeio constante que está ameaçando as nossas vidas constantemente, mas continuamos fazendo nosso trabalho”, afirmou.

Segundo Fidaa Asaliya, a ocupação não faz distinção entre um jornalista, um cidadão ou um membro da resistência.

De acordo com os relatos, os profissionais que não são mortos têm as suas casas bombardeadas, obrigando-os a se deslocarem seguidamente em busca de um lugar para se abrigar. Samir Khalifa, outro jornalista em Gaza, contou que em 23 meses de ataques já se deslocou de um lugar para outro 18 vezes. O Sindicato dos Jornalistas da Palestina aponta ainda que 647 imóveis residenciais de profissionais de imprensa foram destruídos pela invasão das forças militares de Israel.

Ainda segundo a entidade, desde o início da ocupação israelense, há dois anos, cerca de 3,4 mil jornalistas foram proibidos de entrar no enclave, sendo 820 deles oriundos dos Estados Unidos (EUA), o principal aliado de Israel.

“A ideia da reunião foi exatamente promover a oportunidade de nossos colegas palestinos, que estão sendo assassinados brutalmente, relatarem a realidade que enfrentam para noticiar sobre uma ofensiva que já matou quase 70 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças”, disse a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

Ela lamentou que Israel possa ter monitorado a transmissão da reunião e tenha agido logo depois para silenciar mais vozes em sua cruzada genocida e de limpeza étnica.

A conversa com os repórteres brasileiros, a convite da Fenaj e com participação da Agência Brasil, aconteceu com grupos de jornalistas palestinos instalados em tendas em dois centros improvisados, um em Khan Yunis, no sul de Gaza, e outro na Cidade de Gaza, ao norte, que já foi praticamente toda destruída pelos bombardeios das forças militares de Israel.

Em nota, o Comitê Editorial e de Programação (Comep) e o Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI), ambos fóruns de participação social da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), manifestaram repúdio ao bombardeio que atingiu o Centro de Solidariedade de Jornalistas em Gaza.

“O ataque ocorreu meia hora depois de jornalistas palestinos participarem de uma roda de conversa virtual promovida pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Embaixada da Palestina no Brasil, em diálogo com dezenas de profissionais de mídia brasileiros. O episódio confirma que Israel monitora e persegue jornalistas com o objetivo de silenciar vozes que denunciam o genocídio em curso na Faixa de Gaza. Reiteramos nossa solidariedade aos colegas palestinos, que seguem trabalhando sob risco permanente de morte, deslocamentos forçados e destruição de suas casas e locais de trabalho”, diz um trecho da manifestação.

Os comitês exigem da Organização das Nações Unidas, da comunidade internacional e dos organismos de proteção aos direitos humanos “medidas urgentes e concretas para cessar os crimes de guerra cometidos por Israel”.

A Agência Brasil pediu, mais cedo, posicionamento à Embaixada de Israel sobre a violência contra jornalistas palestinos e aguarda retorno para acréscimo nesta reportagem.

A Faixa de Gaza é um território palestino que tem sido alvo de intensos bombardeios e ataques por terra do Exército de Israel desde um atentado do grupo islâmico Hamas a vilas israelenses, em outubro de 2023, que deixou cerca de 1,2 mil mortos e fez 220 reféns. O Hamas, que governa Gaza, sustenta que o ataque foi uma resposta ao cerco de mais de 17 anos imposto ao enclave e também à ocupação dos territórios palestinos por Israel.

Os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza, desde então, já fizeram mais de 60 mil vítimas, além de destruírem hospitais, escolas e todo tipo de infraestrutura que presta serviços à população. Um bloqueio às fronteiras do território também dificulta a entrada de alimentos e medicamentos, agravando a crise humanitária. Segundo Israel, o objetivo é resgatar os reféns que ainda estão com o Hamas e eliminar o grupo completamente.

O conflito foi um dos principais temas da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, realizada nesta semana em Nova York, nos Estados Unidos. Antes e durante o evento, países tradicionalmente aliados de Israel e dos Estados Unidos anunciaram o reconhecimento oficial ao Estado palestino, entre eles o Reino Unido, a França, o Canadá e a Austrália. O Brasil reconhece a Palestina como um país que tem direito à soberania desde 1967 e apoia a coexistência pacífica de dois Estados: um para os palestinos e outro para os israelenses.

Apesar da pressão internacional, o governo de Israel subiu o tom e afirmou que não haverá Estado palestino.

Matéria ampliada às 20h06 para acréscimo de informações da nota do Comitê Editorial e de Programação (Comep) e do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI) da EBC.

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Com informações da Agência Brasil

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