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Início - Brasil - Mapeamento inédito revela extensão de área livre de gelo na Antártica

Mapeamento inédito revela extensão de área livre de gelo na Antártica

RedacaoBy Redacaodezembro 1, 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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No extremo sul do planeta, o Continente Antártico tem menos de 1% de seu território com áreas livres de gelo. Ao todo são 2,4 milhões de hectares, dos quais apenas 107 mil hectares são cobertos por vegetação ao longo do verão austral, revela o estudo Mapbiomas Antártica.

Considerada uma reserva natural internacional dedicada a fins científicos, essa é primeira vez que as áreas livres de gelo e coberturas verdes da Antártica são mensuradas.

A pesquisa foi desenvolvida por uma iniciativa cientifica brasileira, a partir de imagens de satélites associadas ao uso de algoritmos de machine learning e processamento em nuvem, devido ao grande volume de dados.

Segundo a pesquisadora Eliana Fonseca, que coordenou o mapeamento, o interesse pela dinâmica natural do Continente Antártico se justifica tanto pela maior compreensão sobre os efeitos da mudança do clima no local, quanto pelos possíveis impactos globais.

“O mapa de áreas livres de gelo é essencial para o monitoramento da fauna do continente, pois os ninhos e o nascimento dos filhotes das espécies animais ocorrem nessas áreas durante o verão. O mapa de vegetação, por sua vez, fornece informações essenciais para avaliar a produtividade dos ecossistemas, permitindo monitorar as mudanças ambientais e regiões sensíveis”

Para estudar a flora do local, os pesquisadores puderam observar saúde e densidade da vegetação usando um indicador de sensoriamento remoto, calculado a partir das imagens de satélites.

“Durante o verão nas áreas livres de gelo crescem espécies de musgos, algas terrestres e gramíneas. Sobre as rochas ocorrem líquens, que podem ser observados não só nas áreas costeiras, mas também no interior do continente”, disse Eliana Fonseca.

Brasil

A partir do estudo, algumas similaridades nas vegetações da Antártica e do Brasil também foram observadas. “Os liquens, musgos e algas terrestres, são classificados como crostas biológicas dos solos, e são encontrados nos biomas brasileiros, em áreas de vegetação esparsas tais como nos solos dos biomas Pampa e Caatinga, mantendo a cobertura dos solos nas áreas onde os recursos ambientais são escassos. As gramíneas fazem parte das plantas pioneiras e são encontradas em todos os biomas brasileiros”, explica a pesquisadora.

 


Estação Comandante Ferraz, base de pesquisa do Brasil na Antártica

Essa é primeira vez que as áreas livres de gelo e coberturas verdes da Antártica são mensuradas – Mauricio de Almeida/ TV Brasil

Com influência direta no clima de todo o Hemisfério Sul, a Antártica é considerada o berço das frentes frias, com forte influência nos regimes de chuvas. “O contraste de temperatura das massas de ar frias e secas que vêm da Antártica com a massa de ar quente e com a umidade que se forma sobre o Brasil influencia diretamente as chuvas, tanto em volume, quanto em frequência”, diz Eliana.

Assim como demais países localizados principalmente abaixo da Linha do Equador, o Brasil também tem o seu clima regulado pelo continente gelado.

“As frentes frias influenciam a temperatura do ar não só na Região Sul do Brasil, mas frentes frias muito intensas podem diminuir as temperaturas nos estados das regiões centro-oeste e Norte”, acrescentou a pesquisadora.

Estudo

De acordo com os pesquisadores, o estudo só foi viabilizado após o posicionamento dos satélites Sentinel-2 na órbita polar, com capacidade de capturar imagens de ampla cobertura e em alta resolução. Após a viabilização das ferramentas, as imagens geradas entre 2017 e 2025 só conseguem captar a área livre de gelo nos meses do verão austral, período em que o Hemisfério Sul recebe mais luz solar e que se estende entre dezembro a março.

“Nessa época ocorre também o fenômeno conhecido como “sol da meia-noite”, que é quando o sol circunda o continente, causando a projeção de uma grande quantidade de sombras feitas pelas cadeias de montanhas existentes no interior.”

A limitação impediu que a dinâmica ao longo dos anos fosse registrada, mas, de acordo com a coordenadora científica do MapBiomas, Júlia Shimbo, com a continuidade dos estudos isso deverá ser superado.

“Esta é a primeira versão do mapeamento e esperamos que as próximas coleções envolvam mais cientistas e grupos de pesquisa da Antártica trazendo não só melhorias no mapeamento das áreas sem gelo e cobertas por vegetação, mas também agregando outras variáveis”, destacou.

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Com informações da Agência Brasil

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