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Início - Brasil - COP30: demarcação de terras e participação popular marcaram protestos

COP30: demarcação de terras e participação popular marcaram protestos

RedacaoBy Redacaonovembro 22, 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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Enquanto as negociações não terminam, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ficou marcada por protestos de indígenas na Zona Azul, nesta sexta-feira (21). Eles protestaram pela demarcação de terras, a favor dos guarani kaiowá e contra mineração promovida por empresas do Canadá, em diversos países do continente americano, inclusive o Brasil.

A manifestação ocorreu no momento da retomada das negociações, após o incêndio que atingiu parte dos pavilhões dos países nessa quinta-feira (21). (), também na Zona Azul.

Entoando cânticos, os indígenas percorreram o corredor central da Zona Azul, atraindo a atenção de negociadores, observadores e de quem circula pela conferência. Com cartazes, pediam a saída de empresas canadenses dos territórios indígenas e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajó.

O protesto foi realizado após o término da Plenária dos Povos, organizada pela rede Climate Action Network – International, que reúne mais de 1.300 organizações não governamentais de cerca de 130 países, que promovem ações contra a mudança climática. 

Manifestações na COP30

A COP30, em Belém, recebeu inúmeras manifestações populares. Os organizadores estimam que a conferência reuniu cerca de 50 mil pessoas, com a presença de representantes de comunidades tradicionais, agricultores, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, entre outros.

Eles reivindicaram, entre outros pontos, maior participação nos espaços de decisão.

Em um deles, realizado no dia 12 de novembro, segundo dia da conferência, indígenas munduruku chegaram a entrar na Zona Azul, mas foram retirados pela segurança do evento. Eles reivindicavam o fim da privatização de empreendimentos no Rio Tapajós.

Outra crítica era contra a construção da Ferrogrão, ferrovia que ligará o Mato Grosso ao Pará para escoamento de produção agrícola, e que causará impacto no modo de vida dos indígenas e pressão sobre suas terras.

Dias após a manifestação, lideranças do povo munduruku foram recebidas pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que o governo federal vai realizar uma consulta prévia aos povos sobre o projeto de hidrovia no Tapajós.

Belém também abrigou a Cúpula dos Povos, realizada em paralelo à COP30 e um dos principais espaços de mobilização, que reuniu cerca de 20 mil pessoas de 1,3 mil movimentos sociais e a sociedade civil para discutir e apresentar demandas. Na abertura da Cúpula, uma barqueata levou mais de 200 embarcações e cerca de 5 mil pessoas as águas da Baía do Guajará, por justiça climática e social.

Em um ato político, integrantes criticaram a ausência de maior participação popular na COP30 e defenderam a Palestina. Para as organizações e movimentos, países e tomadores de decisão têm se omitido ou apresentado soluções absolutamente ineficientes colocando em risco a meta de limitar o aquecimento global a  1,5°C, conforme o Acordo de Paris. 


Belém (PA), 12/11/2025 - Barqueata da Cúpula dos Povos, liderada pela

Belém (PA), 12/11/2025 – Barqueata da Cúpula dos Povos, liderada pela “Caravana da Resposta”. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Outro ato, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), promoveu o “Funeral dos Combustíveis Fósseis”, para denunciar os impactos climáticos causados pelo uso de combustíveis derivados do petróleo, gás natural e carvão mineral.

A Boiuna, da cultura amazônica, foi usada como símbolo de abertura de caminhos para as lutas e as demandas das populações tradicionais da Amazônia.

A maior mobilização foi a Marcha Mundial pelo Clima, que ocupou as ruas de Belém, no sábado (15) com cerca de 70 mil pessoas, mostrando a expressiva diversidade cultural e social do povo amazônico. Povos indígenas de todos os países da América do Sul também integraram a marcha, unindo as vozes para pedir que seus direitos sejam respeitados e territórios tradicionais sejam demarcados.


Belém (PA), 17/11/2025 - Marcha Global dos Povos Indígenas - A Resposta Somos Nós, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Belém (PA), 17/11/2025 – Marcha Global dos Povos Indígenas – A Resposta Somos Nós, evento paralelo à COP30. Foto:  Bruno Peres/Agência Brasil

No mesmo dia, o Tribunal Autônomo e Permanente dos Povos contra o Ecogenocídio, órgão simbólico montado durante a COP30 por movimentos sociais, divulgou uma sentença que condena Estados e grandes empresas por violações sistemáticas contra povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e a natureza.

Ao final da Cúpula dos Povos, a Declaração Final classificou como “falsas soluções” as medidas apresentadas para o enfrentamento da emergência climática. A carta aponta o modo de produção capitalista como causa principal da crise climática crescente e ressalta que as comunidades periféricas são as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos e o racismo ambiental.

O cacique Raoni Metuktire encorajou os participantes a continuar a luta. Em carta aos participantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a Cúpula dos Povos foi fundamental para tornar viável COP30.

Os indígenas também tiveram espaço na AldeiaCOP, que abrigou cerca de três mil pessoas e recebeu apresentações, feira de bioeconomia, debates e uma casa espiritual para a prática de rituais de cura e medicina ancestral indígena. Os povos indígenas fizeram uma marcha pelas ruas da capital paraense, em que cobraram punição pelo assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, de 36 anos, atingido por um tiro na cabeça durante um ataque armado no município de Iguatemi, Mato Grosso do Sul. 

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Com informações da Agência Brasil

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