Uma chef mudou-se para o país vizinho, o Timor-Leste, com o marido por causa do trabalho dele. Ao dividir o tempo aprendendo o novo idioma e um ritmo de vida diferente, ela decidiu se dedicar ao que sabia fazer melhor: cozinhar os pratos aprendidos com a mãe na Indonésia.*

Esta é a história de Egha, que conta ter aprendido a cozinhar antes mesmo de saber nomear os temperos que usava.  Ela lembra que foi muito incentivada pelo marido para abrir o próprio restaurante, mas após chegar ao Timor-Leste, ele veio a falecer, de repente. E Egha voltou para a Indonésia.

OMI/Andrea Empamano
Um prato completo de gado-gado reúne legumes escaldados, tofu e tempeh fritos, ovos cozidos e kerupuk, tudo coberto com molho de amendoim.

Pratos esgotados para o almoço

Depois de um tempo de luto, a chef percebeu que seu lugar era em Díli, onde ao lado do marido, descobrira sua vocação. Arrumou as malas e retornou à capital timorense para realizar o sonho de recomeçar a vida fazendo o que fazia melhor: cozinhar. No início, vendia a comida para vizinhos e amigos, mas logo depois a produção teve que aumentar pela demanda popular.

Egha cresceu tanto que abriu o próprio negócio de buffet integral. Ali, ela fornece pratos indonésios como o ayam krispi, ou frango frito crocante, além de pratos rotativos que na maioria dos dias, acabam esgotados na hora do almoço.

A história de Egha se parece a de muitos migrantes que tiveram seus negócios afetados na época da pandemia da Covid-19. Muitos que haviam construído vidas tranquilas e estáveis ​​de repente se viram sem trabalho e sem opções.

Egha decidiu abrir as portas de sua cozinha e começou a acolher outros migrantes que haviam perdido seus empregos e não tinham para onde ir. Ela ofereceu trabalho, compartilhou suas habilidades e deu a eles uma chance para recomeçar.

OMI/Andrea Empamano
Um turno matinal no warung de Egha em Dili, onde os funcionários preparam os vegetais antes do movimento intenso do almoço e de mais um dia agitado servindo comida com gosto de comida caseira.

Gado-gado, sucesso de público

Ao ser perguntada pela Organização Internacional para Migrações, OIM, ela diz que se há algum prato que melhor captura a alma deste warung, é o gado-gado. 

À primeira vista, parece uma salada simples: legumes, ovos cozidos, tofu frito e tempeh. Mas o prato se completa com seu molho de amendoim – rico, cremoso, quente e perfumado – que transforma cada elemento em algo maior do que a soma de suas partes.

O nome gado-gado significa “mistura-mistura” em indonésio. Não existe uma única versão definitiva. O prato muda dependendo dos ingredientes disponíveis. Diferentes ingredientes, texturas e origens são reunidos sob o mesmo molho. Cada etapa importa e cada ingrediente desempenha seu papel.

Hoje, Egha emprega cerca de 10 pessoas em seu warung, muitas delas migrantes. O trabalho sustenta sua família, bem como as famílias daqueles que trabalham com ela. Para muitos funcionários, é mais do que um local de trabalho. É um lugar de pertencimento, onde podem reconstruir suas vidas e apoiar uns aos outros.

*Andrea Empamano, OIM, Timor-Leste.

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Com informações da ONU

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