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Início - Brasil - Conecta PretaLab apresenta ferramentas de IA a mulheres negras em SP

Conecta PretaLab apresenta ferramentas de IA a mulheres negras em SP

RedacaoBy Redacaodezembro 2, 2025Nenhum comentário3 Mins Read
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A inteligência artificial já faz parte das decisões do dia a dia, como um aplicativo que ajuda a estudar ou uma ferramenta que organiza finanças. O evento Conecta PretaLab, com abertura nesta terça-feira (2), oferecerá oficinas práticas, rodas de conversa e debates sobre o uso da inteligência artificial para mulheres negras. O objetivo é mostrar, na prática, como a tecnologia pode facilitar a vida e abrir portas.

No Sesc Pompeia, um grupo de mulheres negras da PretaLab, iniciativa do Olabi, vai ensinar outras mulheres a usar IA no celular, no computador e no trabalho. Muitas das professoras e facilitadoras descobriram a tecnologia justamente por causa do projeto, e agora, voltam para compartilhar esse conhecimento. O evento é gratuito e aberto ao público.

A abertura do Conecta, às 19h de hoje, terá a mesa “Inteligência artificial e justiça social”, com participação de Jurema Werneck, médica e diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil; Mayara Ferrão, artista visual e referência em arte + IA; e Silvana Bahia, codiretora do Olabi e uma das principais vozes do país no debate sobre tecnologia e inclusão.

Silvana Bahia ressalta que, apesar de a inteligência artificial já fazer parte do nosso cotidiano, o acesso real a esse tipo de tecnologia ainda é bastante desigual. Isso porque quem consegue explorar essas ferramentas são, em sua maioria, pessoas que já têm familiaridade com o digital, boa conexão, tempo e condições materiais para experimentar.

“Quando a gente olha para o Brasil, percebe que mulheres negras, pessoas periféricas e grupos historicamente excluídos chegam muito depois nessa conversa. Muitas vezes só entram como usuárias, e não como criadoras. E esse é o grande desafio: não basta ‘usar’ IA. É preciso entender como ela funciona, ter autonomia e participar das decisões sobre o que essas tecnologias serão no futuro”, disse.

Nas oficinas, nos dias 6 e 7 de dezembro, as facilitadoras apresentarão ferramentas de IA que ajudam a montar currículos, organizar planilhas, revisar textos, criar artes para pequenos negócios, estudar para provas e planejar finanças. A proposta do projeto é que tudo seja compartilhado de forma simples, acessível e imediata. Para muitas participantes, é o primeiro contato direto com essas ferramentas. As inscrições podem ser feitas pelo site do Sesc.

O Conecta PretaLab parte da premissa de que mulheres negras precisam estar no centro da conversa sobre inteligência artificial. Isso só ocorrem quando elas têm acesso, formação, segurança e espaço para aprender e experimentar. Silvana conta que o projeto atende a uma demanda que aparece todos os dias.


Rio de Janeiro (RJ), 23/05/2024 – A empreendedora social e co-fundadora OLABI, Silvana Bahia durante o Encontro Internacional de Educação Midiática, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 23/05/2024 –  Silvana Bahia destacou que o acesso real à IA ainda é bastante desigual. Foto-arquivo: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

“[São] mulheres que querem usar tecnologia para facilitar a vida, para impulsionar seus trabalhos, para estudar, para empreender, mas que nunca se viram como ‘pessoas da tecnologia’”, destaca.

A inteligência artificial, ressalta Silvana, não está isolada das desigualdades do país, ela tende a reproduzir exatamente as mesmas estruturas que já marcam a educação, o mercado de trabalho e o acesso à cultura.

“Se vivemos num país onde parte significativa da população tem dificuldade de acessar direitos básicos, não é surpresa que o acesso à tecnologia mais avançada siga a mesma lógica”, afirmou Silvana.

“A IA é construída a partir de dados, referências e prioridades definidas por grupos muito restritos, e isso faz com que boa parte da sociedade fique de fora desde o início. E quando mulheres negras, pessoas periféricas, pessoas indígenas ou com deficiência não participam da construção das tecnologias, os impactos negativos voltam para elas de forma ainda mais intensa”, explicou Silvana.

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Com informações da Agência Brasil

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