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Início - São Paulo - Fapesp anuncia que soro nacional contra envenenamento por picada de abelha entrará na fase final de testes

Fapesp anuncia que soro nacional contra envenenamento por picada de abelha entrará na fase final de testes

RedacaoBy Redacaooutubro 6, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) obtiveram um aporte de R$ 20 milhões do Ministério da Saúde para dar início à fase final de testes do soro antiapílico, que trata o envenenamento por abelhas africanizadas, ou Apis mellifera. O trabalho será conduzido pela equipe do Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (CTS), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da Fapesp.

Com tecnologia 100% nacional, o biofármaco começou a ser desenvolvido há mais de uma década por cientistas do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp, campus de Botucatu. O trabalho recebeu apoio da Fapesp.

As chamadas abelhas africanizadas – resultado do cruzamento entre abelhas-africanas e europeias – se tornaram uma das espécies mais comuns no país. Por um lado, são as principais responsáveis pela produção de mel no Brasil; por outro, estão frequentemente envolvidas em acidentes com seres humanos. As ocorrências variam desde picadas leves, que causam apenas dor local e inchaço, até reações sistêmicas graves. Isso ocorre por causa da sensibilidade do indivíduo aos componentes do veneno ou pela ocorrência de múltiplas picadas, levando a dificuldades para respirar, choques, tremores e insuficiência renal, entre outros sintomas.

O uso de pesticidas, o desmatamento e o declínio dos recursos florais têm favorecido encontros com as abelhas em ambientes urbanos. No Brasil, entre 2013 e 2023 foram registrados 206.746 casos de picadas de abelhas. Em 2023, ocorreram 33.317 casos, mais que os 32.420 de acidentes com serpentes, resultando em 649 mortes diretas e 50 indiretas. Assim, configura-se um ecossistema propício a um problema de saúde pública negligenciado: o aumento potencial de casos somado à ausência de um tratamento adequado.

Próxima etapa é a realização da terceira e última fase de estudos clínicos, com a participação de 150 a 200 pacientes (foto: CTS-Cevap/divulgação)

“Infelizmente nós não temos hoje, na rede de saúde, um antídoto específico para esses acidentes. O atendimento com drogas para controlar a dor, inflamação e alergia é o protocolo padrão realizado em qualquer hospital. No entanto, a ausência de um tratamento específico torna esses casos mais graves, podendo levar à morte”, ressalta Rui Seabra Ferreira Jr, coordenador-executivo do Cevap.

O bioproduto passou a ser produzido em 2009, após ter seu conceito avaliado nos estudos de pós-graduação e pós-doutorado de Ferreira Jr. Assim como outros soros, o antiapílico é feito pela inoculação gradual do veneno de abelhas africanizadas em cavalos, estimulando a produção de anticorpos no plasma sanguíneo. Em seguida, o sangue é coletado, o plasma é purificado e, a partir dele, é elaborada a formulação do soro.

Em 2013, sob a liderança de Benedito Barraviera, o Cevap, em parceria com pesquisadores do Instituto Vital Brazil (RJ) e do Instituto Butantan (SP), conduziu um estudo clínico multicêntrico de fase 1/2. Realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP), e no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão (SC), de 2016 a 2018, o estudo comprovou a segurança e a eficácia preliminar do soro. Participaram 20 voluntários adultos, com idade média de 44 anos, expostos a um número de picadas que variou de sete a 2 mil. Não foram registrados efeitos adversos graves e todos os pacientes apresentaram melhora clínica. A patente do soro antiapílico foi deferida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no início de 2023.

A próxima etapa é a realização da terceira e última fase de estudos clínicos, com a participação de 150 a 200 pacientes. A aprovação do financiamento no âmbito do edital de 2024 do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) do Ministério da Saúde, em setembro, viabiliza a fase final dos testes do soro, depois da qual será possível solicitar o registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e obter a autorização para a produção comercial e para o Sistema Único de Saúde (SUS).

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Com informações da Agência São Paulo

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