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Início - Mundo - Acnur reforça apoio para melhorar condições de refugiados em Moçambique

Acnur reforça apoio para melhorar condições de refugiados em Moçambique

RedacaoBy Redacaodezembro 17, 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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Está patente em Maputo a exposição da Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, criada em dezembro de 1950 pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

A intervenção em Moçambique começou 10 anos depois, durante a luta pela independência. Nos anos seguintes a agência operou no período da guerra civil durante o deslocamento de cerca de 4,7 milhões de pessoas, incluindo mais de 2 milhões de moçambicanos vivendo em países vizinhos.

Apoio contínuo do Acnur

Para assinalar os 75 anos da existência do Acnur, a agência juntou beneficiários, antigos refugiados e parceiros nas icônicas instalações dos Caminhos de Ferro de Moçambique ao abrir a exposição fotográfica “Refúgio: Caminhos Cruzados”.

Falando na abertura da mostra, o representante da agência em Moçambique, Xavier Creach, reforçou o apoio contínuo ao governo moçambicano em meio a várias situações que levam ao deslocamento.

“Hoje, as Nações Unidas continuam ao lado de Moçambique apoiando a resposta do governo ao deslocamento interno que afeta mais de 1,3 milhão de moçambicanos desde 2017 nas províncias do norte. Desde julho desde ano de 2025, cerca de 300 mil pessoas foram deslocadas nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.”

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Graça Machel e convidados na abertura da mostra pela comemoração dos 75 anos do Acnur

75 anos em fotografia

“Refúgio: Caminhos Cruzados” traça o percurso histórico das etapas da presença do Acnur em Moçambique.

As fotografias de arquivo, imagens contemporâneas e de um vídeo documental mostram uma realidade além de números de pessoas em movimento.

São estudantes, agricultores, trabalhadores e lideres comunitários que contribuem ativamente para as comunidades que os acolhem e que, quando existem condições de segurança e dignidade, demostram uma forte disposição de reconstruir as suas vidas.

Experiência pessoal de Graça Machel

Para a ativista e defensora dos direitos da criança, Graça Machel, a comemoração dos 75 anos do Acnur, através da exposição fotográfica, traz a memória, uma de lição aprendida para os moçambicanos.

“Eu tenho experiência pessoal de ser refugiada, mas é uma experiência grata. Nós na Tanzânia fomos recebidos com muito carinho e fomos tratados de fato como irmãos dos tanzanianos. Eu quero dizer com isso que os moçambicanos aprenderam essas lições, não por acaso, é nossa generosidade normal, mas também aprendemos dos tanzanianos como tratar dos refugiados, quer dizer, da procura da liberdade que era nossa realidade.”

Nathalie Vanessa é filha de pais ruandeses. Em busca de segurança e melhores condições de vida, seus pais emigraram para Moçambique onde no início enfrentaram algumas dificuldades devido a língua.

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Após o Acordo Geral de Paz, múltiplos comboios
apoiados pelo ACNUR e outras agências
percorreram o país para facilitar a repatriação
segura de centenas de milhares de refugiados.

Resiliência e histórias de vida

Ela conta que a opção da família foi a Suazilândia como novo destino. Entretanto, as condições lá não foram favoráveis e regressaram a novamente para Moçambique.

Em terras moçambicanas, os pais da Nathalie Vanessa conseguiram ter um negócio para autossustento, abriram uma minimercearia. Foi assim que ela iniciou os seus estudos no ensino primário.

Hoje estudante universitária, a refugiada diz que nem tudo foi um “mar de rosas”. A esperança de dar continuidade aos estudos esteve a desmoronar quando os pais adoeceram gravemente.

“Os dois tiveram diabetes e foram parar em coma e com isso eles não conseguiram mais trabalhar. Eu pensei que teria que desistir dos meus estudos, mas depois recebi uma mensagem que falava da bolsa da Dafi. Concorri e consegui ser beneficiária. E hoje, eu sou muito grata ao Acnur, Dafi, e ao governo alemão, não só pelas oportunidades que deram a mim, mas que deram a minha irmã também, porque com a bolsa da Dafi fomos ensinados que devemos ajudar os nossos familiares também que estiverem a necessitar de alguma ajuda para os estudos.”

A história de Fabrice Nishimwe, de 25 anos, não difere de muitos refugiados, em busca de segurança e melhores condições de vida. Nascido no percurso Burundi- Moçambique em território da Tanzânia, ele cresceu e vive em onde se sente em casa.

“A verdade é que eu nasci no caminho, porém cresci em Moçambique. Agradeço o país por ter nos acolhido, ter me permitido estudar, ter garantido uma segurança e acesso a saúde também. Eu iniciei o meu ensino primário em 2004, porém para a faculdade os meus pais passaram por certas dificuldades. Graças a Deus, através do programa Dafi fiz a minha licenciatura em engenharia civil de transportes, conclui o meu curso recentemente e fui agraciado pelo mérito, recebi o certificado de honra, tendo concluído com uma nota de 16 valores.”

O programa de bolsas Albert Einstein German Academic Refugee Initiative, Dafi, é apoiado pela Alemanha. A iniciativa ajudou a transformar a vida e as perspectivas de vários jovens deslocados em Moçambique.

Cerca de 65 anos depois, a relação entre Moçambique e o Acnur permanece relevante, através do apoio à resposta do governo ao deslocamento interno, da proteção de refugiados e requerentes de asilo e do reforço do sistema nacional de asilo.

O Acnur foi criado a 14 de dezembro de 1950, pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A determinação da comunidade internacional visava reconstruir após a guerra e da convicção partilhada de que a proteção dos refugiados é uma responsabilidade universal. 

Atualmente mais de 117 milhões de pessoas vivem como deslocadas no mundo. Conflitos, abusos de direitos humanos, perseguições, bem como as mudanças climáticas continuam forçando famílias a abandonar suas casas.

*Ouri Pota é o correspondente da ONU News em Moçambique

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Com informações da ONU

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